Desde 29 de junho, dia de São Pedro, que Porto de Mós tem oficialmente uma praça em homenagem a todos os que, durante este mais de um ano de pandemia, nunca pararam de trabalhar para fornecer à população os bens/serviços essenciais. A praça que agora podemos encontrar no Parque Almirante Vítor Trigueiros Crespo, no centro da vila, em calçada portuguesa, terá uma réplica em Lisboa exatamente com o mesmo objetivo.

«Não podemos ter memória curta, não podemos esquecer tudo o que passámos e o que temos sofrido, o que temos lutado para que tudo fique bem», começou por frisar o presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, na cerimónia inaugural salientando que é obrigatório «agradecer a todos que representam as mais nobres e importantes profissões, com rosto, com nome, e agora na memória que eterniza os heróis». Esta iniciativa partiu da Associação da Calçada Portuguesa (ACP), «há um ano» e «em boa hora», afirmou o autarca, explicando que estas duas praças, uma em Porto de Mós e outra em Lisboa, surgem através de «um concurso em colaboração com a Escola Superior de Belas Artes». Além de eternizar o esforço de vários profissionais, estas praças «eternizam esta arte, o saber fazer a calçada portuguesa», onde o concelho teve e tem um papel preponderante: «De Porto de Mós sai grande parte da matéria-prima para as calçadas que vemos espalhadas pelo país». Jorge Vala frisou ainda que também do concelho foi o calceteiro responsável pela obra, Adérito Matos.

O autor do projeto, Paulo Carmo, embora queira deixar «as interpretações em aberto» em relação à obra, revelou os seus pressupostos para chegar ao resultado final. «Nesta composição estão três elementos essenciais. Um dos elementos é a curva da COVID-19 que, há um ano, todos nos diziam que começava num ponto, crescia, mantinha-se e de alguma forma iria decrescer e desaparecer. Está também representada a distância social entre os elementos e as profissões. Por último está representado uma possível máscara que utilizamos todos os dias e da qual nos queremos ver livres», explica. Paulo Carmo destacou ainda que «mais do que representar as pessoas que nos estão a auxiliar o combate, é necessário que elas se identifiquem com a obra».

A arte como forma de homenagem

O secretário-geral da ACP, António Prôa, afirmou que a calçada portuguesa é uma parte «importante da identidade e da cultura portuguesa» e sendo «uma tradicional forma de arte é muito adequada para quando queremos reconhecer os portugueses». «Aqui em Porto de Mós não havia forma mais adequada, a calçada portuguesa que se espalhou rapidamente pelo país e pelo mundo, nasceu aqui nas serras, é daqui extraída, é daqui que provém grande parte da pedra utilizada na calçada portuguesa», finalizou.

Também o presidente da ASSIMAGRA, Miguel Goulão, frisou que «esta justa homenagem, num dia com tanto simbolismo para Porto de Mós, é muito adequada e uma obra de identidade». O responsável, dirigindo-se a Jorge Vala, agradeceu por esta obra, que permite lembrar a «importância que Porto de Mós tem e que está tão esquecida como, por exemplo, aquilo que é extraído no concelho e que está não só na cidade de Lisboa, mas um pouco por todo o mundo». «As coisas às vezes parecem fáceis porque acontecem, mas só acontecem quando alguém acredita nelas», salientou.

Miguel Goulão terminou dizendo que, nesta praça, «a calçada também presta uma homenagem, tem uma linguagem, tem comunicação, o que permite demonstrar que os materiais também podem ter esse papel».

A diretora do Centro Distrital de Segurança Social de Leiria, Elisabete Moita, começou por destacar que «Porto de Mós traduz ao longo da sua história uma cultura de combate, uma cultura de luta, de resiliência, mas também de criatividade, arte, beleza e inovação valorizando sempre o seu património ambiental, cultural, gastronómico, económico e sobretudo valorizando as pessoas».

Falando em pessoas, a responsável faz um paralelo entre as que «outrora fizeram nascer e crescer populações, que transformam a imagem do concelho e que contribuem para o desenvolvimento da região», onde incluiu entre outras, as «que fazem extração e transformação da pedra, produzem e aplicam a calçada portuguesa», com todos os «homens e mulheres» que neste ano «têm enfrentado os desafios não menos importantes provocados pela pandemia da COVID-19».

«Tem sido devastador para o mundo em geral e também para Portugal», afirmou Elisabete Moita, explicando que foi «neste cenário difícil que se assistiu ao surgimento de muitos heróis e heroínas sem capas para voar, mas possuídos de uma coragem inigualável, de um espírito genuinamente missivo para cuidar dos outros, de uma generosidade extrema capaz de dedicarem a sua vida à proteção dos demais». Referindo-se ainda a estas pessoas, a diretora da Segurança Social frisou que «estiveram por todo o lado» em vários setores da sociedade. As várias entidades e serviços homenageados [ver lista abaixo], receberam ainda uma lembrança por parte do Município.

Entidades e serviços homenageados

– Classe médica
– Enfermeiros e similares
– Supermercados e similares
– Frutarias e similares
– Padarias e similares
– Farmácias
– Proteção civil
-Párocos e similares
– Bombeiros voluntários – Porto de Mós, Juncal e Mira de Aire
– GNR
– Grupo Proteção e Socorro
– Lares e Serviços de Apoio domiciliário
– Serviço de voluntariado
– Unidades de cuidados continuados
– Juntas de freguesias
– Construção civil
– Grupos socio-caritativos e Conferências de São Vicente de Paulo
– Mecânicos, oficinas e similares
– Serviço de apoio bancário e financeiro
– Agências funerárias
– Associação Serviço e Socorro Voluntário de São Jorge
– Serviços de recolha de lixo e similares
– Empresas e indústrias
– Gasolineiras e serviços de gás
– Serviço de correio postal
– Serviços municipais
– Serviços veterinários
– Serviços de Educação
– Serviços descentralizados do Estado