O Portomosense foi conhecer a opinião de algumas pessoas do concelho de Porto de Mós em relação ao ano de 2020 e sobre o que esperam ser o ano de 2021, assim como os seus desejos e objetivos. Quase todos referiram o impacto que a COVID-19 teve nas suas vidas, destacando a pandemia e as suas consequências como o aspeto mais negativo do ano. No entanto, 2020 não foi igualmente nefasto para todos e trouxe alguns momentos de felicidade no meio de todas as tribulações que causou.

Este ano foi do “piorio”. Com a família está tudo bem, fui avó outra vez. De resto está muito mau. Tenho uma loja e só se ganha para pagar faturas e se comprar mais, estraga-se, se comprar menos, não tenho. Se pagasse renda, já tinha fechado a porta, o nosso ano é para esquecer. Mas se Deus quiser, 2021 há de ser melhor. E se estivermos cá já é muito bom. Temos de ter fé, talvez melhore para toda a gente. O meu espírito é mau, por enquanto, tendo em conta que só vejo gente a morrer com a COVID-19 e ouço o dia inteiro falar da mesma coisa. As notícias na televisão são sobre o mesmo assunto. Para 2021 só peço saúde e que nós cá estejamos, o resto vem por acréscimo.
Fátima Vazão, 61 anos, Pedreiras

O ano de 2020 foi muito mau, na medida em que esta epidemia trouxe muito más recordações, em todos os sentidos. A economia estava a melhorar e agora vai ocasionar muito desemprego e miséria, no entanto há sempre a esperança de que melhore. Se a epidemia for debelada, com certeza vai melhorar, demora uns anos, mas vai ser melhor se as vacinas forem realmente eficazes. Para este ano desejo muita saúde para todos, isso é o principal e que haja uma evolução económica e menos desemprego. O turismo, para mim, é o fator número um do nosso país e a minha ideia é que seja a nossa salvação.
António Fortunato, 77 anos, Porto de Mós

Para mim, a nível profissional, 2020 foi positivo, a nível de sociedade foi negativo. As pessoas não conviveram, não houve eventos. Para além de que estão mais retraídas no que diz respeito aos recursos que perderam. Quanto a este ano, está tudo no segredo dos deuses ou então dos nossos governantes. São eles que nos dizem o que vai acontecer, apesar de não terem tudo controlado. Ser pessimista não nos leva a lado nenhum, e por isso, espero que consigamos ultrapassar esta fase. Muitas pessoas ficaram sem poder de compra, as empresas fecharam porque ficaram sem os seus clientes e sem a capacidade de poder produzir. Esta situação não nos vai trazer benefícios para o futuro, por isso é importante que o vírus abale para que consigamos ter qualidade de vida.
Vítor Lavos, 46 anos, Juncal

Para mim, 2020 não foi muito bom, tive vários problemas de saúde. Vou a casa dos meus filhos, mas com as devidas restrições. Costumo ficar do lado de fora do muro e eles do lado de dentro. Temos contactos telefónicos, mas estar juntos é algo de que estamos privados. Espero que 2021 seja melhor para toda a gente, às vezes até aborrece, é tanta notícia a falar do mesmo. No entanto, segundo consta, não vai ser muito fácil, pelo menos os primeiros seis meses. Vamos ter fé e esperança de que tudo vai melhorar, não sou uma pessoa negativa. Gostava que houvesse saúde e paz no mundo, visto que só vemos guerra. As pessoas sabem que há tanta miséria e desgraça e não pensam nessas coisas.
Edite Silva, 66 anos, Casais de Matos

O ano passado não foi bom. Acabei 2019 com o meu marido a ter um acidente de trabalho, entrámos em 2020 em convalescença. Fiquei dois meses a tomar conta dele, comecei a trabalhar, ficámos em lay-off e agora fui despedida. Foi um ano muito complicado, para além de tudo com a COVID-19. Embora não goste de ter expectativas para não ficar desiludida quando as coisas não acontecem, penso que 2021 vai ser complicado. Até mesmo com a vacina, nós temos de continuar a ter cuidados. No entanto, o espírito é de esperança. Se nós não tivermos esperança, vamos viver para quê? Com que propósito? Temos de manter a fé. Gostava de me manter saudável, como tenho sido, e o meu desejo é arranjar um emprego em breve, porque tendo saúde e emprego, o resto vai fluindo.
Ana Barreto, 49 anos, Porto de Mós

O ano teve momentos altos e baixos. O confinamento, a baixa de trabalho, o medo de lidar com as pessoas, o não poder ter afetos, foram alguns dos maus momentos. O lado positivo foi ter saúde e trabalho, coisa que muita gente não conseguiu. Gostava que, em 2021, o Governo deixasse de ser ladrão e que as pessoas tivessem um meio de subsistência, visto que muitas estão a passar fome e privação. Não ter trabalho e não ter como ganhar dinheiro para comer é a pior parte. Tenho dúvidas de que seja a vacina a fazer um milagre, vão ser as próprias pessoas, com o passar do tempo, a ganhar defesas contra o vírus.
Carla Gonçalves, 48 anos, Mira de Aire

O ano teve coisas positivas: a saúde da minha família e um neto que vai nascer. Estou aposentada, mas reconheço que para quem vive do turismo, da restauração e do comércio, foi um ano mau. Faço parte de um grupo de teatro e estou ligada à paróquia e tivemos de parar a nossa atividade. Tenho saudades de sair, de viajar e de estar à vontade com os filhos e os netos. Daqui a seis meses iremos começar a aliviar, se formos vacinados. Quanto a 2021, tenho esperança e otimismo e os meus maiores desejos são saúde, paz e harmonia familiar. Também gostava de fazer uma viagem, mas não é prioritário.
Filomena Martins, 68 anos, Juncal

O ano 2020 para mim foi muito mau em todos os aspetos, não só pela situação da pandemia mas também tive alguns problemas de saúde com a minha esposa. Não é ser pessimista, mas penso que as coisas em 2021 se vão manter iguais. Entro com um espírito bastante negativo, sem dúvida nenhuma. A pandemia restringiu-nos muito em questões familiares. Apesar de estarem relativamente perto, mas já há quase cinco meses que não vejo nem a minha filha nem as minhas netas e isso vai prolongar-se para este ano, infelizmente. Nem perto conseguimos manter o contacto. Os meus maiores votos para 2021 é que a questão da pandemia se resolva. Teremos de viver um dia de cada vez, na perspetiva de o dia de amanhã ser melhor. Espero que a humanidade consiga superar esta batalha.
Carlos Silva, 62 anos, Pedreiras

Não me posso queixar de como correu 2020. Tive saúde e trabalho, mas com dois filhos a estudar e o marido com empresa em nome individual, foi complicado. Resolvemos fechar algum tempo por precaução. Quanto a este ano, acho que a economia vai ficar igual. Com o aparecimento da vacina pode melhorar, mas vai ser um processo lento. Não sou de bater palmas no fim do ano, porque é apenas uma continuação, e penso que não haverá mudança, nem o Governo consegue fazer diferente. Até as pessoas da classe média estão a sofrer pela falta de emprego, muitas empresas vão fechar e as pessoas estão a recorrer às economias para manter os seus filhos a estudar e a casa com comida. Saúde e trabalho para todos, é o que desejo.
Célia Carreira, 51 anos, Tojal

Não posso dizer que 2020 correu mal. Tive um filho e correu tudo bem, é um bebé da pandemia, como lhe chamam. Tenho uma filha na escola e é um bocadinho assustador tendo em conta o momento em que vivemos, mas até agora, graças a Deus, eu e os meus estamos bem. Espero que este ano seja melhor, que a pandemia abale e que as nossas vidas voltem ao normal. Desejo saúde acima de tudo, para mim e para os meus, se a tivermos o resto conquista-se.
Ariana Quaresma, 37 anos, Mira de Aire

Romeu Ceia | texto e fotos
Cristina Ostafiychuk | texto e fotos
Jéssica Silva | revisão