Pedro Santiago
Quando a CINCUP adquiriu o jornal O Portomosense, este tinha uma grande importância, porque era a única via para a informação da comunidade do concelho, residente e emigrante. Além disso, e a meu ver, importância acrescida na perpetuação em “depósito escrito”, para a história dos acontecimentos da mesma comunidade. Aconteceu que na altura o Sr. João Matias, fundador e principal dinamizador do jornal, queria deixar o jornal por razões de idade e cansaço, e punha a hipótese de fechar o jornal, vendê-lo ou qualquer outra hipótese, porém queria sempre que o jornal, a continuar, mantivesse os princípios jornalísticos e interesses concelhios que o
levou a fundá-lo. Com humildade quero dizer que acho que contribui um pouco para que o jornal não tenha morrido ou ido parar à posse de alguém que não defendesse a liberdade jornalística e os interesses informativos, uma vez que integrei o grupo de
representantes da CINCUP que reuniram diversas vezes com o Sr. João Matias e asseguraram a continuidade do jornal .
Houve da parte do Sr João Matias um depositar de confiança nessas pessoas e em mim próprio que a meu ver, até hoje, a CINCUP e os Diretores do jornal e jornalistas não defraudaram.
Concluindo direi que muito embora nunca tenha tido uma responsabilidade direta na redação do jornal, tenho vindo ao longo destes anos, tanto nas Assembleias Gerais da CINCUP, como em reuniões informais com todas as direções, e até com os diretores que têm passado pela direção do jornal, a defender a continuidade e importância do mesmo para o concelho, e principalmente pedindo continuadamente independência face aos interesses políticos e sociais locais que por vezes, pressionam a redação. Espero e desejo que O Portomosense continue para sempre, pois a informação da comunidade, por jornalistas independentes, é e será relevante e importante, mesmo que um dia só chegue às pessoas através das redes sociais. Parabéns ao jornal.
José Augusto Rosa
1992-1995
Fundado pelo senhor João Matias há mais de três décadas, foi também diretor, jornalista e relator durante muitos anos até onde a saúde o permitiu e já com uma idade muito avançada.
O nosso jornal foi e é uma referência de informação jornalística no concelho e além-fronteiras através dos nossos emigrantes espalhados pelos quatro cantos do mundo.
Durante muitos anos era editado manualmente e depois transcrito para ser impresso na tipografia, agora estamos na era digital tudo é diferente. No final da década de 80 e início dos anos 90, nós, colaboradores e diretores, não tivemos uma tarefa fácil, a trabalhar em instalações provisórias em comum com a rádio D. Fuas. Depois conseguiu-se um espaço nosso com condições mais dignas para quem dava as suas horas de trabalho para esta causa. Quem se lembra, sabe que não havia ajudas nem subsídios pois éramos um pequeno jornal de província e muitas vezes criticado por pessoas que nunca colaboram em nada.
Tínhamos o problema de mobilidade para reportagens e deslocações e à quinta-feira até ao final da tarde tinha de ser entregue o material para a publicação na tipografia em Mira de Aire. Tivemos de resolver e tomar decisões sem dinheiro. Não estava a ser fácil adquirir uma viatura!
A primeira e a segunda, usadas num intervalo de três a quatro anos, foram adquiridas em troca de publicidade por uma empresa do concelho. Mais tarde já adquirimos uma viatura comercial nova em leasing. Tudo isto para dizer que me orgulho de ter colaborado com O Portomosense.
Na época nada era fácil, mesmo tendo alguns colaboradores a trabalhar por amor à camisola, tanto no jornal como na rádio.
Nos últimos anos não tenho acompanhado tão próximo a evolução e desenvolvimento tanto do jornal como da rádio, no entanto tenho-me apercebido que há boas surpresas tanto no conteúdo como nos colaboradores e jornalistas jovens, que é um sinal de franco progresso.
Bem haja a todos.
José Gomes Afonso
1995-2000
Entre os anos 1986 e 1993, exerci o cargo de Presidente da Câmara Municipal. Em consequência e como é compreensível acompanhei de perto a atividade da CINCUP, tanto na Rádio D. Fuas, mas com maior proximidade o Jornal O Portomosense através do seu diretor e fundador, o saudoso Sr João Matias, uma vez que era este meio de comunicação que levava as notícias sobre o nosso concelho aos portomosenses e aos emigrantes, sempre ávidos por saber do progresso da sua terra, que os viu nascer e crescer.
E foi perante esta forte ligação à CINCUP, que em 1995 fui abordado para assumir a presidência da direção, que com agrado aceitei, onde me mantive até ao ano 2000. Foram anos de luta de toda a direção, para manter e desenvolver esta cooperativa, onde as dificuldades económicas e financeiras eram significativas. Não me esqueço que o jornal era impresso numa gráfica do concelho, com qualidade, diga-se, mas cujo custo era o dobro das receitas publicitárias, sendo gratuito o trabalho dos repórteres e demais colaboradores do jornal. Houve necessidade de tomar medidas, mudando para outra gráfica, com equipamentos mais evoluídos e atualizados, passando a edição a ser compatível com as receitas da publicidade, sublinhe-se no entanto, que a qualidade do papel passou a ser inferior, mas aceitável.
Relativamente à Rádio D. Fuas, também tivemos dificuldades, na medida em que os equipamentos de emissão e difusão começavam a estar obsoletos, face ao avanço tecnológico já na forma digital, e só possível de assegurar através de muitos colaboradores e colaboradoras, voluntários, que garantiam a emissão com o lema de que “ninguém pode voltar para trás, mas todos podem seguir em frente”.
Luís Almeida
2001-2002
No âmbito do serviço por carolice ou voluntariado que sempre gostei de praticar, fui presidente da direção da CINCUP por uma necessidade pontual. Já há algum tempo que colaborava como presidente do conselho fiscal, e tendo ocorrido a demissão do presidente da direção, os elementos restantes tiveram de escolher alguém para desempenhar essa função. Foi então que assumi o cargo, numa altura conturbada para a instituição, tanto no aspeto de pessoal como nas condições económico-financeiras. Procedeu-se a diversas alterações tanto na área do equipamento da rádio, com a aquisição de novos equipamentos, passando a usufruir de meios técnicos mais atualizados e que melhor serviam a emissão radiofónica, tais como a pré gravação dos programas e o sistema automático de emissão, como também na estrutura do pessoal, com a contratação de um técnico para a rádio, que levou a uma nova grelha da programação, bem como novos programas e novos conteúdos. No jornal criámos mais um posto de trabalho para melhor se fazer a cobertura jornalística do concelho. Com a perda dos comerciais, optámos por uma parceria com uma empresa especializada em publicidade, que nos garantia um determinado nível de faturação. No entanto tal objetivo não foi alcançado, o que levou a criar algumas dificuldades financeiras para cumprir atempadamente os compromissos assumidos. Também as sinergias que tentámos aproveitar e implementar com as contratações, entre rádio e jornal e vice-versa, acabaram por não surtir os efeitos que tínhamos idealizado, e assim o trabalho inicial foi-se desvanecendo.
A pouca disponibilidade temporal dos elementos da direção, para melhor servir os interesses da instituição, levou a que não se avançasse com novas iniciativas, preferindo gerir os recursos existentes, tanto no jornal como na rádio. Também faziam parte desta direção João Neto, António Almeida, José Carlos Bértolo e Jorge Manuel da Costa.
Ana Narciso
2002-2003
Aproveito esta oportunidade para agradecer a todos os que antes e depois de mim, dedicaram, generosamente, tempo e esforço ao serviço da CINCUP. Não tenho qualquer dúvida que todos os presidentes e membros das direções que os/as acompanharam deram, em cada momento, o seu melhor, para que o jornal “O Portomosense” e a Rádio D. Fuas continuassem a emitir e a difundir o que de melhor se faz no concelho. Ainda hoje. Assim chegámos a esta bonita data e a este número de edição; um marco na história recente do concelho.
Foram várias as razões que me levaram à presidência da CINCUP – de longe o mandato mais polémico e mais participado (três Assembleias Gerais) de toda história da Cooperativa. Apenas destaco uma: contribuir para aumentar a qualidade do que se diz e escreve no Jornal e na Rádio. Olhando para trás, e com a distância que só o tempo permite, destaco: a mobilização de portomosenses à volta do seu Jornal; as contas quase saldadas (obrigada Alcina!); a “casa” arrumada… só podia crescer. E cresceu.
Há, contudo, outros desafios à espreita : ambiente – o Jornal ainda é embrulhado em plástico -; política – abrir espaços de discussão de política concelhia, nacional e internacional – dado que a “Burra Miquelina” é a única voz do concelho a fazê-lo. Sem contraditório e sem concorrência, não pode ser exemplo a seguir.
A finalizar: parabéns a nós, a vós e sobretudo à equipa que coloca o Jornal nas bancas de 15 em 15 dias. Incansavelmente.
Luís Almeida
2003-2005

Nesta edição é inevitável falarmos do fundador do jornal, João Matias. Já foi realçada várias vezes a sua dedicação a este “filho”. Parece-me também importante falar sobre a estrutura que tem mantido o jornal. Na verdade, creio que o jornal não teria sobrevivido, se não tivesse por trás a estrutura que tem, a CINCUP. Para falar da CINCUP, tenho de falar da rádio, que está na sua origem. Tudo começou quando eu e o Jorge Vala, à saída de uma reunião da ADP, onde éramos diretores, falávamos da necessidade de uma rádio local. Daí à convocação de uma reunião na cave da casa do Jorge, foi um instante. Das rádios existentes no concelho, só uma aderiu ao nosso projeto, a das Pedreiras, e foi decidido que a futura rádio se chamaria D. Fuas. O Governo estava a regulamentar as rádios locais e como só havia uma frequência disponível no concelho, tivemos de “muscular” a candidatura. Nada melhor que criar um projeto mais amplo. Surgiu a ideia de agregar um jornal. Contactámos João Matias para que se juntasse a nós. Face à sua avançada idade e ao reduzido corpo redatorial, acedeu de imediato e ofereceu o jornal. Assim nasceu a CINCUP. Mas não foi fácil. Para o ilustrar, vou confidenciar um episódio que me causou grandes problemas. Para instalar a rádio foi necessário dinheiro, e só a Caixa Agrícola de Porto de Mós, sempre a apoiar as instituições, acedeu emprestar 5000 contos, mas… como a CINCUP estava criada há pouco tempo, só emprestaria a quem pudesse garantir o respetivo retorno. Como a minha casa não estava onerada com hipoteca, fui o escolhido, só assim poderiam fazer o empréstimo. No dia da escritura, sem a menor explicação à minha esposa disse-lhe que tínhamos de ir ao cartório. Quando percebeu que a garantia era a nossa casa, foi o bom e o bonito, mas tudo se esclareceu. Este foi um dos episódios caricatos por que passei durante os cerca de 15 anos que graciosamente prestei a esta instituição. O jornal comemora a sua edição 900 face à grande estrutura que o suporta e mantém. Espero que continue e que possamos comemorar a edição 1000 com a pompa e circunstância que merece.

Eduardo Amaral
2005-2013
É com muito orgulho que registo a minha passagem e dedicação voluntária à Cincup, como presidente da direção e de uma equipa de excelência, decorria o ano de 2005 e durante seis anos.
À época a conjuntura não era favorável: sem instalações e equipamentos condignos, com uma equipa reduzida, baixas receitas, um número reduzido de assinantes, dívidas e o alheamento e distanciamento da comunidade, deparámo-nos com um cenário mais difícil do que seria expectável. Felizmente, graças à grande teimosia, vontade e perseverança, de alguns, ainda que poucos, portomosenses, a Cincup seria reerguida. Partimos, assim, em busca de novas dinâmicas, alternativas de financiamento, inovação e criatividade empresarial.
Hoje recordo com orgulho a superação destas dificuldades e vejo uma equipa de trabalho jovem e com vontade de renascer.
É imprescindível que não valorizemos o nosso jornal apenas no dia em que possamos sentir o vazio criado pelo seu possível desaparecimento. O jornal O Portomosense desempenha um papel fundamental na nossa comunidade. É o único que perpetua a nossa história, através da sua informação de proximidade e de ligação com os nossos emigrantes, promovendo um relevante sentido de comunidade, pertença e auto-estima.
Hoje os desafios continuam e O Portomosense terá sempre que saber opinar, explicar e dar informação, criando uma rede de concelho, sempre de forma isenta. Para isso, é fundamental o apoio, o carinho e o reconhecimento da nossa comunidade, que deverá encontrar n’O Portomosense um parceiro sempre aberto à participação cívica.
Muitos e longos anos de vida ao jornal O Portomosense, que será sempre um reflexo da dinâmica da nossa comunidade.
Bem hajam a todos os que dedicam um pouco das suas vidas às causas públicas.
Paulo Jerónimo
2014-2015
O jornal O Portomosense é um pilar fundamental no concelho de Porto de Mós.
Desempenha um papel importantíssimo, unindo laços e fortificando a coesão entre os vários pontos, lugares e gentes da nossa terra.
Tem honrado a sua função e tem sabido acompanhar a evolução dos tempos ao longo dos seus mais de 30 anos de existência. Como órgão de comunicação por excelência cumpre o seu papel com muito bom desempenho desde a sua criação, mantendo os seus princípios basilares: servir e informar os portomosenses.
Alegro-me e parabenizo toda a equipa de O Portomosense por esta sua longa jornada que se assinala nesta edição com o número 900. É obra!
Recordo-me que há 100 edições atrás, pela número 800, eu presidia a direção da CINCUP, proprietária do jornal, e pedem-me que fale um pouco desses tempos.
O que motivou, a mim e a minha equipa, a abraçar o desafio foi precisamente isso, a CINCUP ser a responsável e o garante pelos dois órgãos de comunicação social de Porto de Mós, o jornal O Portomosense, e a Rádio Dom Fuas. Os tempos eram árduos, o país vivia o período da troika, e o jornal e a rádio sofriam as consequências dessa crise, como de resto a maioria das empresas e do país. Foi por isso uma missão árdua mas um desafio motivante. A equipa de colaboradores era muito curta mas, com o esforço de todos, “deu-se conta do recado”.
A rádio e o jornal cumpriram sempre bem o seu papel ininterruptamente, e hoje, mérito de muita gente que se dedicou a ele desde 1986, o nosso jornal assinala a edição 900.
Bem-hajam todos!
Pedro Vazão
2015- PRESENTE
O Portomosense chega à edição 900. Este é um trabalho iniciado há 36 anos pelo saudoso João Matias, que mais tarde iria ceder o jornal aquando da fundação da Cincup e junção à Radio Dom Fuas. Estive desde o início na rádio e o jornal foi um elemento novo, ao qual me fui ligando de forma tímida, pois a locução era o que preenchia um jovem que desde muito novo tinha o sonho da rádio. Os anos foram passando e o jornal foi crescendo e obrigou a novos desafios, com o aparecimento das novas tecnologias. Participei ativamente na angariação de publicidade, contribuindo para o engrandecimento do projeto. Há cerca de 14 anos juntamente com um grupo de amigos cooperantes decidimos avançar para a direção da Cincup, num projeto aglutinador de sinergias entre o jornal e a Rádio Dom Fuas. Lembro-me que a criação da redação única foi um dos primeiro passos que tomámos, a aquisição em 2009 de uma sede própria com uma redação e estúdios de rádio modernos e funcionais, foi o passo seguinte. De seguida, o jornal passou a ser impresso todo a cores, aumentando o número de páginas e criando um espaço definitivo de paginação, que veio a provar-se ter sido uma decisão arrojada mas certa, pois os suplementos, os especiais, as entrevistas, os artigos de opinião, as notícias e a publicidade foram tendo mais espaço e melhor qualidade gráfica. Já neste ano, criámos um site moderno com um conjunto de ferramentas para chegarmos de forma digital ao leitor.
Chegados às 900 edições, quero agradecer em nome da atual direção aos profissionais e colaboradores desta casa, aos cooperantes, aos antigos diretores e, em especial, aos nossos leitores e assinantes espalhados pelos quatro cantos do mundo.
Por fim, uma palavra de apreço aos colegas que durante estes últimos anos me têm acompanhado na direção do jornal O Portomosense e da Rádio Dom Fuas, deixando aqui a promessa de que tudo iremos fazer para manter este modelo de gestão, de forma a que O Portomosense continue a ser “o jornal da nossa terra”.