Que Abril norteie os novos eleitos

6 Novembro 2025

Em tempos de extremismos e divisionismos, que os autarcas portomosenses continuem a nortear a sua ação sob os valores da Democracia, da Liberdade e do respeito pelo Outro.

Olhando para a cerimónia de tomada de posse da Assembleia e da Câmara Municipal, penso que se pode citar com alguma propriedade o tema de Chico Buarque, Tanto Mar, e a expressão Foi bonita a festa, pá. Se a quisermos ver como uma festa podemos dizer que, de facto, se tratou de uma festa bonita, bem organizada, com um palco bem decorado e com um pormenor ou dois que me merecem uma referência por dar grande valor a pormenores simbólicos:  gostei de ver o executivo camarário numa mesa única, todos lado a lado, sem direitas nem esquerdas. Apreciei também o espaço principal do palco ser para a Mesa da Assembleia Municipal tendo em conta que a Assembleia por ser um órgão fiscalizador e deliberativo está, naturalmente, numa posição hierarquicamente superior.

A festa foi bonita, pá  porque, tal como na canção, se evocou Abril, a esperança, a alegria, a liberdade de um povo, a Democracia, o desenvolvimento económico e social. Abril deu-nos tudo isso e a liberdade de expressão que na sua plenitude faz com que até aqueles que parecem ser uma ameaça real a esse mesmo Abril tenham a hipótese de, livremente, expressarem a sua opinião e de elegerem e serem eleitos para os mais diversos órgãos.

Num tempo de tanto extremismo, com uma sociedade tão dividida, esperemos que Porto de Mós continue a ser um concelho onde se faz política mas em que os os políticos, apesar das normais tricas partidárias se respeitam e, acima de tudo, respeitam a Democracia e todos os valores a ela associados.

Porto de Mós sempre foi terra de acolhimento de nacionais e estrangeiros e é bom nunca esquecer isso. É nossa marca intemporal receber de braços abertos,  brancos, pretos, amarelos, gente de todas as cores, raças e credos, gente sem um tostão no bolso ou endinheirada, doutores e engenheiros para trabalhar nas nossas empresas, as mesmas que já não passam sem imigrantes vindos de países longínquos porque escasseiam portugueses que queiram ocupar os mesmos lugares.

Que neste mandato nenhum eleito se esqueça disso e que Abril vingue sempre. Menos que isso é voltar a um lugar onde seria suposto ninguém querer voltar por ter sido mau demais para tudo e para todos.