Quinzena de boas notícias

by | 23 Jul 2020

A quinzena que hoje termina trouxe-nos duas boas notícias. A mais recente parece confirmar o lema tantas vezes ouvido e lido por estes dias: “Muros que nos unem”.
De facto, e sem pôr em causa a força da candidatura dos Muros de Pedra Seca a uma das 7 Maravilhas da Cultura Popular (muito menos o valor destes enquanto testemunho cultural, não só do concelho, mas de toda uma região), parece-me evidente que o lugar nas meias-finais só foi possível porque esse elemento tão marcante na nossa paisagem serrana, em vez de dividir, uniu. Foi, então, graças à união entre autarcas e população que se tornou possível levar de vencida um desafio que se adivinhava particularmente difícil.
Neste, como em muitos outros concursos, não podemos contar, apenas, com o mérito próprio, mas também com o alheio e com os apoios que cada um consegue reunir à sua volta. É incontestável o valor dos Muros de Pedra Seca, mas, entre os patrimónios do distrito, era um dos menos falados no dia-a-dia, inclusive, talvez, o menos mediático. Temos, por exemplo, dezenas ou centenas de trabalhos publicados na imprensa sobre a Procissão de Caracóis, do Reguengo do Fetal, a Arte Xávega, da Marinha Grande, o Enterro do Bacalhau, do Soutocico, mas quantos haverá sobre os Muros de Pedra Seca? Agora, alguns, mas até há pouco, praticamente nenhum. É por tudo isto que devemos estar orgulhosos do resultado alcançado.
Que os muros nos continuem a unir na fase seguinte do concurso e que, com mais este exemplo de que a união faz a força, saibamos encontrar outras causas pelas quais vale a pena lutar.
A outra boa notícia da quinzena é a que resulta do protocolo assinado entre a Altice Portugal e o Município de Porto de Mós. Este prevê que a operadora estenda a 93% dos lares portomosenses a sua rede de fibra ótica até ao final de 2021, o que deverá ser um excelente contributo para a tão ansiada e necessária melhoria da qualidade das comunicações voz e internet no concelho.
Essa foi, então, a grande novidade saída de uma sessão para esquecer, não porque alguma coisa tenha corrido mal, mas por aquilo que foi dito. E o que foi dito, numa parte significativa do discurso de um dos representantes da Altice, e depois reafirmado de forma perentória aos jornalistas e confirmado ainda pelo presidente da Câmara, (com base naquilo que já tinha ouvido aos responsáveis da empresa), foi mau, muito mau.
Vir a público dizer que, por causa de perto de uma centena de e-mails que considerou menos corretos e uma inaceitável forma de pressão, a Altice já tinha decidido adiar os investimentos previstos para Porto de Mós até 2025 e que só a intervenção humilde do presidente da Câmara a demoveu dessa intenção, é algo muito difícil de classificar.
Mais uma vez, é o elo mais fraco a “pagar as favas”, quando, quase de certeza, o mal-estar tem a ver com tudo menos com um e-mail, replicado dezenas de vezes, e que nada fica a dever à boa educação.