A eleição realizada a 11 de dezembro último foi bastante renhida, tendo Luís Rodrigues, vencido por uma diferença de apenas sete votos, nada, aliás que preocupe demasiado o jovem natural de Serro Ventoso, habituado que está a atos eleitorais de grande responsabilidade, uns mais difíceis que outros mas “sempre bastante estimulantes”. Este é o seu quinto mandato, facto inédito na história do Conselho Geral, (criado em 2008) já que até hoje nenhum estudante completou mais do que dois mandatos naquele órgão, e também não houve, até agora, qualquer estudante de mestrado a desempenhar o cargo por mais de um mandato.

Em declarações a O Portomosense, Luís Bento Rodrigues afirma que “é grande a alegria desta vitória” porque “representa o reconhecimento do bom trabalho levado a cabo nos últimos dois anos e a qualidade do programa para os próximos dois”, que assenta na “melhoria da investigação, na questão da internacionalização e inclusão na Universidade de Coimbra e na empregabilidade”.

Já em fevereiro o Conselho Geral vai eleger o novo reitor, e o jovem portomosense não tem dúvidas de que a tarefa “é de enorme responsabilidade” porque o reitor é quem define o plano estratégico de médio prazo e plano de ação para o quadriénio do seu mandato, bem como as linhas gerais de orientação da Universidade nos planos científico, pedagógico, de desenvolvimento e de inovação, e naturalmente, o representante dos alunos de doutoramento espera que a pessoa que venha a ocupar o cargo seja sensível e aberto às propostas que apresentou aos seus colegas durante a corrida eleitoral e agora sufragadas.

O Conselho Geral é composto por 35 elementos, 18 em representação dos professores e investigadores, cinco pelos estudantes, dois representantes dos trabalhadores não docentes e não investigadores e 10 personalidades de reconhecido mérito externas à Universidade de Coimbra. No caso dos estudantes, os mandatos são de dois anos.
Entre as suas competências destacam-se a eleição (substituição, suspensão ou destituição) do Reitor; a aprovação dos planos estratégicos de médio prazo e o plano de ação para o quadriénio do mandato do Reitor; a aprovação das linhas gerais de orientação da Universidade no plano do ensino, da investigação, do desenvolvimento e da inovação, bem como nos domínios da gestão de recursos humanos, financeiros e patrimoniais; a aprovação do plano anual de atividades da Universidade e do relatório anual de atividades e as contas anuais consolidadas. Reúne quatro vezes por ano.

A primeira vez que Luís Rodrigues foi eleito para o Conselho Geral foi em 2008. Completou três mandatos seguidos (2008-2014) como representante dos alunos dos 1º e 2º ciclos de estudo e, pelo meio, em 2011 voltou a ser escolhido, neste caso, para o Conselho de Gestão da Universidade de Coimbra (2011 a 2014). Dois anos depois, voltou à luta política, obtendo já como estudante de doutoramento, uma nova presença no mais importante órgão de governo da Universidade, mandato que agora viu renovado.

Luís Bento Rodrigues, 31 anos, é licenciado em Direito e mestre em Ciências Farmacêuticas pela Universidade de Coimbra. Com formação pós-graduada nas áreas do Direito da Farmácia e do Medicamento, propriedade industrial e do empreendedorismo social e de base tecnológica, é técnico superior na Divisão de Inovação e Transferência do Saber, da Universidade de Coimbra onde desempenha funções de apoio jurídico à Divisão e de gestão dum conjunto de projetos de inovação e empreendedorismo. Academicamente é estudante de doutoramento da Universidade de Coimbra em Estudos Contemporâneos.

A par do seu percurso “politico” no seio da Universidade, Luís Bento Rodrigues tem feito também a caminhada política na sociedade civil enquanto elemento da Juventude Social-Democrata (JSD) de Coimbra. A paixão pela política e pela intervenção cívica começou a despontar na Escola Secundária de Porto de Mós, onde cedo deu nas vistas. No ano letivo de 2004/2005 chegou mesmo a ser eleito presidente do Parlamento Nacional de Jovens, uma iniciativa da Assembleia da República.

As obrigações profissionais e académicas obrigam-no a passar parte significativa do seu tempo, em Coimbra, no entanto, mantém ligação estreita a Porto tentando acompanhar a vida do concelho e da freguesia e colaborar com as suas instituições.

Isidro Bento | texto