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Poupar dinheiro e rentabilizar capital, de que forma?

9 Maio 2023
Rita Santos Batista

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Rita Santos Batista

9 Mai, 2023

Numa altura em que os preços das casas, dos créditos, dos carros, da alimentação e da vida em geral sobem a um nível que se torna insustentável, as pessoas precisam de saber que estratégias usar para agir, de forma a poupar dinheiro, fazendo render o que já têm. No entanto, «existe ainda muito desconhecimento financeiro», alertou o trader de bolsa, Frederico Contente, fundador da Steerschool, nas Caldas da Rainha, em declarações a O Portomosense. Frederico Contente dedica-se a operar mercados financeiros e acredita que a «falta de literacia financeira na população» em geral faz com que se tomem «escolhas erradas, por não se saber de outras alternativas, que, estando disponíveis no mercado, não são do conhecimento de todos». Neste sentido, com o objetivo de esclarecer as pessoas, o trader de bolsa deixou duas dicas sobre poupança financeira e melhor gestão de capital.

 

Venda de crédito a outra instituição bancária pode ser rentável

O primeiro esclarecimento apresentado por Frederico Contente está relacionado com os créditos bancários. Nas palavras do operador financeiro, «as pessoas deviam tentar ceder o seu crédito de um banco para outro», no entanto, deixa o alerta: «Isso não é a mesma coisa que renegociar um crédito no mesmo banco, porque neste caso o que a entidade financeira vai fazer é marcar a pessoa no Banco de Portugal como um individuo financeiramente em risco». Por isso, e para que isso não aconteça, aquilo que existe a fazer «é ir a um banco concorrente e vender esse crédito a outra entidade», explica. Para isso, as pessoas podem e devem procurar «empresas especializadas» que as ajudem a avançar com o processo de venda de crédito. O especialista em mercados financeiros, considera, assim, que «toda a gente que tem um empréstimo antigo, ou seja, antes da subida da taxas de juro, devia mudar o seu crédito, não com a sua entidade, mas vendê-la uma entidade terceira, seja pessoalmente, seja através de um intermediário de crédito». Este último é o mais recomendado por Frederico Contente, por considerar que «nesta altura do “campeonato”, mesmo que os intermediários de crédito levem uma pequena percentagem de comissão, eles conseguem fazer coisas fantásticas às pessoas, enquanto que se o mesmo processo for feito sem esse tipo de especialista, «a probabilidade de se fecharem as portas é maior», salienta. Por isso, reforça «vale a pena pedir ajuda a um intermediário de crédito». Na ótica do especialista financeiro, esse deve ser o primeiro passo a dar, por «todas as pessoas que viram a sua renda mensal duplicar». «Todas elas deviam fazer uma reestruturação de crédito, em outra entidade financeira», porque «há muito dinheiro a poupar aí que, neste momento, está a ser recolhido pelos bancos por contratos antigos que eram péssimos, que davam lucro aos bancos porque tinham condições más», sendo que «a taxa de juro era negativa», explica. «Conheço uma pessoa que renegociou, tendo conseguido retirar, comparado com a nova versão, 92 mil euros ao valor do crédito, só em juros, através de uma venda de um crédito a outro banco», exemplificou Frederico Contente.

“Toda a gente devia estar a aproveitar os benefícios” dos Certificados de Aforro

Aproveitar as entidades financeiras que estão a dar alguma rentabilidade, como é o caso do Banco CTT, com os certificados de aforro, é uma boa oportunidade para os clientes para fazer render o seu capital. Esta foi a segunda dica de poupança financeira, apontada pelo especialista de finanças, que acredita na mais-valia deste benefício fiscal, «virtualmente de zero risco», sendo que «os benefícios estão a ser dados por grandes entidades bancárias, cobertas por Fundos de Garantia Soberanos, o que significa que, se o banco for à falência, a União Europeia e o Estado garantem os primeiros 100 mil euros de cada conta daqueles bancos, explica. «Há pelo menos 14 anos que ter o dinheiro no banco valia zero e que não víamos alguma coisa dar tanto dinheiro», apontou Frederico Contente, salientando a importância de colocar o dinheiro que está parado noutras instituições bancárias, sem qualquer benefício para o cliente, em bancos que o valorizam, como é o caso do CTT, «que dá 3,5%», e o banco Santander Totta, que oferece cerca de 3,1%». E porquê agora? O especialista responde: «Porque, neste momento, o Banco Central Europeu decidiu subir as taxas de juro, o que fez com que o dinheiro passasse a valer mais», ou seja, o mesmo motivo pelo qual «eles estão a cobrar um preço mais elevado é o mesmo motivo pelo qual eles oferecem um valor mais alto», esclarece. E, por isso, o especialista avança, «os bancos já perceberam que para que os clientes não fujam, é preciso dar mais ao cliente final para deixar o seu capital no banco». Para o operador financeiro, «o Banco CTT é o que está a oferecer o melhor produto, sem risco, mas existem outros que também já o estão a fazer, por isso deixa a sugestão: «Toda a gente que tem 10, cinco ou até mil euros parados devia ir à procura de um banco e de um sítio onde conseguisse rentabilizar o máximo possível, sem risco». «Eu não esperaria um minuto», reforça.

Frederico Contente acredita que «as taxas de juro vão continuar a subir, «mesmo não sendo a uma proporção tão elevada como agora». No entanto, deixa o alerta: «Elas estão para ficar». Por isso, em resumo, o especialista reitera, as duas linhas de atuação, que devem ser tidas em conta. «Primeiro, vender os seus créditos e tentar renegociar a melhores condições aos dias de hoje, segundo, aproveitar as entidades financeiras que dão alguma rentabilidade, por mais pequena que seja a sua poupança».

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