Para a Saúde, no concelho de Porto de Mós, «o que se vislumbra não é uma situação muito simples» e é «um problema que se vai acentuar nos próximos tempos». Esta é a convicção do presidente da Câmara, Jorge Vala, expressa na última sessão da Assembleia Municipal. O autarca afirma que este «é um problema que nunca se resolveu verdadeiramente» e que, «com a insuficiência de profissionais, sobretudo de médicos», o concelho vai continuar a ter «bons edifícios, outro tipo de oferta, mas infelizmente naquilo que é mais importante, os recursos humanos, vai continuar a ter muitas dificuldades». Depois das intervenções de vários deputados de todos os grupos municipais sobre a temática, Jorge Vala reforçou ainda que este é um problema «transversal ao país, nuns sítios melhor, noutros pior», mas que «o nosso [concelho] está pior do que os sítios piores».

Resumindo o estado da Saúde no concelho, lembrou que a delegada de saúde continua de baixa, que há vários clínicos de baixa prolongada e que, na sede de concelho, onde se prestava também apoio aos utentes das freguesias sem médico, está apenas um médico que também «meteu baixa». Do concurso público, resultou a contratação de um médico, porém, «por ironia do destino, é uma médica que está de gravidez de risco e vai ficar ausente, provavelmente, mais dois anos», referiu. Na véspera da manifestação, o presidente da Câmara foi informado de que um médico seria contratado, todavia diz ficar «com a sensação que é para brincar» com a população: «Este médico vem uma vez por semana, trabalha das 9 às 17 horas, e nem sequer consultas de intersubstituição faz», revela. Lamentando a falta de assistência, sublinha ainda que «muitos utentes só estão a cumprir o receituário tendo em conta a excelente boa vontade das farmácias». Na linha do que alguns deputados também disseram, Jorge Vala frisou que esta situação só se resolve se todos rumarem na mesma direção e afirmou que não consegue «fazer muito mais»: «Já bati a todas as portas, já pedi inclusive uma reunião ao secretário de Estado que ainda não tomou posse e nem sei quem é», revelou.

Críticas à fraca adesão na manifestação

Tiago Rei, no tempo de intervenção do público, referiu que teve «oportunidade de estar presente na manifestação» e ficou «um bocadinho triste» por ver «poucas pessoas a lutar por esta causa», o que «é de lamentar». Esta foi uma crítica seguida também por dois presidentes de Junta, Filipe Batista (Alqueidão da Serra) e Carlos Cordeiro (Serro Ventoso). Filipe Batista agradeceu a quem esteve a «lutar por um direito que faz sentido que seja para todos», porém lamentou «algumas ausências»: «Lamento, de facto, que não estejamos todos uns ao lado dos outros para poder resolver esta situação», disse. Pensamento semelhante apresentou Carlos Cordeiro, que deixou uma palavra de apreço ao Município e à Associação Ur’Gente pela organização da manifestação, assim como a «todos os presidentes de freguesia, independentemente das cores políticas», pois estavam todos presentes. Por outro lado, frisou ser «realmente triste» que «não estivessem mais pessoas e não é só pessoas do concelho, mas também pessoas com responsabilidades políticas, que deviam lá estar e que, infelizmente, não estavam». Carlos Cordeiro deixou ainda a ideia de que devia ser organizada mais uma manifestação «porque a Saúde é um problema mesmo grande».

Com Isidro Bento
Foto | Rita Batista