Coesão. A palavra entrou em grande no discurso dos autarcas portomosenses no último mandato e nunca mais saiu. Mais do que uma palavra, os eleitos do PSD na Câmara dizem querer fazer dela uma prática. Talvez por isso a participação de Porto de Mós na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), a mais importante feira do turismo do país e uma das maiores da Europa tenha decorrido, precisamente, sob a égide da coesão. Foi por acreditar nos méritos daquela que o Município mais uma vez decidiu participar no certame não a título individual mas integrado no espaço da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL) no mega stand do Turismo Centro de Portugal.

No dia da inauguração, em plena feira, o presidente da Câmara, Jorge Vala, à conversa com O Portomosense, assumiu por inteiro essa opção. «A região, enquanto tal, decidiu vir à BTL afirmando-se como um território vasto, composto por 10 concelhos, que queremos que tenha não apenas continuidade geográfica mas, sobretudo, coesão, nomeadamente ao nível do que é o turismo. É pela diversidade e pela riqueza da oferta que queremos afirmar a região e Porto de Mós é uma parte desse todo, contribuindo, por exemplo, com o turismo nas vertentes natureza, histórico e edificado», disse o autarca.

«Lutei muito para que esta presença [da CIMRL] fosse de afirmação do território e é por isso que temos aqui a promoção do Rallye da Região de Leiria e uma mostra gastronómica dos 10 concelhos», afirmou, acrescentando que «Leiria, enquanto capital de distrito e o maior concelho da região, lidera mas há aqui uma tentativa forte de mudarmos o rumo para a afirmação da coesão de todo este território. Trata-se de uma região muito dinâmica, com muita capacidade de oferta, com produtos de atração invulgares mas também uma região que não tem fronteiras nem muros e daí estar ligada também a outras para, em conjunto, se afirmar o turismo da região Centro no contexto nacional», concluiu o também vice-presidente da CIMRL.

E foi também de coesão que nos falou o presidente da CIMRL, Gonçalo Lopes. De acordo com o autarca, «a BTL é uma feira obrigatória na temática do turismo, onde todo o país está representado e Leiria, naturalmente, não podia ficar de fora. Este ano temos uma aposta muito forte na área da gastronomia, no turismo industrial, com o vidro da Marinha Grande, e também nas provas desportivas com o Leiria Capital Europeia do Desporto e com o rallye que vai passar pelos 10 concelhos e que contará com a presença de um antigo campeão mundial da modalidade».

Há, então, aqui «uma promoção conjunta no mercado interno, sobretudo da parte de animação turística, dos eventos desportivos e culturais», diz o também presidente da Câmara de Leiria, explicando que este trabalho mais em equipa é algo que «veio a ser alavancado também com aquilo que foi o combate à pandemia e que fez com que estes concelhos trabalhassem em equipa e cada vez mais unidos». «Agora a ideia é transpor para outras áreas aquilo que tem sido o nosso esforço de trabalho coletivo nos últimos anos, sobretudo na promoção do território na área turística, na promoção económica e na partilha de boas práticas. Estamos muito satisfeitos com aquilo que tem sido o trabalho desenvolvido nesta área nos últimos anos», conclui.

Participantes satisfeitos com regresso da BTL

O balanço da participação da Freguesia de Serro Ventoso na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) «é super positivo», disse ao nosso jornal, o presidente da Junta, Carlos Cordeiro. «Do todo nacional, além de nós, só lá esteve a de São Martinho do Porto, o que é muito significativo mas o importante mesmo foi a promoção da nossa terra e, seguramente, naqueles cinco dias houve milhares de pessoas a ler o nome “Serro Ventoso” e a perguntar, ou a pesquisar na internet, onde fica», realça o autarca.

Figura fundamental nesta ação de promoção da freguesia na mais importante feira de turismo do país, foi a mascote do Festival do Galo, considera Carlos Cordeiro. «O nosso galo teve um impacto enorme, todos queriam tirar fotos, foi um sucesso. Durante o certame distribuiu quase nove quilos de rebuçados e também vales de desconto (de um euro) para o Festival», conta o autarca. «É claro que nem todas as pessoas virão até cá mas, pelo menos, levaram para casa um folheto ficando a saber que aqui há um festival gastronómico dedicado ao galo».
Olhando para esta primeira experiência na BTL, Carlos Cordeiro não tem dúvidas de que «é, sem dúvida, a repetir». «Foi uma ação com grande impacto, boa para a freguesia e para o concelho e julgo que também boa para o próprio Turismo Centro Portugal», conclui.

Quem também faz balanço positivo da passagem pela BTL, dois anos depois da última edição, é Nuno Jorge, o diretor das Grutas de Mira de Aire. O empreendimento turístico é, entre os privados, o mais antigo representante do concelho, e tudo indica que está de “pedra e cal” no evento. «É sempre bom participar até porque, como diz o ditado, “quem não aparece, esquece”. No entanto, e como é óbvio, não nos limitamos a marcar presença, aproveitamos para estabelecer contactos com outros operadores turísticos e cada vez mais com o público em geral», explica o responsável.

Olhando para os cinco dias da feira, Nuno Jorge refere que houve boa afluência tanto de profissionais como de público anónimo, sendo que o último foi aquele em que houve maior número de visitantes. Relativamente a contactos estabelecidos, o responsável explica que houve tempo e espaço para «um contacto ou outro» mas que «os frutos desse trabalho só mais tarde é que serão apurados». «A maioria das agências que trabalham connosco já o fazem há vários anos, portanto, aproveitámos essencialmente para dar continuidade, agora de uma forma presencial, a contactos que já estavam em curso. O público em geral, esse sim, aparece e pede informações sobre a gruta e também acerca da nossa região», explica o responsável.

Postura e opinião idêntica é a de Célia Volante, do Restaurante Dom Abade. «Nós vamos à BTL no sentido de dizer “presente” e de lembrar aos operadores nacionais e internacionais que podem continuar a contar connosco. A BTL é, no fundo, uma montra de contactos onde nos deslocamos uma vez por ano. Quase todos nos conhecem e nós já conhecemos quase todos mas é importante manter esta ligação», refere, reforçando a ideia de que «nesta área não é possível dizer de imediato se o balanço é positivo porque só depois do verão ou mesmo final do ano é que os operadores começam a organizar as rotas do próximo ano, porque as deste já estão feitas». «A BTL é sempre positiva mas os resultados não são conhecidos no imediato. Não basta estabelecer um contacto na feira, há depois todo um trabalho de casa que tem de ser feito e é da conjugação desses vários fatores que surge o resultado final», reforça.

Defensora acérrima de um trabalho em rede, mesmo que informal, Célia Volante explica que quando “vende” a sua casa, seja ao operador turístico, seja ao visitante comum da BTL, o faz sempre a pensar não só «nas múltiplas soluções que o Dom Abade tem para oferecer a diferentes públicos», mas também naquilo o Município possui em termos de Natureza, cultura e turismo e, mais uma vez, foi isso que aconteceu, garante.

Foto | Isidro Bento