Depois do treinador Pedro Solá ter anunciado através das redes sociais que ia deixar o comando técnico da Associação Desportiva Portomosense (ADP), o presidente do clube, Nuno Moreira da Silva, mostrou-se algo dececionado pela forma como o técnico saiu. «Ele saiu porque achou que o projeto aqui teria acabado, não consigo deixar de dizer que acho que não saiu da melhor forma, não é pelas redes sociais que uma pessoa anuncia a saída de um clube passados três anos e meio», considera o dirigente. Nuno Moreira da Silva diz que Pedro Solá «ainda não tinha falado com a direção do clube quando se despediu no Facebook»: «Acho que não foi elegante para com a direção», considera ainda. Apesar disso, o presidente desejou «as melhores felicidades» ao técnico «que já abraçou outro projeto» – Pedro Solá já foi confirmado como treinador do Pombal, na próxima época –, reconhecendo o trabalho que fez ao longo das últimas épocas. «Ele trouxe estabilidade ao clube, agradecemos isso e agora vamos para a frente, que ele faça o seu percurso que nós iremos fazer o nosso, que, espero eu, seja melhor do que fizemos com ele, temos essa ambição sempre», refere.

Quanto ao futuro treinador, Nuno Moreira da Silva explica que já «existem três nomes no radar» mas o clube continua «a avaliar». «Achamos que qualquer um deles terá condições para assumir a equipa sénior, não falámos ainda com todos, por isso, não vou nomear», salienta. O dirigente adiantou ainda que o perfil que procuram é semelhante ao que têm tido até então: «Queremos manter o mesmo tipo de postura».

Direção quer investir menos

Depois do clube ter conquistado a “dobradinha” (com a vitória da Taça do Distrito e da Supertaça), para Nuno Moreira da Silva é tempo «de dar um passo atrás» em termos de investimento. «Às vezes, nos projetos, para que se consiga evoluir de forma consistente, é preciso dar um passo atrás e esta direção ponderou e vai ter uma visão diferente nomeadamente em termos de equipa sénior, a equipa não será tão cara na próxima época, não temos essa hipótese», avançou o presidente. O clube tinha «uma parceria» que funcionava quase de forma autónoma do clube para a equipa sénior, nomeadamente na constituição e na remodelação do plantel, e que agora vai terminar: «Ensaiámos essa situação durante três anos, este ano correu mal, a direção vai assumir responsabilidades que não tinha de início, vamos tentar ter uma equipa semelhante e vamos tentar que os custos sejam substancialmente menores», revelou.

O dirigente salientou ainda que, na sua opinião, é preferível para o clube vencer duas taças, como aconteceu nesta época, do que vencer o campeonato. «Penso que o clube não tem atualmente estrutura para disputar um campeonato nacional, seria demasiado desgastante, talvez apontemos isso para depois do cinquentenário do clube [daqui a dois anos], talvez nessa altura já se esteja em condições de fazer uma aposta desse tipo, com esta direção ou com outra», afirma Nuno Moreira do Silva. O presidente acredita que também nesse momento se possam unir esforços para voltar a erguer o clube e unir as pessoas em torno dos projetos: «Que se consiga trazer outras forças vivas, algumas adormecidas e outras mesmo mortas do concelho para ajudar o clube». Para comemorar os 50 anos, o dirigente considera «crucial que se aposte num novo relvado sintético»: «Que se aposte nas novas instalações prometidas, que não são para nós, é uma aposta do Município de Porto de Mós para o concelho», referiu.

Com Jéssica Silva
Foto | Isidro Bento