Foto: Jéssica Moás de Sá

O Campo Desportivo da Chã, no Alqueidão da Serra, conta desde o passado dia 31 de outubro com mais um equipamento. Trata-se uma pista de pumptrack idealizada por Luís Boal, jovem alqueidoense praticante da modalidade que, acreditando ser possível na sua terra fazer nascer um projeto desta natureza, o candidatou ao primeiro Orçamento Participativo de Porto de Mós, do qual saiu vencedor destacado.

Um ano depois, cumpridos todos os passos e formalismos desta nova ferramenta de que os munícipes dispõem para poder intervir na gestão do seu município, a obra foi inaugurada. Na mesma data foram também postos a funcionar no Parque Almirante Vítor Trigueiros Crespo, dois equipamentos preparados para acolher crianças com mobilidade condicionada, um baloiço e um carrosel com bancos, ambos adaptados a cadeira de rodas. A Câmara aproveitou, ainda, a oportunidade para mudar o piso e fazer a manutenção dos equipamentos já existentes. O parque infantil inclusivo é também ele fruto do Orçamento Participativo 2018 e resulta de uma candidatura apresentada por Ricardo Brígido, pai de Pedro, uma criança com mobilidade condicionada e porta-voz do movimento Porto de Mós sem Barreiras. O projeto Parque Infantil e Castelo Inclusivo foi o segundo classificado mas o executivo camarário, comungando dos seus princípios de inclusão decidiu, mesmo assim, levá-lo a cabo na parte relativa ao parque infantil.

A tarde inaugural arrancou precisamente na vila de Porto de Mós. Na altura, Ricardo Brígido expressou a sua grande satisfação por se estar a inaugurar algo sonhado há quatro anos e citando «a bisavó do Pedro» recordou que «no dia em que deixarmos de ter um sonho por que lutar, a vida será muito mais sombria». Neste caso, e no seu entender, a missão ficou mais facilitada porque «a inclusão não é um chavão político para o município de Porto de Mós, há provas dadas e obra feita, o que prova o seu interesse nesta matéria». Mesmo assim, disse ainda haver «muito a fazer em termos de acessibilidades e eliminação de barreiras arquitetónicas» depositando «a confiança no município que a obra irá continuar».
De acordo com o munícipe, o projeto apesar de não ter sido o primeiro classificado em 2018, «foi claramente um vencedor na medida em que se conseguiu fazer passar a mensagem e envolver muita gente em torno desta causa», agradecendo ao município «o ter percebido a sua importância e o ter levado a cabo para benefícios das crianças do concelho e da região». Agradeceu, ainda, a todos os que votaram e apoiaram na divulgação.

Autarcas, convidados e população em geral dirigiram-se a seguir para o Alqueidão da Serra onde foi descerrada uma placa alusiva à inauguração, tendo na altura, Luís Boal estreado a nova pista em jeito de demonstração. Já na fase das intervenções, Filipe Baptista, o presidente da Junta local, agradeceu a Luís Boal «porque sem a sua ideia», não estariam a inaugurar aquela nova infraestrutura desportiva, e a todos os que trabalharam para a tornar realidade. «Espero agora que tenha utilização por parte dos jovens e menos jovens», disse.

O autarca agradeceu «pelo facto do orçamento participativo ter chegado ao município porque dá voz a pessoas que, provavelmente não teriam outra forma de se fazer ouvir ou, pelo menos, conseguir que determinada obra de que a comunidade precisa, seja construida». «Esta obra vai ao encontro de uma parte do população do Alqueidão mas também do concelho e do distrito» afirmou, acrescentando que «o campo da Chã já começa a ficar dotado com infraestruturas para variadíssimas modalidades e que espera que possa albergar ainda mais».

O presidente da Câmara, Jorge Vala mostrou-se «muito satisfeito por um ano depois, e tal como prometido, se estar a inaugurar a obra vencedora do Orçamento Participativo». O autarca reconheceu que «ainda falta concluir alguns arranjos» mas disse que o essencial está feito, agradecendo também a todos os que ali têm trabalhado e a colaboração da Junta e de Luís Boal.

Para Jorge Vala, «o orçamento participativo é a forma mais direta e simples de se cumprir a democracia ao dar a possibilidade à população de apresentar projetos que considere importantes» e deste ato de cidadania «podem surgir ideias de que o executivo camarário ainda não se lembrou ou que não tenha na lista das suas prioridades mas que, assim, são concretizadas».

Interveio, ainda, Luís Boal enquanto proponente do projeto vencedor em 2018, que frisou que esta obra não foi feita para o beneficiar a si mas sim para estar ao serviço da comunidade do Alqueidão da Serra e, nessa medida, trata-se, então, de uma vitória da freguesia. Já em declarações a O Portomosense, o jovem afirmou que «é sempre gratificante ver os nossos projetos tornarem-se uma realidade» como aconteceu agora e explicou que «o pumptrack é um desporto que está em crescimento pelo mundo fora» e o seu objetivo é que cresça também em Portugal graças a infraestruturas como a agora inaugurada.

Em relação à importância do orçamento participativo, Luís Boal referiu que «hoje em dia somos os donos dos nossos próprios sonhos e esta é uma oportunidade ótima para os concretizar propondo obras e a instalação de equipamentos que doutra forma, se não forem também uma prioridade nunca vão ser realizadas».
No decorrer da mesma cerimónia foram revelados os resultados da votação e conhecido o vencedor do Orçamento Participativo 2019 [ver peça “Ginásio da Secundária vence Orçamento Participativo”].