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Profissionais contam o seu trajeto no mundo da comunicação

13 Maio 2023
Jéssica Moás de Sá

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Jéssica Moás de Sá

13 Mai, 2023

Foi para uma plateia de alunos do ensino secundário do concelho, prestes a definir o futuro académico, que se lançou a questão: Como sei que estudar comunicação/jornalismo é para mim? Este foi o tema a debate na primeira sessão no âmbito da conferência que assinalou os 40 anos d’O Portomosense. Com a professora adjunta do departamento de Línguas e Literaturas da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria, Catarina Menezes, na moderação, a primeira questão lançada aos três convidados foi precisamente a que deu nome a esta conversa. Pedro Miguel Santos, Patrícia Santos e Tomás Gomes foram os oradores, todos com ligação ao concelho e região.

Pedro Miguel Santos deu os primeiros passos no jornalismo precisamente n’O Portomosense e na Rádio Dom Fuas, trabalhou na revista Visão e fez parte (até há pouco tempo) da redação do Fumaça, um projeto de jornalismo independente e de investigação. Desafiado pela moderadora, Pedro Miguel Santos voltou atrás no tempo: «Antes de toda a gente ter um telemóvel e de haver computadores em casa, as pessoas tinham só livros e eu ficava muito contente ao folhear os livros», brinca. O «fascínio pelos livros» foi, assim, a combustão para a escolha profissional. Também Patrícia Santos, que foi jornalista durante muitos anos (o nosso jornal foi a sua “morada” durante uma década), teve como «ponto de partida» a paixão pela escrita: «Sabia que gostava muito de escrever, gostava de Português e procurei tirar um curso que fizesse sentido tendo em conta isto». Atualmente a trabalhar na Optiply, uma empresa tecnológica holandesa que desenvolve software de otimização de gestão de stocks para e-commerce, Patrícia Santos explicou que o «sentido de jornalista foi desenvolvendo ao longo do curso [de Comunicação Social e Educação Multimédia]».

Tomás Gomes também mudou de área recentemente. Foi jornalista no SAPO24 durante seis anos, mas no início deste ano decidiu abraçar um novo desafio como diretor de marketing de uma promotora de eventos norueguesa, A Comic Soul, dedicada à organização e promoção de espetáculos de stand-up comedy pela Europa. «Não sei dizer quando comecei a pensar que queria ser jornalista. Inicialmente queria muito estudar Direito, mas quando comecei a gostar de escrever, percebi que o jornalismo podia ser um caminho», revela. As dúvidas, já depois de estar no curso de Jornalismo, só se dissiparam quando foi «para o terreno»: «Não larguei mais o bicho».

Só faz sentido escolher “com o coração”

Numa sessão que Catarina Menezes fez questão de frisar «que era para os alunos» e com o intuito de os ajudar a definir «um rumo», a moderadora lembrou a dicotomia “perspetivas de emprego e económicas versus seguir o que se gosta”. Neste ponto, a concordância entre os oradores foi evidente: «Seguir o coração». «Era incapaz de trabalhar a fazer o que não gosto, com pessoas que abomino», frisa Pedro Miguel Santos. Ainda assim, o jornalista não “doura a pílula”: «Têm de estar conscientes que podem não ter as oportunidades financeiras que querem», sublinha, fazendo alusão à atual situação precária em algumas áreas da comunicação.

Patrícia Santos confessa que, na altura de escolher, a mãe «não foi fã», apesar de ter apoiado, da sua escolha por um curso na área da Comunicação. «Eu fui pelo coração, o trabalho ocupa-nos metade do nosso dia, por isso é muito importante sermos felizes a trabalhar», salienta. Para Tomás Gomes «não há outra opção que não seja decidir com o coração»: «Não me consigo imaginar num trabalho que não gosto, com pessoas que não gosto. Escolher jornalismo foi saber que mesmo com um salário baixo, com turnos loucos, estava a escolher com o coração», frisa.

Comunicação é “muita coisa”

Apesar de, pela experiência profissional de cada um dos convidados, a conversa ter derivado mais para o jornalismo, todos fizeram questão de salientar que Comunicação é uma área muito abrangente, que «permite muitos caminhos». «É uma boa escolha para quem gosta de diferentes áreas desde design, edição, programação, entre muitas outras coisas, hoje em dia, para fazer uma peça jornalística, por exemplo, são precisos muitos profissionais de muitas áreas», vincaram os oradores. Além disso, defendem, «nunca é tarde para mudar o caminho», dando os seus exemplos, em que a vida os levou por diferentes trajetos dentro da mesma área.

Apesar de todos os entraves que algumas profissões dentro desta área acarretam, os oradores não têm dúvidas: a comunicação/jornalismo «é para os jovens». Pedro Miguel Santos deu o exemplo do Fumaça, um projeto que “vive” dos contributos de quem acompanha os trabalhos. «Aquilo que mostram os indicadores é que a maior parte de quem nos ouve tem menos de 30 anos, mesmo os podcast tendo mais de uma hora». «É para jovens e é através deles que as coisas mudam», defende Tomás Gomes. «São os jovens que batem o pé pelas horas extra não pagas, pela progressão na carreira, são eles que podem inovar», acrescenta. «Se vierem com o coração, os jovens conseguem tudo», conclui.

Fotos | Luís Vieira Cruz

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