Chegaram, sobretudo, da região mas também de outros pontos do país para evocar um dos aspetos menos conhecidos da Batalha de Aljubarrota, a preparação para o embate entre portugueses e castelhanos. Nos dias 19 e 20 de junho, cerca de 40 atores, músicos e figurantes, juntaram-se numa grande produção teatral para dar voz e vida aos protagonistas, conhecidos e anónimos, bem como, aos pequenos e grandes episódios dos dias que antecederam a Batalha Real.

O campo onde se travou a batalha decisiva para a independência de Portugal foi o palco escolhido para apresentação deste espetáculo produzido pelo grupo de teatro “O Nariz”, de Leiria, com texto do dramaturgo Luís Mourão, encenação de Pedro Oliveira e fotografia de Paulo Simões. As cenas, essas, remetem para outro espaço, neste caso, a vila de Porto de Mós, onde a 11 de agosto de 1385, chegou o exército real de Portugal.

Aljubarrota 1385 procura, assim, «reinventar a preparação cuidada do confronto que se avizinhava e de todos os movimentos fundamentais ao longo dos dois dias que antecedem a batalha, com base nas informações factuais mais credíveis de que dispomos hoje», explica “O Nariz”. «É a inteligência, a coragem e a abnegação a um propósito maior do que a vida demonstrada nos mais pequenos atos por D. João I, pelo Condestável e seus companheiros que Aljubarrota 1385 procura valorizar. Uma coragem física e moral e uma entrega que se estende a muitos outros cujo papel determinante na vitória das forças reunidas sob o estandarte do Rei é frequentemente esquecido ou memorizado: o povo de Porto de Mós ou o dos Coutos de Alcobaça, o seu Abade e uma pequena multidão de homens e mulheres que teceram ali um futuro todo novo para Portugal», reforça.

É, então, «sobre a cadeia destes pequenos eventos, mais ou menos ignorados, vista de ambos os lados da barricada que o espetáculo se constrói. O momento da batalha desempenha aqui um papel menor, e a celebração da força bruta nenhum, dela sabemos, ou julgamos saber, já muita coisa. O que a nós nos interessa em Aljubarrota 1385 é exatamente aquilo sobre o qual, como coletivo, menos sabemos», sublinha o grupo responsável por esta produção muito aplaudida pelo público, que conta também com a participação de atores do “Trupêgo” (Porto de Mós) e do “Alguidar” (São Mamede, Batalha).

A primeira apresentação teve lugar a 12 e 13 de junho. Seguiu-se uma passagem por São Jorge, na Batalha, no passado fim de semana, dia 26 e 27 de junho. O “palco” escolhido para o espetáculo teatral foi o Largo Infante D. Henrique, junto ao Mosteiro.

Aljubarrota 1385 é um dos espetáculos integrados na Rede Cultural Aljubarrota 1385, um projeto que junta os municípios de Porto de Mós, Batalha e Alcobaça (e outras entidades como a Fundação Batalha de Aljubarrota), na promoção de eventos relacionados com a Batalha Real. Depois de anos a fio a evocar cada um para seu lado o momento histórico que une os três municípios, Porto de Mós, Batalha e Alcobaça decidiram dar as mãos e apostar num conjunto de iniciativas de natureza cultural e consolidar o produto patrimonial e turístico em torno da Batalha de Aljubarrota. O projeto que representa um investimento de 300 mil euros apoiado pelo Programa Operacional Regional do Centro (no primeiro ano a 100%, e no segundo a 95%), tem uma duração prevista de dois anos.