Associação Paleo XXI – assim é o nome da associação, com raízes em Alcobaça, criada em 2017 que começou por ser apenas um grupo de Facebook (nascido em 2014) e que atualmente tem perto de 450 mil seguidores. Paula Ruivo é a atual vice-presidente da associação e segue, logicamente, o regime Paleo. A O Portomosense explicou exatamente o que está em causa neste regime, mas antes contou a história desta associação.

«A associação, sem fins lucrativos, veio no fundo legalizar aquilo que já estávamos a fazer na internet. A associação tem como base o grupo de Facebook Paleo Descomplicado onde falamos da alimentação Paleo descomplicada, a alimentação Paleo XXI». Foi Francisco Silva, presidente da associação, que criou o grupo, com o «intuito de mostrar a sua alimentação aos amigos, mas o grupo cresceu muito». Apenas um ano depois da criação, em 2015, é que Paula Ruivo entrou para o grupo onde «era muito ativa» e por isso acabou por ser convidada por Francisco Silva para ajudar na moderação. Em 2016, em conjunto, decidiram que estava na altura de sair da internet para o contacto direto com o público e para isso criar uma associação: «Para podermos participar em eventos, publicar revistas e livros sendo que o nosso maior objetivo é a divulgação deste conceito em todos os extratos, inclusivamente nas escolas», frisa Paula Ruivo.

Mas afinal que conceito é este? «O regime Paleo quer dizer que vamos pegar na lógica do que se fazia no Paleolítico e neste caso adaptá-la aos tempos atuais e por isso é que usamos o XXI e o descomplicar à frente do Paleo», começa por explicar a vice-presidente. «O que é que se fazia no Paleolítico? Caçava-se, comia-se mais proteína do que produtos da agricultura, éramos muito ativos. Com toda a evolução, deixámos de caçar, deixámos de nos mexer e introduzimos na nossa alimentação imensos alimentos e produtos alimentares que não existiam na altura e isso trouxe-nos uma perda muito grande de saúde e muitas vezes aumento de peso», frisa Paula Ruivo. A ideia é voltar atrás no tempo, retirando alguns destes alimentos prejudiciais: «Nós gostamos de falar em “comida de verdade”, comer o que não tem rótulo como o frango, porco, ovos, peixe, frutos secos, legumes, isto é a base. O que é que retiramos? Farinhas refinadas, com glúten como centeios, espeltas, açucares refinados e tentamos reduzir ao mínimo a ingestão de processados, conservantes e aditivados, ou seja, tudo o que é acrescentado ao alimento normal», explica.

Os benefícios da retirada destes alimentos do regime alimentar são evidentes, garante Paula Ruivo. «Muitos destes alimentos são altamente inflamatórios para o nosso corpo e à medida que os retiramos há sempre algo que melhora», frisa. Mesmo quem inicia o regime Paleo com o intuito de emagrecer, «algo possível se as escolhas alimentares forem corretas», acaba por se manter porque nota efeitos positivos a vários níveis. Num grupo tão alargado a troca de experiências é uma constante e há já vários testemunhos «de pessoas que sofriam com doenças graves e melhoraram bastante». «Não estamos a falar de nada milagroso, mas em quatro anos de associação já ouvimos falar de pessoas que passaram de cinco ou 10 comprimidos por dia para um ou nenhum, que passaram a ter menos dores, por exemplo doentes com fibromialgia, pessoas que conseguiram controlar a diabetes, situações de ovários policísticos quase revertidas em que a mulher conseguiu engravidar de forma natural e ter uma gravidez e bebé saudáveis», especifica a vice-presidente.

O jejum e o consumo de água

Comer uma refeição saciante e só voltar a comer quando o corpo pede, é esta a lógica do regime Paleo. «O que é que os nossos antepassados faziam? Precisavam de ir arranjar comida, comiam e depois quando tivessem fome voltavam a caçar, não tinham propriamente um esquema alimentar. A nossa ideia é um pouco esta, respeitar o nosso corpo. O nosso corpo dá sinal quando tem fome e isso tanto pode ser às 8 ou às 20 horas», refere. Não há, por isso, um número de refeições definidas por dia: «Há pessoas que fazem três, outras duas, há quem faça apenas uma. Pelo meio fazemos o chamado jejum intermitente que traz muitos benefícios porque é neste momento que a inflamação do nosso corpo desce e promove o reequilíbrio do nosso corpo». Paula Ruivo deixa ainda outra garantia, há «uma vida social mantida». «Ninguém passa a ser bicho do mato, ninguém anda de tanga a caçar mamutes pelo caminho, por isso batalhamos na ideia do “XXI”. Se eu hoje tenho um almoço, então vou almoçar sem problema nenhum um peixe no forno, frango, um bife de vaca, uns legumes salteados, se não estiver preocupada com a perda de peso, pode ser a batata no forno. Vou almoçar os alimentos que me deixem saciado até à refeição seguinte», volta a salientar. A refeição seguinte é aquela que a fome ditar. «Pode ser ao jantar se tiver fome ou pode ser apenas no dia seguinte ao pequeno-almoço», refere.

Quanto ao consumo de água, Paula Ruivo também defende que o corpo dá sinais do que precisa, embora acredite que «grande parte da população não está habituada a beber água» e nem sempre deteta que é isso que o corpo está a pedir. «Muitas vezes o corpo dá sinal de fome quando na verdade precisa é de água e nós temos um truque engraçado que acaba por ajustar. Quando se tem alguma fome a meio da manhã ou a da tarde, é importante beber um copo de água. Se for sede, essa sensação de fome vai passar, se for fome, vai voltar», frisa. Há uma hora em que o «copo de água é sagrado», logo ao acordar «porque ajuda a limpar as impurezas do sistema digestivo da noite».

Estas regras, dicas, receitas estão já escritas e descritas nos «quatro livros publicados» pela associação e também na revista de ementas que já existe há quatro anos e que sai «de dois em dois meses». Um dos livros «está já na quinta edição com mais de 12 mil exemplares vendidos», conta Paula Ruivo. A vice-presidente volta a frisar que este não é um regime «milagroso» mas, acredita, «vem provar que quando voltamos atrás e voltamos a mostrar ao nosso corpo os bons alimentos, ele devolve-nos em energia, em saúde e na perca de peso que grande parte da população também quer».