Desde fevereiro de 2019 que a Associação Tempos Brilhantes, em parceria com a Câmara Municipal, disponibiliza em várias freguesias do concelho de Porto de Mós, aulas de Informática para a população sénior. Apesar de as aulas presenciais terem terminado em março, os cerca de 80 alunos mantiveram-se em contacto com as animadoras, precisamente através de uma das ferramentas que trabalharam nas aulas: as redes sociais. «Temos um grupo no Facebook, em que estão quase todos os alunos. Há alguns que têm muita facilidade em ir a esse grupo, há outros que ainda não conseguem ver bem o que vamos publicando. No entanto fomos sempre propondo atividades e recebemos feedback, não de muitos, mas umas 10 ou 15 pessoas iam respondendo, diziam que faziam as atividades e colocavam fotografias», revela Marta Silva, uma das animadoras, a par de Joana Alves.

As redes sociais são, de facto, um dos principais motivos para os idosos escolherem participar nestas aulas: «A maior parte deles não está interessada em aprender a mexer num computador, o que procuram mais é saber usar as novas tecnologias, através de smartphones ou tablets. Ensinamos a usar o Facebook, por exemplo, que é uma maneira de poderem contactar familiares que têm noutros países», conta Joana Alves. Esta é uma opinião corroborada por Marta Silva que aponta que, enquanto no caso das aulas de Felicidade pelas Artes, também dinamizadas pela mesma associação, «eles [os idosos] vêem aquele tempo mais como uma forma de se reunirem e de não estarem tão solitários, a Informática é mais importante para, quando estão sozinhos, conseguirem estar em contacto». De acordo com Joana Alves, com a pandemia, estas aprendizagens «ajudaram a que não se sentissem tão isolados ou tão sós em casa, foi uma maneira de se distraírem um pouco».

A somar à maior possibilidade de contacto com outras pessoas, Joana Alves salienta a importância que este saber tem no entretenimento desta população: «O facto de poderem fazer uma pesquisa na internet é uma maneira de se entreterem e aprenderem. Gostaram muito quando, por exemplo, lhes ensinei que podiam visitar museus online. Tenho uma senhora que adorava pintar, mostrei-lhe como é que podia ir ao Youtube, e assistir a aulas de pintura. Essa senhora até já me ofereceu um quadro que fez com aquilo que aprendeu…», explica a animadora.

Aulas quase individuais

«No início foi muito complicado porque levávamos as coisas mais ou menos programadas, mas chegávamos lá e percebíamos que não dava para fazer o que tínhamos planeado, porque uns sabiam muita coisa, outros não sabiam nada», recorda Marta Silva. De acordo com a animadora, «uns já tinham Facebook há algum tempo e dominavam bem, mas para outros foi a primeira vez que tocaram num computador»; «enquanto uns iam para lá e ficavam a olhar porque já sabiam tudo o que se dizia, com outros, se se andasse um bocadinho mais depressa e se passasse à frente aquela parte onde se liga e desliga, perdiam-se, porque nem as coisas básicas sabiam, o que é normal nas idades deles». Porém, foi algo que foram melhorando com a prática e nos últimos tempos, «já estavam orientados». «Programávamos sempre um bocadinho da aula, mas deixávamos muito em aberto para responder a questões deles, porque normalmente as perguntas de um acabam por ser as dos outros», explica Marta Silva.

Joana Alves vivenciou ainda outra dificuldade enquanto responsável pelos conteúdos lecionados: «Tive vários alunos que foram entrando, não começaram todos na mesma altura», adianta. A solução que encontrou foi perguntar, a cada um, «qual o objetivo para se inscreverem, qual o interesse que têm» e, a partir daí, «trabalhar o que cada um quer realmente aprender, individualizando o ensino». Outro dos métodos adotados passou por juntá-los em pequenos grupos, de acordo com os seus interesses ou o seu nível de conhecimentos. Neste modelo de ensino mais personalizado, os alunos mais avançados são uma ajuda para as professoras: «Os que estão mais avançados tendem a ajudar os outros e, entre eles, vão testando o que ensinamos», revela Marta Silva.

Outra das evoluções que viram ao longo do tempo foi o desejo (e a concretização) de terem o seu próprio material: os computadores e os telemóveis. «Começaram a perceber que cada computador é um computador e que se aprendessem num que fossem usar, era mais fácil», avança Marta Silva, que é complementada por Joana Alves: «Só tínhamos uma hora por semana e se só trabalhassem esse tempo, ao chegarem na semana seguinte, já não se lembravam. Se praticarem em casa o que ensinamos na aula, é mais fácil para eles», conclui.
O retorno das aulas presenciais não tem ainda data definida, mas as inscrições estão disponíveis em todas as Juntas de Freguesia a partir de outubro