Já pensou em fazer um alarme para a sua casa com apenas 20 euros? Se aceder à pagina geekering.com talvez se safe através das “instruções” que por lá encontra. Esta plataforma, criada por três jovens formados na área da Engenharia Eletrotécnica, um dos quais João Louro, portomosense natural de São Bento, pretende levar «a tecnologia e a eletrotécnica a todos». João Louro conta a O Portomosense como tudo começou: «Conhecemo-nos porque tirámos o mesmo curso e tínhamos projetos com os mesmos orientadores e numa conversa entre os três percebemos que era necessária uma plataforma assim, que permitisse disseminar tecnologia de uma forma facilitada». O também professor no Instituto Politécnico de Leiria (IPL), explica ainda o nome da página que é a junção da palavra geek – alguém com especial interesse e especialista na área da tecnologia – com a palavra engineering, que em português significa engenharia.

Se acedermos a esta página, o que podemos encontrar por lá? «Conteúdos sobre como fazer algo tecnológico, para que qualquer pessoa que chegue lá possa fazer, mesmo não tendo conhecimento na área, alguns conteúdos mais explicativos do que é um conceito e entretanto vamos ter cursos, uma componente de ensino que vai ser paga», adianta. Até ao momento esta página funciona totalmente pro bono contando já com 12 contribuintes, algo que não esperavam no início do projeto. Os cursos pagos poderão, no entanto, trazer um retorno financeiro que até aqui não existia. «A evolução irá para esse ponto com toda a certeza, mas porque é que o curso é pago? Para termos alguém para dar um acompanhamento devido a cada pessoa que queira aprender. Se não for pago não é fácil termos uma ou duas pessoas a dar esse acompanhamento. Uma coisa é alguém fazer um projeto pequeno em dois dias, outra é alguém que queira passar a uma cadeira na universidade, onde precisa de um conhecimento de base e de ter um conteúdo mais dedicado», esclarece.

Até ao momento o propósito de «chegar a todos», traçado pelas três mentes do projeto, mais ou menos especialistas nesta área, tem-se cumprido. O retorno que têm recebido dos que acedem a estes conteúdos «tem sido muito positivo»: «Há um mito à volta da tecnologia, da parte da eletrotécnica e até mesmo da informática de que é tudo muito difícil e eu acho que descomplicando as pessoas alteram um pouco essa ideia», frisa João Louro que além de dar aulas no IPL e de ser bombeiro voluntário na corporação de Porto de Mós, trabalha também numa empresa onde faz «testes de software para comboios». «Temos que encontrar falhas para depois não falhar com vidas humanas lá dentro. Antes de lançar um comboio no mercado tem de estar tudo testado ao milímetro», revela. A par disto vai gerindo a Geekering «à distância», uma vez que os seus colegas estão atualmente a viver em Barcelona e na Irlanda.