A freguesia do Juncal voltou a registar mais um ato de vandalismo. É o segundo em menos de um mês. Da primeira vez, em meados de maio, o alvo foi a moldura recentemente colocada no cruzeiro da vila para as pessoas poderem tirar uma fotografia, tendo o Juncal como pano de fundo. Dessa vez, o autor dos estragos aproveitou a frase inscrita na moldura (“Freguesia de Juncal, é bom estar por aqui!!!”) para adicionar uma outra, com um vocabulário brejeiro. Perante o sucedido, a Junta de Freguesia decidiu agir, fez uma publicação na sua página de Facebook a lamentar o que tinha acontecido e a informar que, caso os responsáveis pela situação não o assumissem, o executivo iria apresentar uma queixa junto das autoridades. Foi “remédio santo”. Depois disto não foi preciso mais do que um par de horas para que houvesse uma reação por parte do culpado. «A pessoa retratou-se, pediu desculpa, disse que foi um ato irrefletido e tratou ela de limpar e repor aquilo como estava», explica o presidente da Junta, Artur Louceiro. «Estamos a falar de alguém que já não é um miúdo de escola e por isso, deveria pensar nas coisas antes de fazer», considera.

Mais recentemente, no passado dia 17, foi registado um novo caso de vandalismo que visou as casas de banho do Parque Verde da vila. Através da utilização de um marcador preto, os autores escreveram e desenharam palavras impercetíveis em vários elementos dos sanitários, desde paredes, portas até ao dispensador de toalhetes. Sem ficar indiferente ao sucedido, a Junta voltou a denunciar a «falta de respeito e civismo» nas redes sociais, onde mais uma vez foi dada a oportunidade de os indivíduos confessarem, se não acontecer irão «dar seguimento à queixa nas autoridades competentes». Uma decisão que, garante o presidente de Junta, será tomada apenas em «última instância»: «Tentamos ir pela vertente da pedagogia e da sensibilização porque nós, enquanto executivo, não devemos e também não queremos fazer disso [denúncias] uma situação normal», justifica.

Por enquanto ainda não há sinais de quem tenha estado na origem deste ato de vandalismo e, contrariamente ao que sucedeu na primeira vez, o presidente da Junta não acredita que os responsáveis sejam identificados. «Eu penso que não vamos ter a mesma sorte porque há pessoas que viram mas andam sempre muitos juntos e depois ninguém acusa ninguém», afirma. Caso desta vez o desfecho não seja o mesmo e os culpados não sejam apurados, à Junta só restará uma solução: «Vamos ter que limpar nós», lamenta.

A verdade é que a estes dois casos soma-se mais um, que nunca chegou ser a divulgado mas que o presidente da Junta agora revela. «No parque infantil foram escritas palavras obscenas, algumas provocações, que soubemos depois terem sido escritas por duas miúdas», afirma, acrescentando que as jovens em causa pediram desculpa e que a escola «tomou as providências que entendeu». O autarca condena estes incidentes, os quais, acredita, se devem sobretudo à «falta de educação»: «Eu não posso passar os dias a guardar os parques. Isto vem de casa. Deveriam estar instruídos que podem e devem utilizar mas não danificar nem vandalizar. Isto não deveria acontecer mas, infelizmente, é o que temos». Aliás, a forma de os jovens se comportarem hoje em dia já obrigou o supermercado da vila a tomar restrições mais apertadas: «Foi implementada a regra de só entrarem dois jovens de cada vez, porque antes entravam aos montes e faziam, inclusive, pequenos furtos», conta.

O presidente da Junta mostra-se preocupado com os «atos recorrentes» de vandalismo na sua freguesia e apela a que haja uma utilização mais cuidada do «mobiliário urbano»: «Usem os equipamentos, usufruam e desfrutem deles mas sem vandalizar». «Queremos que as pessoas respeitem os espaços públicos. Os dinheiros públicos têm que ser utilizados a pensar no futuro e não a reparar coisas que não deveriam acontecer», conclui.