Porto de Mós, um dos municípios do distrito que se tem evidenciado no recurso à mais avançada tecnologia em termos de gestão do território, nomeadamente na disponibilização de variada cartografia digital, conta concluir nos próximos meses a recuperação ou a instalação de cerca de 400 marcos quilométricos, uma espécie de Google Maps ou de GPS do tempo em que nem sequer se sonhava com a internet. Aquilo que, à primeira vista, poderá parecer uma contradição, para o vice-presidente da Câmara, Eduardo Amaral, não o é. Para o autarca, o Município que se orgulha do «trabalho de vanguarda e de inovação» que é feito no seu gabinete de Sistema de Informação Geográfico (SIG) pode ser e é o mesmo que tem todo o interesse em recuperar uma «ferramenta de grande utilidade no século passado», se isso ainda se relevar útil e se contribuir para a «recuperação de um património», o que é, no seu entender, o caso.

À conversa com O Portomosense, Eduardo Amaral recorda que «estes marcos identificam o número da estrada, a distância relativamente à localidade seguinte e o quilómetro em específico (no caso dos de início de estrada) e desta forma uma pessoa que, por exemplo, tenha um acidente de carro, facilmente consegue dar esses dados aquando do pedido de ajuda».

«No caso de Porto de Mós, já havia muito poucos e então achámos que fazia sentido recuperá-los ou instalar novos e é isso que estamos a fazer. É claro que, hoje em dia, há toda uma sinalética que não existia nessa altura, além de GPS e das mais variadas aplicações, mas os marcos quilométricos, apesar de toda a tecnologia, continuam a ser úteis e um património», justifica. De acordo com o autarca, «o que se pretende é voltar a ligar todo o concelho com estes elementos e dar vida a uma referência que se foi perdendo e abandonando ao longo de vários anos». «Queremos, por um lado, que as pessoas que circulam pelas nossas estradas saibam exatamente onde estão e, por outro, fazer dos marcos um símbolo concelhio», reforça.

O trabalho de recuperação dos marcos em pedra ou a instalação de novos em betão arrancou no ano passado e deverá ficar concluído na primavera deste ano, adianta Eduardo Amaral, explicando que se «começou pela zona da serra, por ser aquela que tem mais procura em termos de visitantes». «Agora estamos no Juncal e nas Pedreiras e está-nos a faltar Alqueidão da Serra e Mira de Aire. Vamos fazendo à medida que a empresa fornecedora nos entrega o material», diz.

Embora mantendo os elementos base que são iguais em todo o país, o Município decidiu “personalizar” os velhos marcos. Deste modo, além da informação relativa ao número da estrada e ao quilómetro em específico, cada um deles tem a imagem estilizada do castelo de Porto de Mós e o brasão do Município. Os que identificam o início da estrada têm a base a branco, topo a vermelho e letras, numeração e logotipos a branco, enquanto que os outros, têm a base a vermelho, topo a branco e letras a vermelho. Para já, são estes os elementos mas é intenção, no futuro, «acrescentar valor» inserindo neles outras informações.

Questionado sobre os custos deste projeto, o vice-presidente esclarece que são relativamente baixos tendo em conta que tudo está a ser feito com meios do próprio Município: «Nos casos em que não é possível recuperar, estamos a comprar marcos novos e em betão por serem mais baratos, no entanto o molde saiu do Fablab (o nosso laboratório de prototipagem rápida e fabricação digital), e a pintura e o assentamento estão a ser feitos pelo pessoal da Câmara».

E porque no Município de Porto de Mós é intenção que a modernidade ande, quando assim se justificar, de mãos dadas com a tradição, no SIG foi desenvolvida uma aplicação para o registo da localização dos marcos. Assim, de cada vez que um é recuperado ou instalado de novo, os técnicos, com a ajuda de um aparelho GPS, registam as respetivas coordenadas que depois são inseridas na aplicação e desta forma se vai construindo o “mapa digital” dos marcos quilométricos do concelho, informação útil aos serviços camarários e que poderá ser enriquecida com outros dados.