Na redação tínhamos uma grande caixa cheia de papel para reciclar. Cheios de coragem, pegámos nela e dirigimo-nos ao ecoponto mais próximo, que estava cheio. Tivemos de ir a outro e percebemos que para quem carrega, como nós, uma caixa, ou qualquer outra coisa pesada, a distância parece que duplica. Em conversas informais, percebemos que a “reclamação” não é só nossa, mas que há munícipes que, para se deslocarem ao ecoponto mais próximo, têm de ir de carro dada a distância. Será que este fator, aliado ao facto de haver contentores de lixo comum em qualquer canto desencoraja os portomosenses de fazer a separação do lixo? Foi isso que quisemos saber…

Natalina Vieira (49 anos) – Alvados

Faço reciclagem já há vários anos, embora tenha consciência de que não tanto quanto devia. Reciclo principalmente embalagens e papel. Considero que ainda temos um longo caminho a percorrer. A distribuição dos ecopontos está mal feita e enquanto não adotarem outras medidas vamos continuar a reciclar menos do que deveríamos. Vivi alguns anos na Alemanha e lá reciclamos tudo, mas toda a população tem condições para o fazer. Nas câmaras dão sacos amarelos, para colocar as embalagens. Além disso, cada família tem três caixotes de lixo em casa: um para os restos de comida, outro para o papel e outro para o restante lixo. Só temos de nos deslocar para colocar as garrafas nos vidrões. Cada semana é recolhido um resíduo diferente. Se o nosso Governo adotasse medidas idênticas, penso que seria mais fácil para todos e obtinham mais resultado.

Lisa Ferreira (23 anos) – Corredoura

Já não me lembro bem, mas penso que há cerca de 15 anos que faço reciclagem, talvez quando começaram a incentivar à reciclagem na escola. Inicialmente fazia apenas plástico e cartão. Mais recentemente reciclo também roupas, sapatos, cápsulas de café, óleo, pilhas, lâmpadas e pequenos eletrodomésticos. O ecoponto mais próximo de minha casa fica entre 500 metros a um quilómetro. Considero que em alguns lugares os ecopontos são poucos e por vezes estão cheios. Deveria haver mais recolha. Considero que a não reciclagem que ainda existe se deve à falta de vontade das pessoas e a alguma falta de informação. Uma solução seria colocar os ecopontos junto dos contentores de lixos domésticos, insistir e haver mais persistência na reciclagem e haver mais informação de quais os plásticos e vidros que são recicláveis.

Boaventura Virgílio (54 anos) – Juncal

Faço reciclagem desde que há contentores para o efeito, reciclo metal, cartão, plástico, embalagens, vidro, pilhas… O ecoponto mais perto fica a cerca de 300 metros de minha casa e acho que a distribuição dos ecopontos está razoavelmente bem feita. Muita gente ainda acha que a reciclagem é uma treta, outras pessoas simplesmente não se dão ao trabalho de separar o lixo, mas também há muita gente que a faz bem. Acho que é mais uma questão de educação, do que de sensibilização.

O que diz a entidade responsável?

O Portomosense quis perceber, junto da entidade responsável pela colocação de ecopontos em Porto de Mós, a Valorlis, quais os números e os critérios para a colocação desses mesmos dispositivos. Em todo o concelho há 117 conjuntos (vidrão, papelão e embalão) de ecopontos distribuídos pelas várias freguesias. Essa distribuição é, segundo a Valorlis, «definida tendo em conta o número de habitantes existente», sendo que atualmente, o rácio é de «178 habitantes por ecoponto na área de abrangência» da empresa gestora de resíduos. O local exato onde é colocado o ecoponto é ainda sujeito a uma triagem «das condições de recolha e de acesso, sem causar perigo para os colaboradores da Valorlis que executam o serviço de recolha, nem para os moradores (por exemplo, longe de cabos elétricos e de telefone)», reforça a empresa. A Valorlis adianta ainda que «tem vindo a reforçar a rede» para aproximar «os contentores para recicláveis da população, de modo a tornar mais cómoda a separação destes resíduos».
No ano de 2019 foi registado «o valor mais elevado de sempre na recolha seletiva de resíduos urbanos», tendo sido recicladas 12 460 toneladas de resíduos, «parcelarmente, 4 865 toneladas de vidro, 5 377 toneladas de papel/cartão e 2 218 toneladas de embalagens de plástico e metal». Estes números são relativos à área de abrangência da Valorlis – concelhos de Porto de Mós, Batalha, Leiria, Marinha Grande, Pombal e Ourém –, onde «a separação nos ecopontos aumentou 17% face a 2018».

Cuidados a ter com o acondicionamento do lixo em tempos de pandemia

Nesta fase de pandemia que vivemos, provocada pela COVID-19, também no acondicionamento do lixo é necessário ter alguns cuidados. A Valorlis disponibilizou no seu site um comunicado em que explica todos os passos que devem ser dados.
Em primeiro lugar, é preciso saber se tem ou não pessoas infetadas ou com essa suspeita dentro do agregado familiar. Nesse caso, também os resíduos podem estar infetados, portanto é obrigatório colocar o lixo em sacos resistentes e descartáveis e enchê-los apenas até dois terços, para que seja possível fechá-los devidamente e colocá-los depois dentro de outro saco, que deve também ser fechado. Só depois deve ser depositado no contentor de lixo comum. Sempre, mas especialmente na fase em que atravessamos, os sacos têm que ser colocados dentro do caixote e não no chão, ao lado, por exemplo. Se o caixote estiver cheio, é preferível procurar o contentor mais próximo ou esperar que este seja despejado.
De destacar que o material de proteção individual, como máscaras, luvas e lenços, independentemente do material de que sejam feitos, devem ser colocados no contentor do lixo comum.