São Bento, no concelho de Porto de Mós, é uma das 13 aldeias que integram o projeto Museu na Aldeia, um desafio lançado pela Câmara Municipal de Leiria, em conjunto com a Rede Cultura 2027 e um grupo de museus à Sociedade Artística Musical dos Pousos (SAMP). O objetivo, explica a O Portomosense Raquel Gomes, coordenadora da iniciativa, é «levar a cultura a pessoas que vivam em comunidades mais isoladas e que se encontrem em solidão».

Assim, a partir de amanhã, 6 de abril, o Museu na Aldeia vai voltar a unir 13 museus e 13 localidades isoladas dos 26 municípios que integram a Rede Cultura 2027, depois de o projeto, lançado no final de 2020, ter sido interrompido devido à pandemia. No momento, a SAMP tem partido à descoberta das aldeias «para apresentar o projeto aos idosos» que vivem em aldeias isoladas da região Centro e «dar-se a conhecer». Posteriormente, e em conjunto com uma equipa que inclui artistas, museólogo, sociólogo e psicólogo, será explicada «a ideia de museu e do valor museológico», a partir de «objetos que os participantes possam ter guardados em casa», segundo referiu a diretora do projeto. Depois, «pelos meses de maio ou junho», prevê Raquel Gomes, «uma peça de cada museu será apresentada aos residentes das aldeias», para que «lhes sirva de inspiração para criarem e desenvolverem até dezembro a sua peça», que pode ser património material ou imaterial, dando como exemplos, «uma história, a recolha de uma música antiga, ou até construí-la de raiz». Ao fim de uns meses, as peças «serão expostas no museu a que está alocado», esclarece a coordenadora.

O projeto terá mais tarde, entre janeiro e maio de 2022, «um momento alto» em que será apresentado o resultado desse exercício em 13 performances nos 13 museus: «Os idosos deslocar-se-ão até ao museu para ver a sua peça exposta e farão uma visita “performada”, em formato artístico», na companhia de profissionais de artes.

Por que é importante envolver pessoas desta faixa etária na Cultura? «Muitas delas nunca foram a um museu. Na altura, ir ao museu não era para todos. Muitos idosos dizem: “Já não tenho idade para isso, se eu fosse mais nova é que era”, mas depois nota-se que estão sedentos de estar com alguém, de conviver. Queremos criar proximidade através das artes», explica Raquel Gomes, acrescentando que neste tempo de pandemia, o isolamento acentuou-se de forma significativa.

No final do projeto, será realizado, em paralelo, «um documentário sobre o processo e desenvolvido um estudo científico», que segundo a responsável, será «focado no impacto sociológico e museológico do mesmo». Está prevista também «uma exposição itinerante com as 13 peças a criar e a possibilidade de replicação do Museu na Aldeia noutros territórios», adiantou.

«A SAMP está a apostar muito no Interior e nestas pessoas tão isoladas», referiu a responsável, partilhando a «máxima» da Sociedade Artística Musical dos Pousos: «Mais importante do que colocar os músicos no palco, é colocar a música na vida das pessoas».

Isidro Bento | revisão