Trazer a Porto de Mós uma exposição fotográfica com 74 fotografias sobre o Rali de Portugal foi a oportunidade que despoletou a criação de uma exposição dedicada a este tipo de desporto automóvel. Designada por Rali Portugal no Centro, integra-se nas comemorações dos 25 anos do Clube Automóvel de Porto de Mós e a Praça Arménio Marques foi o local escolhido para durante 15 dias, entre 5 a 20 de outubro, receber diversas atividades em que se pretende dar a conhecer um pouco mais sobre esta competição.

A exposição fotográfica intitulada Memórias do Rally na Lousã, da autoria de Renato Ferreira, esteve patente na edição deste ano do Rali de Portugal na Lousã sendo que as fotografias já têm «mais de 20 anos», um facto que levou a organização ponderar trazer outros atrativos para comemorar os 25 anos do clube. Em conversa com O Portomosense, Joaquim Santos, presidente do Clube Automóvel explicou que o objetivo do evento é «as pessoas ficarem informadas» e justifica com o facto de que apesar de haver muitos espetadores deste tipo de desporto «há uma imensão de coisas que ainda se desconhecem».

Durante os 15 dias da exposição estará presente um carro que, no entender de Joaquim Santos, é «muito especial para todos os portomosenses». Trata-se do IPA 300, um carro de 1958 feito numa fábrica em Porto de Mós mas que devido a «problemas com o regime» nunca chegou à linha de produção. O carro que se encontra no Museu do Caramulo foi «gentilmente cedido» para o evento e poderá ser observado pelas pessoas que por lá passarem.

No dia 5 de outubro, data de início do evento, pelas 15h30, além da abertura da exposição fotográfica que estará presente durante as duas semanas, haverá ainda uma outra com viaturas de competição. À noite, pelas 21h30, vai ser feita uma tertúlia subordinada ao tema Histórias de Vida nos Ralis e que terá como intervenientes, Joaquim Santos «um grande piloto português» que até ao ano passado foi a pessoa que contou com «mais campeonatos nacionais», somando já quatro no seu currículo. Leirense, Ramiro Fernandes vai ser outra das presenças, a par com Filipe Fernandes, conhecido por Fifé e que além de ser considerado um «navegador» é visto como a pessoa que provavelmente terá «o recorde de ralis feitos em Portugal» e ainda Rui Bevilacqua.
Segundo Joaquim Santos, o objetivo desta tertúlia é que estas quatro figuras «conversem e contem histórias» sobre a carreira deles, num tempo em que o «rali não tinha nada a ver com o que é hoje». «Penso que vai ser uma maravilha para quem gosta de desporto automóvel e para quem não gosta», atira. Nesse momento, haverá ainda um momento de interação em que o público poderá colocar questões aos quatro convidados.

Homenagem é ponto alto do evento

No segundo fim de semana do evento haverão várias atividades, entre as quais, uma outra tertúlia intitulada Os pilotos da nossa Região que contará com a presença de Fernando Silva, Luís Alves, Luís Porém, Ricardo Porém e Válter Gomes no próximo dia 12 pelas 21h30.

O dia 13, entre as 15 e as 21 horas será um dia dedicado à prevenção rodoviária com uma ação de sensibilização sobre o álcool e as drogas na condução. Uma iniciativa que no entender de Joaquim Santos «faz todo o sentido» dada a percentagem «enorme» de sinistralidade em Portugal. Esta ação que pretende ser «prática» e por isso, não contará com ninguém a discursar, vai consistir na possibilidade de quem lá passar puder fazer testes através de simuladores que permitem perceber a diferença entre ter estar sob o efeito de álcool e não estar.

Segundo afirma Joaquim Santos, apesar de com esta iniciativa se pretender chegar a todas as pessoas, o foco está nos «mais jovens ou quem tirou carta à menos tempo». O objetivo é claro: levar a que essas pessoas «pensem sobre os problemas» inerentes à utilização desse tipo de substâncias e o quão «limitativo» isso pode ser no ato de conduzir. «Nós gostamos muito de desporto automóvel e de velocidades, mas tudo muito controlado e com cuidado em relação à condução e ao “andar” na estrada», refere o presidente do Clube Automóvel de Porto de Mós.
O dia 14 de outubro, segunda-feira, é na opinião de Joaquim Santos «o ponto alto da exposição», vai ser uma homenagem ao presidente do Automóvel Clube de Portugal, Carlos Barbosa que terá lugar pelas 21 horas. E justifica com o facto de que na altura em que tomou posse, o Rali de Portugal «não fazia parte» do Campeonato do Mundo de Ralis, uma situação que rapidamente foi por si invertida. Por isso, Joaquim Santos considera que Carlos Barbosa é uma pessoa que tem «feito muito» pelo desporto automóvel em Portugal.

Meia hora depois, terá lugar na Praça Arménio Marques uma conferência sobre o impacto do Rali de Portugal na economia da região que além de contar com a presença de Carlos Barbosa, estará ainda presente o presidente da Região de Turismo Centro de Portugal, Pedro Amado e também Luís Antunes, presidente da Câmara Municipal da Lousã, o município mais próximo do concelho de Porto de Mós no qual passou a prova do rali. Na ótica de Joaquim Santos esta conferência, que toca a vertente económica, tem como objetivo tentar «entrar dentro do rali de Portugal».
No penúltimo dia à noite, 19 de outubro, haverá um roadshow, um «espetáculo» no recinto das Festas de São Pedro, em que a parte competitiva fica de fora. Durante cerca de duas horas, os carros vão andar num circuito com cerca de um quilómetro. «Penso que vai ser divertido para toda a gente, inclusive para os pilotos que não têm a pressão do cronómetro e vão puder dar mais espetáculo», salienta Joaquim Santos.

O último dia, ficará marcado por um circuito em asfalto, de cerca de 1,6 quilómetros, na Zona Industrial de Porto de Mós. «Nada melhor do que terminarmos com desporto automóvel puro e duro», sublinha o presidente Clube Automóvel de Porto de Mós.