Há quase três meses que os habitantes da União de Freguesias de Arrimal e Mendiga estão sem médico, altura em que a profissional de saúde que aí estava apresentou uma «baixa médica de 18 meses». «Temos aqui uma população bastante desprotegida há tempo demais», reconheceu o presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, depois de voltar a ser questionado pela vereadora do movimento AJSIM, Sofia Caetano, na última reunião camarária, que teve lugar na passada quinta-feira, dia 4 de junho.

Em resposta, Jorge Vala começou por anunciar que o executivo municipal já pediu uma reunião com a Associação Ur’gente, a «única entidade com legitimidade para representar os utentes», e que posteriormente irá reunir com os presidentes de Junta no sentido de «dar passos certos para resolver o problema». O autarca adiantou ainda que, apesar dos esforços na apresentação de propostas que poderiam eventualmente solucionar a questão, estas têm-se revelado infrutíferas e que o executivo não tem poder na gestão. «Já falámos com o Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Litoral (ACES) e com a Administração Regional de Saúde do Centro (ARS), mas a gestão cabe a eles. Além disso, os senhores profissionais de saúde entendem que não têm condições para aceitar as propostas que fizemos», afirma.

O presidente da Câmara foi ainda questionado pela vereadora da oposição sobre se está previsto que seja colocada outra médica no seu lugar através de um contrato de substituição. «Não há essa figura, o lugar é dela», respondeu Jorge Vala justificando com o facto de o número de médicos ser insuficiente, e por isso, não haver bolsa de médicos. No entanto, revelou que «em simultâneo com a baixa da médica houve um pedido de mobilidade», e que caso seja aceite, «o lugar fica aberto para o concurso», o que poderá facilitar à resolução do problema mais cedo. Porém os concursos que deviam ter sido abertos em abril continuam parados e segundo, o autarca, «nem a diretora executiva do ACES, nem a ARS sabem dizer quando voltarão a reabrir».

Na incerteza de quando os concursos reabrirão, Jorge Vala, confessa que continuarão numa «situação muito complicada». «O ficheiro de Mendiga e Arrimal tem 1 700 utentes, que com as unidades ponderadas até passa dos 2 300. Estamos perante um ficheiro que está quase no limite daquilo que um médico pode ter e que conta com pessoas com dificuldade de mobilidade, idades avançadas e há ainda a agravante da distância a que esta população está do centro de saúde sede», justifica.

Depois de mais de 20 anos a ser servida pelo mesmo médico, a população da União de Freguesias de Arrimal e Mendiga recebeu «de braços abertos» a nova médica, mas menos de um ano depois, e apesar desta se manifestar «muito satisfeita pela forma como foi recebida» colocou baixa médica e pediu mobilidade. «A grande maioria dos médicos vem de muito longe, onde têm as suas famílias e quando ganham o lugar, a primeira coisa que pensam é arranjar forma de sair de cá e depois, assim, é muito difícil estabilizar os ficheiros, os utentes e até uma relação de confiança entre as pessoas e o próprio médico», lamenta o autarca, em jeito de justificação.