«Neste momento temos as nossas captações, a maioria delas, com reservas entre 30 a 40% abaixo em relação ao período homólogo do ano passado», revelou o presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, na reunião de Câmara descentralizada que se realizou em Serro Ventoso. Uma percentagem «muito significativa», considerou o autarca, adiantando que várias «medidas vão ser tomadas» no sentido de tentar reverter esta tendência. Apesar de preocupado, o presidente garantiu que «não está em risco o abastecimento de água» para a população. «Vamos acentuar algumas das medidas que já temos feito em anos anteriores, uma delas é a monitorização que já estamos a fazer e depois tentar sensibilizar as pessoas para o uso consciente da água», salientou Jorge Vala.

A seca, por si só, não é o único problema a combater. «Temos detetado roubos de água através das bocas de incêndio, isto é grave porque em poucas horas, são centenas de milhares de litros de água roubada, o que nos preocupa muito», frisou. Jorge Vala revelou que já «se está a trabalhar no sentido de mudar o tipo de bocal das bocas de incêndio mais antigas» para evitar estes roubos. O «consumo fraudulento» não se fica pelo roubo direto através das bocas de incêndio. «Já iniciámos no mês passado um processo de combate aos prevaricadores que existem, infelizmente, no nosso concelho. Há ligações indevidas, detetámos algumas para rega de pomares e já estão a ser levantados processos», adiantou o presidente.

Entre as medidas que vão ser postas em prática pelo Município está o condicionamento «das regas» dos jardins municipais. «Estamos a adquirir, já o tínhamos feito no ano passado mas vamos reforçar, a aquisição de sensores de rega para que atuem quando necessário», explica Jorge Vala. O autarca admite mesmo «deixar de regar» caso o fornecimento de água para uso doméstico fique em causa, um cenário que de momento não está em cima da mesa. No entanto, Jorge Vala salienta que o consumo terá que mudar na casa de cada munícipe: «Vamos ter que ter uma cultura diferente de utilização de água». Para tentar mudar alguns comportamentos, serão lançadas campanhas com dicas de poupança, entre as quais: «Duches mais rápidos, o fechar a torneira quando não se está a usar a água». Vai ser retomado «o concurso Água e Energia, futuro para Todos desenvolvido no âmbito do Jovem Autarca no ano letivo anterior, vamos premiar [com material didático] cada uma das escolas que consiga poupar água e energia», explicou o autarca.

O presidente deixou ainda um «apelo grande para que as pessoas que têm cisternas não as encham com água da rede». «Vamos tentar garantir o normal abastecimento de água à nossa população, mas os comportamentos têm de mudar, não conseguimos se, por um lado, tivermos parte da população sensibilizada e por outro, tivermos pessoas pouco preocupadas e a usar e abusar da água», sublinha Jorge Vala. «Assim é bastante difícil, mas temos a expectativa que vamos passar esta altura sem causar transtornos no fornecimento de água para uso doméstico. Temos que reiterar esta necessidade urgente das pessoas serem mais acauteladas».

Energia também “obriga” a estratégia de poupança

O aumento de preço da energia obrigou o Município a adotar medidas de poupança, nomeadamente diminuindo as horas em que a iluminação pública está ligada, medida anunciada já há alguns meses. No entanto, a população tem-se queixado, em alguns casos, dos locais e das horas escolhidas para desligar as luminárias. Essas queixas, que já foram trazidas mais vezes à reunião de Câmara, foram mais uma vez abordadas, desta vez pelo presidente da Junta de Freguesia de Mira de Aire, Alcides Oliveira. «Tenho recebido algumas reclamações e já tentei explicar as circunstâncias atuais, mas há pessoas que não compreendem. Agora, com o pôr do sol e o nascer progressivamente a mudarem, penso que temos que pensar em mudar alguns horários», pedia o presidente de Junta.

Antes de entrar nos temas do Período da Ordem do Dia, já o presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, adiantava que trazia «decisões neste campo» mas que «não seriam simpáticas». Entre as decisões está precisamente a de «não alterar esta questão do período de iluminação pública»: «Esta é uma questão que a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria está a ponderar uniformizar em toda a comunidade, depois é ou não aceite por cada Câmara», salientou. «Nós entendemos que há questões que têm de ser salvaguardadas, nomeadamente a segurança, no entanto temos que fazer uma gestão equilibrada entre o custo e a necessidade, direi até obrigatoriedade de continuar a poupar».

«Enquanto não tivermos o concurso terminado para a substituição de toda a rede e percebermos o que isso significa em termos de redução de custos de iluminação pública, terá de ser assim», adiantou ainda Jorge Vala. As luminárias do concelho «vão ser integralmente substituídas» e passarão a ser 100% leds: «Quando passarmos a ter possibilidade de ter algumas com funcionamento automático, com redução de intensidade a partir de determinada hora, aí os horários vão ser normalizados, mas não enquanto tivermos este peso de faturação», acrescenta ainda o presidente. O autarca prevê que o concurso seja lançado em breve e que a instalação «demore cerca de um ano».

Ainda sobre a temática da energia, Jorge Vala adiantou que o Município está a «trabalhar no sentido de criar uma comunidade de energia renovável a partir das piscinas municipais que poderá fornecer energia para outras estruturas do Município». Estão a ser feitas também, com a Agência Regional de Energia da Alta Estremadura, «auditorias energéticas» aos edifícios municipais, entre eles o edifício dos Paços do Concelho, a Biblioteca Municipal e a Casa dos Gorjões. «Vamos desligar as luzes dos monumentos e edifícios a partir da meia-noite, com exceção do Castelo e vamos reforçar uma campanha que já iniciámos, dirigida aos funcionários municipais e às escolas sobre procedimentos de eficiência energética», revelou ainda.

Fotos | Jéssica Moás de Sá e Isidro Bento