O Rancho Folclórico Luz dos Candeeiros, de Arrimal, foi o único grupo a representar Portugal no Festival Internacional de Marraquexe (World Folklore Days), o maior festival de folclore do continente africano, que decorreu de 26 a 30 de outubro, na capital marroquina. Esta não foi a primeira vez que o rancho de Arrimal esteve no estrangeiro mas foi a primeira em que viajou para um país fora da União Europeia e a experiência não podia ter sido mais positiva: «Felizmente temos sido convidados para ir a grandes festivais e este, se não foi o melhor, foi um dos melhores em que o grupo esteve. Superou as nossas expectativas», considera o presidente do Rancho, Luís Carlos. Nesta quarta edição estiveram presentes grupos de mais 13 países, na sua maioria africanos. Ser o único português foi não só motivo de orgulho como de responsabilidade acrescida para o dirigente, que acredita que este foi um desafio ultrapassado com sucesso. Durante seis dias, o grupo esteve em Marraquexe, uma cidade com uma cultura «totalmente diferente da nossa», onde teve oportunidade de viver experiências únicas. Sobre o povo que encontrou em Marrocos, Luís Carlos desdobra-se em elogios e fala de uma hospitalidade sem igual: «São muito acolhedores e receberam-nos muito bem», sublinha.

O convite que surgiu em abril acabou declinado devido à instabilidade provocada pela pandemia, no entanto a organização não desistiu e em junho voltou a endereçar novo convite ao grupo que decidiu refletir sobre essa possibilidade. Decidiram aceitar e conseguiram reunir as «condições necessárias», mas tal, esclarece, só foi possível graças ao apoio da Câmara Municipal, da Junta de Freguesia e de alguns componentes que «despenderam algum do seu dinheiro» para fazerem a viagem.

Um país onde se sentiram verdadeiros “artistas”

De Arrimal, o grupo de 37 elementos partiu para Lisboa, para rumar depois a Madrid, onde fez escala, para por fim aterrar no Aeroporto de Marraquexe, onde já tinha dois guias à sua espera que o acompanhou desde a chegada até à partida para Portugal. «Nunca nos largaram e deram-nos apoio em tudo o que precisámos», garante Luís Carlos. Na manhã do segundo dia, o grupo pôde conhecer um pouco do património da cidade e visitar alguns dos seus museus e palácios mais emblemáticos. À tarde, deu-se a abertura oficial do festival, onde todos os grupos participaram num desfile que decorreu até à Praça Jemma el Fna, uma das maiores de Marraquexe e onde decorreu o evento. Foi precisamente aí que, à noite, perante uma plateia de milhares de espectadores, o Rancho Luz dos Candeeiros mostrou aquilo que de melhor sabe fazer: dançar. «É um bocado arrepiante estarmos em cima de um palco e vermos 10 mil pessoas à nossa frente», confessa.

Durante a estadia em Marraquexe, o grupo foi recebido pelo presidente da Câmara, no salão nobre, um «espaço mágico», nas palavras de Luís Carlos, que apenas é aberto para receber «grandes artistas», como são considerados os que dançam folclore. Nessa noite, o grupo foi ainda surpreendido com um jantar de gala no restaurante Chez Ali, um local «magnífico», onde foram tratados «como artistas». «Há muitos anos que faço parte do rancho e nunca vi um jantar onde fossemos tratados como os grandes artistas», sublinha.

As aventuras estavam longe de terminar para o grupo que foi presenteado com um passeio de camelo, naquela que o presidente descreve como tendo sido, uma «experiência única». No penúltimo dia, fizeram uma excursão ao Vale Ourika, no sopé de uma montanha, que serviu para «mostrar as diferenças» que há entre as várias partes do país. Tiveram ainda a oportunidade de visitar aldeias berberes e de contactar um pouco mais com a cultura marroquina. Regressaram a Arrimal «de “coração cheio”» no dia 1.