Porto de Mós regista quase 15 milhões de euros de danos com a passagem da tempestade Kristin

12 Março 2026

Isidro Bento

A passagem da depressão Kristin pelo concelho de Porto de Mós causou quase 15 milhões de euros de prejuízo, revelou o presidente da Câmara, Jorge Vala, na última reunião pública daquele órgão autárquico. Só o Município tem identificados cerca de 11 milhões de euros em prejuízos (11 347 842,35 euros), em todo o património público e privado, mas a estes há a juntar os valores registados por cada junta de freguesia, associações e demais entidades.

Em termos de freguesias, aquela que reporta o valor mais alto de prejuízos, é a de Porto de Mós, com 57 950 euros. Seguem-se a Calvaria de Cima com 14 000 euros e o Alqueidão da Serra com 10 360 euros. Mira de Aire identificou 6 000 euros de estragos e São Bento 5 000. Serro Ventoso apurou 2 684 euros enquanto que na União de Freguesias de Alvados e Alcaria a passagem do temporal causou prejuízos no valor total de 2 540 euros. A União de Freguesias de Arrimal e Mendiga reportou prejuízos de 1 800 euros.

As associações do concelho identificaram um total de 819 985 euros, realçando o autarca que «mais de metade deste valor é relativo aos estragos causados pela tempestade nas instalações da associação do Chão Pardo que tem, de facto, prejuízos muito grandes». O património cultural regista cerca de 244 800 euros e aqui estão incluídos os estragos causados no Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota, em São Jorge, que perdeu «cerca de 90% das árvores» existentes na zona envolvente ao seu edifício. «Algumas das casas pertencentes ao Município sofreram danos no valor aproximado de 50 000 euros», adiantou ainda. O autarca não revelou, por não ter no momento, os valores das Juntas de Juncal e Pedreiras.

Feitas as contas, o valor de prejuízos apurados no concelho de Porto de Mós e que o Município remeteu para conhecimento da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR Centro) é de 14 103 684,80 euros. «Estamos a falar de um valor muito significativo para um concelho que, ainda assim, foi menos afetado do que outros», realçou o autarca, lembrando, a título de exemplo, que Leiria estima os prejuízos em 700 milhões de euros e Marinha da Grande em 250 milhões, portanto «valores absurdos mas que refletem a violência desta tempestade».

Além de remeter os dados para a CCDR para futuro apoio, o Município ativou os seguros, explicando Jorge Vala que «todo o património identificado está seguro, à exceção das estradas municipais e do Cemitério Novo de Porto de Mós, que foi muito atingido com a queda de todos os cedros». A outra exceção é o Castelo que por ser monumento nacional é património do Estado embora com gestão do Município. De acordo com o responsável autárquico, «há outro património que pertence ao Estado e está na mesma situação». «Os valores mais significativos dizem respeito, sobretudo, à queda de taludes o que obriga à sua reposição através da construção de muros de suporte», disse o autarca, adiantando que «o morro do castelo necessita também de uma intervenção mas ao invés ser construída uma estrutura de suporte tradicional recorrer-se-á a pregagens de madeira para garantir a segurança da encosta». «Só em muros estamos a falar de 3,3 milhões de euros», frisou.

Jorge Vala disse que é necessário aprender com estas lições [dadas pela Natureza] pelo que a Câmara decidiu entregar um gerador a cada junta de freguesia para garantir que cada uma, em caso de necessidade, tenha condições para funcionar «como ponto de encontro» da população e onde esta tenha «apoio, informação e encaminhamento».

Face à promessa do Governo de dotar as juntas com o sistema SIRESP e ligação à Internet, via satélite, Vala disse, ainda, que vai esperar para ver se isso se concretiza e que «se o projeto não avançar» o Município «procurará garantir essas soluções».

Para o autarca, «é fundamental aprender com esta experiência e preparar melhor o futuro, agir em vez de reagir, até porque devido às alterações climáticas fenómenos desta natureza poderão tornar-se mais frequentes».

A terminar, Jorge Vala deixou um “recado” aos autarcas de outras regiões que comparam a depressão Kristin com as tempestades que vieram a seguir: «Não podemos comparar o que não é comparável. A água é extremamente destruidora e os fenómenos associados foram muito violentos, ainda assim as autarquias foram-se preparando para as consequência da muita chuva que aí vinha porque havia alertas nesse sentido. No caso da tempestade Kristin houve alertas para ventos de 120 a 140 km/hora mas na realidade tivemos zonas onde foram registadas rajadas de 210 km/hora. Além disso, não se sabia muito bem por onde iria entrar em Portugal. Só perto da meia noite é que o Comandante Operacional Distrital me ligou a dizer que as últimas informações que dispunha, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, é que entraria pela nossa região, pela zona de costa».

Foto | Rafael Duque

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