«É um cliente de classe média, operário e com uma média de idade na casa dos 35 anos», começa por responder Octávio Filipe. O responsável pela CO2 Auto, uma empresa de venda de automóveis semi-novos e usados, situada em Ferraria, rapidamente acrescenta que é essa a faixa etária que movimenta «cerca de 60%» do volume de negócios da empresa. Nessa faixa etária, o empresário não tem dúvidas de que a marca é o «principal fator de escolha». «Prova disso é que este ano, apesar da crise vimos a Mercedes-Benz a bater recordes de vendas», justifica.

Por outro lado, no caso da faixa etária dos 20 ou 25 anos, o elemento que mais pesa é outro: o fator tecnológico. «Apesar de também ligar à marca, esse tipo de cliente dá mais importância à tecnologia e, por isso, acaba por tentar comprar um carro que tenha o melhor dos dois mundos», garante. A explosão tecnológica a que se assistiu nos últimos anos tem tido influência no setor automóvel e na hora de os compradores escolherem qual o carro que pretendem adquirir esse é um dos parâmetros quase obrigatórios. «Hoje o tipo de cliente que vem aqui é um comprador exigente. As pessoas dão muito valor à tecnologia do carro e o facto de poder manuseá-lo através do smartphone», esclarece Virgílio Silva, chefe de vendas da Ondal.

Se em tempos a existência de GPS num automóvel, ou seja, um sistema de navegação por satélite, era quase que opcional, atualmente no stand por que Octávio Filipe é responsável, a realidade é outra, passando a ser «quase como uma obrigação». «Hoje em dia é muito difícil vender um carro sem GPS, é um dos fatores de decisão na compra de um carro», admite. Já o chefe de vendas do concessionário da Honda tem uma perspetiva diferente e garante que as pessoas «prescindem do GPS» porque, justifica, «qualquer telemóvel o tem e conseguem transferi-lo» para o painel do carro. No entanto, existe um fator «muito importante» a que os clientes dão importância e em que ambos estão de acordo: o consumo. «As pessoas tentam ir buscar um carro com baixos consumos e ajustá-lo às suas necessidades», explica Octávio Filipe. «Também são mais racionais em relação ao ambiente, se o carro está a poluir ou não», acrescenta Virgílio Silva, explicando que o tempo de garantia de um carro também é um dos pontos para onde os compradores mais olham hoje.

Existem carros exclusivos de homens e de mulheres?

Já todos nós vimos alguém a associar a mulheres um carro, cujo tamanho é inferior aos restantes. Mas será que essa questão do género no mundo automóvel existe mesmo ou tudo não passa de estereótipos? Há carros de mulheres e carros de homens? Tendo por base a sua experiência no ramo, Octávio Filipe admite que sim e realça o facto de as marcas saberem «muito bem» explorar essa vertente: «Nota-se que qualquer marca tem sempre um produto ou dentro de um determinado modelo, uma linha mais direcionada, construída e desenhada a pensar no mercado feminino». Para sustentar a sua afirmação, o vendedor recorre a dois exemplos que, na sua opinião, são bem explícitos dessa divisão de géneros, como é o caso do Fiat 500 e do Mini. «São maioritariamente carros femininos. O ressurgir da marca Mini foi uma forma que a BMW arranjou para entrar no mercado automóvel feminino», refere. Já no campo masculino, Octávio Filipe garante que a marca BMW é aquela que está «no topo das preferências»: «Está muito enraizada. É uma marca de eleição». Por sua vez, Virgílio Silva, não considera que haja «carro de homem ou de mulher», no entanto, observa que na hora de comprar carro, cada elemento do casal tem uma “função”: «A decisão da mulher é muito importante no modelo, na cor e no tipo de carro, já o homem escolhe a monitorização».