O eventual “chumbo” à abertura no próximo ano letivo, na Escola Secundária de Porto de Mós, do curso profissional de Técnico de Desporto, um curso já antigo e que por onde tanta gente já passou, leva-me, para já, a duas reflexões.
Decerto que quem colocou nas mãos das Comunidades Intermunicipais (CIM) a decisão ou parte da decisão sobre a oferta de cursos profissionais nas escolas da área geográfica das mesmas, o terá justificado muito bem com palavras bonitinhas, de preferência aquelas que agora estão na moda, e claro, respeitando todos os termos e preceitos legais. Confesso que não fui à procura, portanto, neste momento, desconheço em concreto as ditas mas assim, à partida, por mais bonitas e acertadas que possam parecer, soa-me um pouco estranho que um organismo regional, exterior ao Ministério da Educação, tenha poder suficiente para decidir algo tão específico como a oferta formativa de um estabelecimento de ensino.
Percebo que seja importante haver uma boa ligação entre a escola, a comunidade, as autarquias e o mundo empresarial e que a escola tenha cursos profissionais de acordo com as necessidades do mercado de trabalho local e regional, mas daí a ser o “poder autárquico regional” a ter a última palavra, já tenho as minhas dúvidas e pelo que se lê em documentação oficial, a decisão até pode ser tripartida mas a visada, para o bem ou para o mal, é sempre a CIM, neste caso, a CIM de Leiria.
Para mim, fazia muito mais sentido que a haver descentralização de competências a este nível, esta ficasse pelos municípios porque são eles, cada um deles, quem melhor conhece o seu território. Sei que é um pensamento contra-corrente mas como já o disse relativamente a outras áreas, julgo que a governação regional nem sempre é o melhor para cada município. Poderá vir a ser, mas ainda não é. Isto na minha opinião, claro.
Este tema leva-me a outra reflexão preocupante. Segundo a ata da última reunião do Conselho Geral do Agrupamento de Escolas de Porto de Mós, os responsáveis autárquicos locais garantiram sempre que o projeto de ampliação da Secundária local tinha sido feito por técnicos experientes e sob as regras da entidade que tutela essa área, no entanto, ao que parece, os professores de Desporto há muito que vêm alertando que o “recinto desportivo” é demasiado exíguo para tanta gente e, pelos vistos, agora a CIM vem dar-lhes razão.
A pergunta que eu faço é, então, mas onde é que andam os técnicos, os genuínos e bons, de preferência? É que já é a segunda obra de avultado investimento que é feita em Porto de Mós em que, aparentemente, algo falhou. Na do Centro de Saúde só a dois dias de estar concluída é que parece que toda a gente percebeu que foi um erro não ter instalado os serviços do Centro em contentores dando alguma paz de espírito, conforto e segurança, ao pessoal médico, de enfermagem, de secretariado e dos restantes serviços ali a funcionar, bem como aos utentes. Agora, no caso da Secundária de Porto de Mós, depois de sucessivos avisos e quando as obras também já estão na reta final, é que parece que também se percebeu que afinal a nova escola é mesmo do século XXI como sempre se anunciou com orgulho mas, infelizmente, ainda fica com um restinho do século XX, o tal que (esperemos que não) ainda poderá impedir a escola de no próximo ano letivo ter um curso profissional prestigiado e com jovens interessados.


