No passado dia 4 de maio, muitos foram os estabelecimentos que receberam luz verde para abrir. Entre eles estão os stands de automóveis e as lojas de rua com menos de 200 metros quadrados. O Portomosense quis saber como se está a processar esta reabertura e quais as medidas tomadas. Para isso falámos com Davide Santos, gerente de um stand, localizado na freguesia de Pedreiras, que começou por explicar que este foi «um período, no mínimo, estranho».

Durante os 45 dias de Estado de Emergência, faltou-lhes «a pressão do dia-a-dia, das vendas e do negócio», assim como «todo o envolvimento com os clientes», reconhece. «Sentimo-nos um bocadinho sós, mas era compreensível porque nesta altura o ideal era mesmo ficarmos em casa, seguros, para que tudo se pudesse resolver e para que, agora, pudéssemos reabrir com uma confiança renovada», afirma.

O período em que estiveram fechados serviu para preparar «uma série de medidas antes da abertura», tendo como «prioridade» a garantia da «segurança dos clientes e dos colaboradores», para isso, estão a seguir um protocolo sanitário elaborado pela Associação Automóvel de Portugal, em parceria com a Direção-Geral da Saúde. Além do material de proteção individual para funcionários e da desinfeção do espaço, Davide Santos avança que têm «kits de proteção individual para oferecer aos clientes» que não se apresentem munidos desses produtos.

Quanto ao negócio, o que pretendem é «retomar a atividade normal» e «tentar trabalhar cada vez mais nos canais online». «Esta é uma nova realidade, temos que desenvolver ferramentas, videochamadas, fazer visitas virtuais à viatura, ter uma série de ferramentas para que os clientes possam comprar um carro quase sem sair de casa», afirma.

Salomé Carvalho é funcionária de uma loja de cortinados na vila de Porto de Mós, que também reabriu no passado dia 4. Os clientes que agora entrarem, notarão algumas diferenças: «Mudámos um pouco a estrutura da loja. Temos, logo à entrada, uma mesinha onde disponibilizamos desinfetante e pedimos às pessoas que o usem assim que entram. Todos os clientes devem usar máscara, e para os que não trazem, temos para venda. Temos também luvas, para quem o desejar», conta. Além disso, a olho nu, poderá observar-se que, na loja, entram apenas duas pessoas de cada vez, embora Salomé Carvalho ressalve que a maior parte dos clientes prefere esperar na rua pela sua vez. A cada cliente «é desinfetado o balcão e os materiais que são manuseados, como amostras de calhas, varões, peças metálicas…». De fora deste ritual ficam os tecidos: «É onde temos a maior dificuldade porque temos muitas amostras e não nos é possível estar sempre a desinfetar tudo. Temos duas portas na loja e abrimo-las duas vezes por dia para o ar circular. E estamos à procura de um produto desinfetante que não danifique os materiais», revela. Todos os dias é também desinfetado «o chão, o computador, teclado, canetas, todas essas peças».

Salomé Carvalho diz que não vê receio nas pessoas e que tem tido «bastante afluxo de clientes», aliás «mesmo durante a quarentena» foram várias as pessoas que procuraram o serviço, o que deixa a funcionária «otimista». No entanto, proprietários e trabalhadores estão preocupados com o futuro pois «muita gente ficou sem trabalho e a decoração de interiores não é um bem de primeira necessidade», afirma. «Estamos mais receosos do outono, é a estação que já costuma ser mais morta e este ano vamos ver como corre o verão para depois podermos fazer previsões e balanços», ressalva. A economia começa aos poucos a retomar e todos implementam medidas de proteção para conquistar a confiança dos clientes.