Os psicólogos que têm estado a apoiar populações afetadas pela passagem da depressão Kristin sublinham a importância de uma resposta continuada em saúde mental para evitar casos de stress pós-traumático.
Em declarações à agência Lusa, a psicóloga da Câmara de Leiria, Catarina Marcelino, explica que a preocupação imediata passa por garantir que as pessoas consigam reorganizar-se. «Estamos num período em que todos estes sintomas associados à ansiedade e ao medo estão muito presentes, mas é expectável que estes sintomas se vão atenuando e progressivamente vão desaparecendo», afirma, ressalvando existir «risco de stress pós-traumático» se não houver intervenção.
Catarina Marcelino integra um projeto em que o Município mobilizou profissionais da autarquia, de Instituições Particulares de Solidariedade Social e a Ordem dos Psicólogos para prestar apoio no terreno. «É preciso continuarmos a estar atentos e as equipas darem continuidade ao trabalho», defende, salientando que ainda é cedo para identificar casos que venham a necessitar de intervenção continuada e especializada.
Também a psicóloga Neuza Carvalho aponta a necessidade de acompanhamento, sobretudo em pessoas com «vulnerabilidades anteriores», admitindo que haverá «alguns casos pontuais» que exigirão «um cuidado especial e um acompanhamento continuado, seja médico ou psicológico».
Leila Carvalho, psicóloga que tem estado no terreno através do projeto de voluntariado Leiria Unida, compara o apoio inicial prestado ao que acontece com reparações provisórias em telhados. «Os primeiros contactos foram como aquele remendo (…) nós damos a primeira assistência, há escuta, mas, para algumas pessoas tem de haver um tratamento contínuo», refere, alertando que, sem essa resposta, podem surgir surtos, transtornos de pânico e casos de stress pós-traumático. A psicóloga alerta ainda que problemas como ansiedade ou depressão podem surgir mais tarde, mesmo em pessoas que inicialmente pareçam estar bem.
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