O Município de Porto de Mós está totalmente disponível para acolher cidadãos ucranianos que, fugidos da guerra, queiram vir para Portugal. A garantia foi dada pelo presidente da Câmara, Jorge Vala, num encontro com cerca de 30 elementos da comunidade ucraniana residente no concelho realizado no passado dia 28 de fevereiro.

O autarca deixou bem vincado que essa disponibilidade para acolher todos aqueles que para cá queiram vir tem por base não só a questão humanitária mas também o facto de Porto de Mós contar, desde há mais de 20 anos, com uma comunidade que está perfeitamente integrada. «Os ucranianos são um povo de boa memória para os portugueses. Durante mais de uma década ajudaram-nos a construir o país que somos hoje. Alguns dos que estiveram cá, entretanto, regressaram mas fizeram de Portugal um país amigo e agora se quiserem, cá estamos de novo, de braços abertos, para os acolher», frisou, afirmando que o facto de ter sido uma integração bem sucedida ao invés da comunidade se ter fechado sobre ela própria é um excelente sinal. Jorge Vala reconheceu que tanto no concelho como na região há dificuldades em termos de alojamento mas, em contrapartida, «trabalho é o que não falta e os ucranianos já demonstraram que não têm medo de trabalhar», disse numa afirmação que teve a concordância imediata de quem o ouvia.

O presidente de Município realçou o interesse em receber cidadãos que possam vir da Ucrânia ou dos países vizinhos onde se refugiaram mas apelou a que tudo seja feito de forma coordenada: «Peço-vos que não se metam no carro para ir buscar familiares ou amigos porque depois dar resposta a essas situações é sempre mais difícil. Nós estamos a articular esta ação com a Segurança Social de Leiria que, por sua vez, está a interagir diretamente com a Secretaria de Estado das Migrações e este tem de ser o canal», disse.

Jorge Vala pediu aos elementos da comunidade para que vejam entre familiares e amigos quem possa querer vir, de modo a fazer chegar esses nomes à Secretaria de Estado e rapidamente se começar a tratar do processo de acolhimento mas esbarrou com uma dificuldade de peso. Segundo Andriana Bozhesku Lima que mais tarde seria escolhida pelos elementos da comunidade presentes como a representante do grupo junto das entidades oficiais, «vontade há muita mas as pessoas não fazem ideia do que é que irão precisar em termos de documentos e enquanto isso não ficar claro torna-se extremamente difícil dizer que este ou aquele quer vir». A mesma ideia foi reforçada por outros elementos da comunidade o que levou o autarca a garantir que «isso tudo estará a ser equacionado pelas autoridades portuguesas» e que embora não saiba em concreto como é que o processo se vai desenrolar há a convicção de que «o processo burocrático será reduzido ao mínimo», pedindo, por isso, que, para já e o mais rapidamente possível, lhe façam chegar «o nome de eventuais interessados em vir para o concelho».

«Estamos a iniciar o processo de encontrar pessoas que se voluntariem para, num primeiro momento, receberem famílias e sabemos que alguns de vós também estão disponíveis para isso. Isto é para não chegarem cá e termos que as meter num pavilhão, que é uma coisa que eu não queria fazer», afirmou, explicando que esta preocupação é comum aos 10 municípios da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL). No entanto, como não se sabe quantas pessoas virão e se serão todas acolhidas por famílias, «a CIMRL está a estudar uma solução mas apenas de último recurso para receber aqueles que cheguem desamparados e sem terem quem os acolha».

Entretanto, o Município decidiu criar um gabinete de missão, liderado pela vereadora da Educação, Ação Social e Saúde, Telma Cruz, que irá preparar a receção aos refugiados que possam vir para o concelho e ajudar a comunidade ucraniana local. O gabinete é composto por elementos de vários serviços camarários de forma a que todas as necessidades, em termos jurídicos, ação social, educação, saúde mental e inserção profissional sejam prontamente resolvidas e contará ainda com o coordenador da Proteção Civil municipal e, eventualmente, terá um interprete para facilitar a comunicação com os refugiados.

Quem necessitar de apoio ou queira tratar de algo relacionado com esta causa poderá contactar o gabinete pelo e-mail: [email protected] ou contactar a linha gratuita e que funciona 24 horas por dia: 800 210 102 (tecla 3).

Foto | Isidro Bento