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Relatos de ameaças feitas aos profissionais de saúde denunciados pela Ur’gente

20 Agosto 2021
Jéssica Moás de Sá

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Jéssica Moás de Sá

20 Ago, 2021

Não é a primeira vez que a Ur’gente dá conhecimento de «atos incivilizados» nos centros de saúde do concelho. No mês de julho do ano passado, por exemplo, foi vandalizado o Posto Médico do Alqueidão da Serra. Desta vez tratam-se de «ameaças à integridade física dos profissionais e invasão do gabinete médico no decorrer de consultas médicas a outros utentes». A presidente da Ur’gente, Ana Margarida Amado, não revelou em quais centros de saúde se verificaram estas ameaças, até porque «o problema não acontece apenas numa ou duas freguesias, há problemas generalizados em todo o concelho», salienta. «Há determinados comportamentos que não são admissíveis e é isso que eu quero que as pessoas entendam, é verdade que se entende a insatisfação dos utentes mas muitas vezes canalizam essa insatisfação de maneira errada», refere.

A responsável diz que não há conhecimento de ameaças que tenham passado «a vias de facto», no entanto, lembra que mesmo apenas verbalmente, estas ameaças pretendem criar «uma sensação de insegurança na pessoa a quem se dirigem, seja ele médico, administrativo ou enfermeiro». Voltando a frisar que entende a insatisfação dos utentes, «pela falta de médicos de família, pelos ficheiros de utentes muito grandes que os médicos têm e que impedem que o médico satisfaça as necessidades dos utentes na sua plenitude», Ana Margarida Amado diz que esta não é a forma «de protestar» e pode até ter consequências inversas às desejadas pelos utentes. «Isto afasta os médicos. Nós estamos num concelho que tem falta de médicos sistematicamente, aqueles que vêm para cá é a pensar em ir embora e os utentes ainda ameaçam os médicos só porque eles não fazem aquilo que queremos na hora que queremos. O médico não é um computador», frisa. «Logicamente que isso vai criar insatisfações adicionais no médico de família, entretanto corremos o risco de ficar sem médicos e várias freguesias já tiveram a noção da dificuldade que isso cria, portanto deveriam tomar consciência das consequências», acrescenta ainda.

A presidente revelou que sabe que foi apresentada «uma queixa formal relativamente às ameaças» e acredita ainda que «outras situações também tinham vindo a ser relatadas pelos profissionais de saúde às entidades que os tutelam».

“Tudo o que seja agir fora dos parâmetros legais, a Ur’gente não está cá”

Ana Margarida Amado garante que a Ur’gente está cá para defender os utentes, mas apenas se agirem pelas «vias legais»: «Eu digo sistematicamente às pessoas, eu aceito reclamações, reencaminhei recentemente uma reclamação de uma utente do concelho para o ACES Pinhal Litoral, mas porque vinha identificado e justificado, agora, não esperem qualquer atitude da Ur’gente relativamente a queixas que não sejam assinadas por baixo, porque é muito fácil dizer que o médico me receitou algo e que fiquei mal, mas depois quando se quer resolver, não foi ninguém». «Uma coisa é dizerem-me que o médico “não sabe o que faz” e provarem-me porque dizem isso, outra coisa é simplesmente porque ouviram no café determinada conversa, que depois ninguém assume, partirem para o ataque pessoal ao médico», frisa a presidente.

A responsável volta a afirmar que a «Ur’gente está cá para apoiar em tudo o que contribuir para melhorar as condições do utente, sempre que houver um protesto, vai analisar esse protesto e se fizer sentido, está cá para fazer o que pode fazer», mas que não está «do lado do utente para comportamentos não civilizados, comportamentos anti-democráticos, comportamentos fora da legitimidade».

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