Porto de Mós pode vir a ter um Centro de Operações da Refood. A iniciativa parte do Rodas d’Aço Motor Clube, da Tremoceira, e teve a sua primeira ação nas tasquinhas das Festas de São Pedro.

A Refood é um projeto que pretende evitar o desperdício de comida, direcionando-a para famílias carenciadas. Para isso, faz a recolha do excedente alimentar em estabelecimentos como restaurantes, cafés ou pastelarias. Atualmente o Centro de Operações mais perto de Porto de Mós é em Alcobaça, no entanto a secção motorizada do Centro Cultural e Recreativo de São João da Tremoceira quer implementar um no concelho.

Depois de surgir a ideia, estes “amantes dos motores” entraram em contacto com a Refood Alcobaça para saber quais as medidas a tomar. Por considerarem que a Tremoceira seria um lugar pequeno para implementar um projeto deste género, a ideia ficou “em pausa”. Até que algumas voluntárias portomosenses sugeriram à coordenadora do Centro de Operações, Carmelita Costa, fazer a recolha nas tasquinhas de São Pedro. A ideia foi bem recebida,no entanto toda a logística do processo preocupou Carmelita Costa, que se lembrou da proposta do grupo Rodas d’Aço. «Lancei o desafio. O facto de ter dito que precisava da ajuda deles foi visto como uma oportunidade e foi aceite», conta a coordenadora.

Os Rodas d’Aço fizeram recolha «em todas as tasquinhas e já na hora de fecho», momento em que «já tinham uma noção do seu excedente alimentar» daquela noite, explicou Rodrigo Silva, o presidente do Rodas d’Aço Motor Clube. «O feedback foi sempre muito positivo» e o dirigente considera que se deve ao facto de o conceito ser «de fácil entendimento: a comida ou vai para o lixo ou vai ser reaproveitada para ser a refeição de alguém amanhã». A «overdose de comida» recolhida foi entregue no Centro de Operações de Alcobaça, que reforçou as refeições dos seus beneficiários e que a distribuiu ainda pela associação Dias d’Aconchego, que acolhe toxicodependentes em recuperação.

Em Porto de Mós: quando e onde?

O objetivo é abrir um Centro de Operações no concelho de Porto de Mós, no entanto, antes de chegar a essa meta, há algumas fases a ultrapassar. A primeira – a recolha nas tasquinhas – foi já cumprida. Agora, há que ter formação no Refood Alcobaça. De seguida, os Rodas d’Aço vão assumir um turno naquele Centro de Operações, para perceberem como tudo funciona, ao mesmo tempo que vão tendo alguma formação, por exemplo na parte administrativa.

Entretanto, para que o Centro de Operações possa entrar em funcionamento haverá reuniões com a comunidade, com a presença de Hunter Halder, fundador da Refood, e «o mais importante será arranjar um sítio», refere Carmelita Costa, adiantando que para aumentar a viabilidade do projeto, ele deve ser transferido da Tremoceira para a vila de Porto de Mós, «que é mais abrangente» e «tem outro impacto». No entanto, explica Rodrigo Silva, o grupo quer começar a operar na freguesia de Pedreiras, para avaliar a respota da população.

A deslocação para Porto de Mós não tem local exato, o que se pretende é que seja “escolhido” «com a colaboração da Câmara ou de alguma empresa que tenha um local a que não dê uso» e que possa ceder. Serão, então, feitas as adaptações necessárias, assim como adquiridos os equipamentos indispensáveis, como frigoríficos, por exemplo. Para todo o processo, é necessária a colaboração da comunidade, «o que se pretende da Refood é isto mesmo: evitar o desperdício, direcioná-lo para quem precisa e envolver a comunidade toda», defende Carmelita Costa que acrescenta que «o prazo de abertura vai depender de todo este processo». Rodrigo Silva reforça que até lá, vão «preparando as tropas, para que, assim que houver um sítio, já haja pessoas para avançar e começar a tomar conta das coisas».