Já estava programado para 2020, mas a pandemia motivou o seu adiamento. Agora, é (novamente) oficial: o 15.º Congresso da Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR) vai decorrer no concelho de Porto de Mós, como estava previsto, mas no dia 11 de fevereiro do próximo ano – para se aproximar do Dia Mundial da Rádio, que se assinala a 13 de fevereiro -, e num espaço diferente. Inicialmente planeado para o Cineteatro da vila sede de concelho, é agora a Casa da Cultura de Mira de Aire que vai acolher o evento, coorganizado pela Rádio Dom Fuas.

Em exclusivo para O Portomosense, o presidente da APR, Luís Mendonça, revelou os temas dos três painéis de debate, agendados para sábado, dia 11: Obra Compósita e Seus Direitos; Novos Conteúdos, Novos Mercados? e A Rádio: Novos Hábitos de Consumo. Ainda sem oradores confirmados, o responsável adiantou que, das 180 rádios associadas da APR, há já «cerca de 90 que se manifestaram interessadas em colaborar», o que Luís Mendonça encara como um sinal positivo, recordando a longa paragem entre este e o último congresso (2017): «Numa altura em que estivemos muito tempo separados, distantes, está na altura de trocarmos ideias, porque o congresso também é um pouco isso, é altura em que as pessoas conversam umas com as outras e, nos últimos tempos, não tem sido possível. [Vamos] conversar, ver novos equipamentos [vai estar patente durante todo o evento uma mostra de equipamentos de rádio na Casa da Cultura], e depois, claro, aproveitar para conhecer o concelho», explicou.

Da mesma opinião partilha o presidente do conselho de administração da Cincup, proprietária da Rádio Dom Fuas e do jornal O Portomosense. Para Pedro Vazão, «este evento vai trazer uma expansão do nome do concelho a nível nacional, porque vai passar um spot sobre Porto de Mós em todas as rádios» que marcarem presença, «desde a Madeira aos Açores, e do sul a norte de Portugal».

Rádio Dom Fuas é coorganizadora

Foi a Rádio Dom Fuas que manifestou interesse junto da APR em realizar o evento no concelho de Porto de Mós, segundo Pedro Vazão: «É um dinamismo que nós julgamos interessante, tem a ver também com aquele dinamismo mais vincado que nós quisemos imputar aqui na rádio, nos últimos cinco ou seis anos, no sentido de sermos uma rádio mais abrangente, não sermos apenas a velha rádio local, mas acompanhando um bocadinho os tempos», sublinhou.

A APR prontamente aceitou, dado que «houve, na altura, disponibilidade por parte da Câmara Municipal de apoiar essa iniciativa», explica Luís Mendonça. O Município de Porto de Mós vai conceder um apoio de mil euros à associação para a realização do evento, apoio esse aprovado por unanimidade em reunião do executivo. O presidente da APR considera que isto é também «um investimento» para o concelho, uma vez que os congressistas poderão trazer retorno para o comércio e a hotelaria do concelho.

O congresso está aberto a toda gente, mediante inscrição, e os custos da mesma variam consoante a condição profissional dos interessados, com preços especiais para associados, jornalistas e alunos de Ciências da Comunicação. O valor, contudo, garante Luís Mendonça, não se alterou, quando comparado com o anterior congresso.

Luís Mendonça remata, refletindo na falta de apoios por parte do Governo central: «Pensamos que vai ser muito importante reunir as rádios e chamar a atenção para a importância que têm. Todos o vincam, nomeadamente o Eurobarómetro do final deste verão: os portugueses confiam muito nas rádios em Portugal, naquilo que elas lhes dizem. Quer dizer que as rádios são órgãos de confiança». Para o dirigente, os legisladores portugueses deviam dar mais atenção ao setor, «até porque têm [na rádio] um parceiro credível», que, segundo Luís Mendonça, está disponível «para voar, dentro das possibilidades».