Caro Leitor certamente conseguirá identificar, dentro do seu círculo de familiares, amigos, ou vizinhos, pessoas que tenham sofrido quedas e eventualmente fraturas ósseas resultantes das mesmas. Efetivamente as quedas nas pessoas idosas condicionam entre outras consequências, perda de autonomia, hospitalizações e diminuição da qualidade de vida. As quedas, em Portugal, são geradoras de elevada mortalidade e morbilidade uma vez que foram responsáveis, no grupo etário das pessoas com mais de 65 anos, entre 2004 e 2013 por aproximadamente 2879 óbitos (DGS, 2015). Este valor torna-se preocupante quando se compara com a totalidade dos acidentes onde as quedas detêm uma percentagem de 31,48% das mortes (DGS, 2015). Neste sentido, o aumento da esperança média de vida tem incutido nos serviços de saúde novas preocupações associadas ao desafio da manutenção de uma longevidade saudável e autónoma, uma vez que envelhecer é um processo progressivo, caraterizado por modificações anatómicas e funcionais que podem fragilizar o organismo perante fatores de origem externa e interna, de forma natural e universal (Silva, Amorim & Apolónio, 2015). Nesta perspetiva o avanço da idade provoca inúmeras alterações fisiológicas ao nível dos diferentes sistemas corporais, salientando-se que, por um lado, a nível músculo-esquelético ocorre uma diminuição da densidade óssea e da massa muscular, o que consequentemente aumenta o risco de fratura e induz incapacidade funcional, e por outro, a nível endócrino, com o envelhecimento, diminui a absorção e a ativação da vitamina D, o que pode ser o primeiro passo para o desenvolvimento de osteoporose e de fraturas de fragilidade (Botelho, 2007).

Importa então perceber aquilo que pode fazer por si e pelos seus e qual o tipo de ajuda que pode solicitar junto da sua equipa de saúde familiar, para a vivência de uma longevidade mais sã. O primeiro passo pode iniciar-se pela eliminação e correção dos fatores de origem externa que possam provocar quedas, nomeadamente: a presença de riscos ambientais (luminosidade inadequada, pisos escorregadios e irregulares, obstáculos como fios elétricos, tapetes e móveis), a utilização de calçado inadequado e de auxiliar de marcha inapropriado. Para intervir nos fatores de origem interna, apesar das inúmeras alterações provocadas pelo decorrer dos anos, pode e deve recorrer-se à prática de exercício físico regular, por forma a aumentar a força e a resistência muscular, e de maneira a melhorar a coordenação motora e o equilíbrio (DGS, 2001). O exercício físico regular leva a um melhor desempenho cardiovascular e promove o fortalecimento ósseo, reduzindo o risco de quedas e de fraturas (DGS, 2001). Para a prática regular de exercício físico nos tempos atuais poderá lançar mão de um extenso manancial de possibilidades que vão desde a prática acompanhada em ginásios, o recurso a aplicações móveis (App) ou ainda realizar aulas disponíveis na internet. Por sua vez, a sua equipa de saúde familiar poderá ajudar fazendo uma avaliação da probabilidade do seu risco de fratura a 10 anos, através da aplicação da FRAX® (Ferramenta de Avaliação do Risco de Fratura da Organização Mundial de Saúde) ou através de outro meio complementar de diagnóstico. Consoante o risco de fratura apresentado a sua equipa de saúde prescreverá entre medidas nutricionais, com dieta adequada às suas necessidades, e suplementação com cálcio e ou vitamina D, e medidas farmacológicas com medicação antiosteoporótica ou antireabsortiva.

A vivência de uma longevidade sã e autónoma depende em grande parte dos comportamentos e estilos de vida de cada pessoa, e neste âmbito é lhe solicitada a sua proatividade e responsabilização para o desenvolvimento do seu projeto de saúde com a implementação de estilos de vida promotores da saúde, como: hábitos alimentares saudáveis, hábitos regulares de prática de exercício físico, eliminação de consumos e de comportamentos de risco.

“Life is like riding a bicycle, to keep your balance you must keep moving.”
(Albert Einstein).