A chamada Quinta da Mirinha, na zona da Boavista, paredes meias com a vila sede de concelho, vai ser a casa de cerca de meia centena de refugiados ucranianos. A informação foi avançada pelo presidente da Câmara, Jorge Vala, na última reunião pública do executivo, na passada quinta-feira, dia 10, e confirmada a O Portomosense, na manhã seguinte, quando o nosso jornal acompanhou o autarca ao local para assistir ao arranque dos trabalhos de limpeza e pequenas reparações do espaço, que ficarão a cargo da Câmara. Jorge Vala explicou que esta é uma «resposta de emergência, que o Município disponibilizou [também] à Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria», dando, no entanto, prioridade «à instalação de pessoas que vêm e que são familiares de residentes» no concelho. «Sabemos que há famílias ucranianas que estão cá estabelecidas e que não têm condições físicas nas suas casas para receber mais seis ou sete pessoas» da sua família, que entretanto chegarão da Ucrânia, avançou o autarca.

A quinta, cedida pelo proprietário por um período inicial de três meses, tem várias casas que vão, então, alojar os refugiados «com dignidade» e que estão já equipadas com «camas, roupas de cama e louças». Para Jorge Vala, a opção nunca foi «um pavilhão»: «Pensamos que estas pessoas vêm de uma guerra, de situações muito precárias ao longo destes últimos dias, nomeadamente nos países que as acolhem e, por isso, temos a obrigação de as tentar fixar, por um lado, e, por outro, dar-lhe uma resposta digna de habitação», afirmou.

Inicialmente, as famílias estarão num “regime de hotel”, em que a Santa Casa da Misericórdia de Porto de Mós fornecerá todas as refeições, mas a intenção, segundo Jorge Vala, é que, a curto prazo, sejam instalados «eletrodomésticos para poderem confecionar refeições», já que depois de um «primeiro momento» de «instalação das pessoas», pretende-se a «passagem a uma vida o mais normal possível». A Santa Casa, «parceiro natural», irá ainda «dar resposta quer ao nível médico, de enfermagem, quer ao nível social, interagindo com a estrutura de missão», criada pelo Município.

O autarca informou que a comunidade ucraniana em Porto de Mós é de mais de 360 pessoas e resulta de «algumas largas centenas que estiveram cá há cerca de 20 anos, muitos regressaram para o país de origem, mas outros ficaram, estabeleceram-se, casaram e têm cá a família».

Foto | Isidro Bento