«Aproximar empresas que querem ajudar instituições que precisam de ser ajudadas» é o objetivo do projeto Ajudei-te, lançado em março pela YENTXA, sediada no concelho de Porto de Mós. Pedro Sereno, um dos dinamizadores, explica que a iniciativa é «fruto da atividade» que tem desenvolvido, através desta sua empresa, «que passa pela importação e venda de Equipamentos de Proteção Individual (EPI)».

Segundo Pedro Sereno, há «empresas que têm todas as ferramentas para conseguir oferecer e auxiliar qualquer entidade, seja ela uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), privada, ou bombeiros, mas nem sempre sabem como o fazer». Muitas vezes, «o que faltam não são os meios, mas sim os circuitos» que ponham em contacto quem quer ajudar e quem precisa de ajuda, diz o empresário, dando como exemplo «questões como comprar o EPI, fazer um donativo, ou querer dar dinheiro ou produto, e que são coisas que muitas vezes baralham as pessoas». Verificando esta lacuna, que por vezes impede ou torna mais difícil às empresas apoiarem outras entidades, Pedro Sereno adianta que a intenção do Ajudei-te é «tentar descomplicar um pouco». Como tem «acesso ao produto» pode ajudar a «aproximar as empresas dessas instituições», mas sem que haja da sua parte «algum tipo de interesse financeiro», frisa.

Como pode então uma empresa (ou particular) ajudar uma entidade? O projeto tem à disposição «pacotes fechados», com três modelos à escolha desde 150 euros, «ou uma versão aberta em que as empresas dão o valor, que depois é atribuído». O valor a conceder «pode ser a uma entidade só ou a várias», podendo ainda ser «uma entidade pelas empresas designada, ou aleatória», explica o dinamizador. Isto reflete-se num «leque de opções mais vasto para que no fundo se consiga ajudar o máximo de pessoas possível». Para aderir ao Ajudei-te, as informações encontram-se de forma detalhada em www.ajud8.com.

Este é um «projeto a nível nacional», mas as empresas do concelho foram as primeiras a aderir e as entidades portomosenses, as primeiras beneficiárias. Pedro Sereno revelou ainda que também tem recebido «respostas favoráveis, quer de multinacionais, quer de empresas portuguesas de maior dimensão», acreditando ser um projeto que «tem pernas para andar», e acrescentou que «um pequeno gesto pode ajudar quem precisa», particularmente neste contexto de pandemia, onde pode haver pessoas «a não terem os devidos cuidados para si e para os outros, muitas vezes por questões económicas».

Transparência e cumprimento rigoroso das regras são alguns dos valores pelos quais se rege o projeto, para garantir segurança e confiança, tendo Pedro Sereno a consciência de que «às vezes, quando se criam estas iniciativas solidárias, existe uma suspeição» por parte das pessoas, «de que possa haver menos transparência». Para dar uma salvaguarda a todos os intervenientes, o respetivo site faculta «uma lista atualizada de quem ajudou e de quem foi ajudado, e inclusive da própria relação direta». Ainda que «muito primária», a iniciativa já apoiou cerca de 10 empresas, mas Pedro Sereno acredita que «até ao final do mês de abril» já tenha os «números bem mais recheados».

O feedback tem sido «muito positivo, do lado de quem recebe, porque é sempre uma ajuda», já do «lado de quem dá», acredita que as entidades também «tenham ficado satisfeitas, porque houve o cuidado em fazer o devido cumprimento das regras, em mostrar e evidenciar a quem foi entregue» o apoio e assegurar que «estamos aqui todos para ajudar», frisa. O coordenador da iniciativa resume o Ajudei-te como «o juntar as forças de uns com as fraquezas de outros e conseguir no fundo ultrapassar esta fase».

Isidro Bento | revisão