«O regresso à competição não pode ser visto apenas por si só. É importante definir as regras e defendo que os atletas sejam testados [relativamente à COVID-19] até 72 horas antes das provas mas temos de pensar que para estas existirem há toda uma logística que temos de colocar em marcha, desde inscrições, distribuição de dorsais, abastecimentos, banhos e entrega de prémios e nada poderá funcionar como antes», alertou o vice-presidente da Câmara de Porto de Mós, Eduardo Amaral, na sua participação na mesa-redonda promovida pela Federação Portuguesa de Atletismo (FPA).

Antes de se avançar com algo de maior importância como é o caso dos campeonatos nacionais de 35 e 50 quilómetros, o autarca expressou a disponibilidade para colaborar com a FPA em provas que de alguma forma possam servir de ensaio em todas essas áreas para que daí se retirem os devidos ensinamentos.

Eduardo Gonçalves, presidente da Associação de Atletismo de Santarém, uma das mais importantes, não rejeitou à partida o desafio, mas deixou claro que não vai ser fácil. «Está tudo à espera do Governo e da Federação para saber diretrizes. Todos os dias há regras novas e as pessoas não sabem o que fazer, andamos aqui para trás e para a frente neste limbo. Os responsáveis associativos e autárquicos estão com muito medo porque as regras serão muito exigentes», afirmou. No seu entender «a fazer alguma coisa em julho ou agosto terá de ser com os mais velhos mas depois não há staff nem meios para isso», reforçando a ideia defendida por Eduardo Amaral.

Além disso, «nada nos garante que um controlo negativo hoje, não possa ser positivo amanhã. Temos de ir com calma até porque não temos a capacidade que o futebol tem de testar atletas a cada três dias», disse, prometendo que, logo que haja algum documento ou diretriz oficial para análise, irá reunir com os clubes associados e tomar uma decisão.

Paulo Murta considerou ser «muito prematuro estarmos a falar no pós-pandemia porque isto é algo com o qual vamos ter de viver meses ou anos» e que «não devemos fazer as coisas só porque nos apetece ou porque temos atletas de alto rendimento». «Eu vejo já muita gente a fazer exercício na rua mas nós, federados, temos outra responsabilidade, temos de dar o exemplo e enquanto a DGS não disser, não devemos inventar pseudo-inícios», frisou, acrescentando que «enquanto o futebol não começar e se vir que está tudo a correr bem, toda a restante prática desportiva federada está condicionada».

O treinador da olímpica Ana Cabecinha, disse que o sistema de contrarrelógio só será viável para a formação, quanto aos atletas de alto rendimento defende que só devem começar a partir de 1 de dezembro no arranque da nova época. «Até lá para que serve fazer provas? Para 30 atletas, se calhar, vamos precisar de um staff de 30 pessoas, além de todas as outras despesas associadas como os transportes… Os meus atletas de alto rendimento não vão competir», garantiu.

Artur Manuel Domingos afinou pelo mesmo diapasão considerando que «não faz sentido competir até ao inverno e que se existir uma janela de oportunidade para a alta competição, talvez em novembro já se pudesse fazer alguma coisa». Embora defenda que «está instalada a indústria do medo e que há uma grande mentira em tudo isto e que a COVID não é só o vírus simples mas também o vírus da ignorância», o dirigente associativo e treinador lamentou que «não tivessem sido tomadas medidas quando já se sabia que vinham aí problemas». Na sua opinião, «os atletas de alta competição deviam ter sido protegidos e não o foram» e mesmo que se queira voltar à competição «os complexos desportivos estão fechados e não há onde treinar».