Partindo dos relatos de queixas em relação ao atendimento que estará a ser realizado nalgumas unidades de saúde do concelho, procurámos saber junto dos coordenadores das USF e UCSP se tinham conhecimento dessas reclamações e o que está a ser feito no sentido de as extinguir. Confrontado pel’O Portomosense sobre situações em que, nalguns casos, estavam a ser feitas consultas médicas através da janela, o coordenador da UCSP de Porto de Mós, Nuno Couto, sublinha que «não é propriamente isso que está preconizado», no entanto, não nega que tal possa já ter acontecido: «Se eventualmente houve uma troca de palavras através da janela, até poderá ter havido, confesso que não sei».

O aparecimento da pandemia levou a uma «reestruturação dos serviços» e são precisamente essas mudanças que têm levado a um rol de queixas por parte da população. «O que é feito da parte exterior do edifício é um primeiro contacto através da janela com a administrativa e nem sequer se está a aplicar em todo o lado», garante, adiantando que há locais em que os utentes já estão a ser atendidos na sala de espera e que as orientações estão a ser atualizadas «à medida que o tempo vai avançando». Espaços fechados que não permitem «grandes circulações de ar» e por conseguinte, «sem grandes condições de segurança» são as justificações dadas para o atendimento feito à janela.

Nuno Couto admite também a existência de queixas principalmente em «Porto de Mós, Mira de Aire e Alqueidão da Serra» e garante que o que têm procurado fazer é «explicar que são regras novas que têm sido implementadas apenas pela segurança de todos». As reclamações passam sobretudo pela quase inexistência de consultas presenciais. «Temos estado a explicar aos utentes que há situações que não justificam uma consulta presencial», afirma. O responsável descarta a possibilidade de todas as consultas estarem a ser feitas via telefone, justificando que «50% das consultas têm sido à distância» e o que está a ser feito é, num primeiro momento, o médico de família entra em contacto com o utente e depois «de acordo com o quadro clínico da pessoa» pode ou não marcar uma consulta presencial.

“Nova forma” de atendimento também não agrada a médicos

«Preferíamos mil vezes regressar aos moldes antigos». O desabafo é da coordenadora da USF Novos Horizontes, Joana Oliveira, que reconhece que as «repentinas alterações» na «nova forma» de atendimento «não agradaram aos utentes», um sentimento que é comum aos profissionais de saúde. «Tentamos na medida do possível dar resposta às suas sugestões e explicar-lhes o porquê desta nova forma de atuação», sublinha. No entanto, admite que as restrições de circulação e lotação nos espaços, indicadas pela Direção-Geral da Saúde (DGS) são para «proteger e diminuir o risco de contaminação».

Uma das principais queixas relatadas por utentes de unidades de saúde pertencentes a esta USF prendia-se com o atendimento feito à porta, sob pena de poder estar em risco o direito à privacidade. «A distância de segurança de dois metros indicada no chão da antecâmara dos nossos pólos, que os utentes devem cumprir e o preenchimento de impressos salvaguardam a privacidade necessária ao seu atendimento», refuta Joana Oliveira.

A coordenadora da USF Novos Horizontes esclarece que o atendimento de enfermagem e médico está a ser efetuado tendo por base as orientações da ARS Centro e DGS e adianta que «todos os contactos presenciais são pré-agendados pelos profissionais de saúde após triagem telefónica». «A nossa preocupação é dar resposta aos nossos utentes tendo em conta o risco de exposição de utentes/profissionais», afirma Joana Oliveira, garantindo que caso haja necessidade de agendamento presencial, «a equipa de saúde irá agendar uma consulta em horário definido e local adequado à sua situação clínica».