Entre os dias 26 de março e 4 de abril, decorreu no concelho, nos restaurantes que aderiram ao desafio lançado pela Câmara, a segunda edição do Festival Gastronómico do Cabrito e do Borrego das Serras de Aire e Candeeiros. O evento realizou-se este ano em formato take-away, depois de no ano passado ter sido cancelado devido à chegada da pandemia.

Sob o mote «Não é tempo de crise, é tempo de oportunidades. É tempo de fechar portas mas de abrir janelas. É tempo de estar em casa, vivendo a vida lá fora. É hora de levar para a mesa os sabores de sempre! A porta pode estar fechada mas a cozinha estará sempre aberta!», o Município lançou o repto aos restaurantes, havendo este ano ainda outra novidade: através dos serviços de táxi do concelho, foram feitas entregas em casa das pessoas, a custo zero.

O Portomosense foi saber, junto de alguns dos restaurantes aderentes, como correu o evento, tendo obtido respostas positivas em todos os casos. Camélia Vicente, uma das proprietárias da Taberna da Vila, situada no mercado de Porto de Mós, conta que as encomendas estiveram «acima das expectativas» e afirma mesmo que a adesão foi superior ao primeiro ano em que houve festival, em 2019, na altura em formato presencial. Para a proprietária, participar nestes eventos é também «uma forma de divulgar a casa» e os resultados começam a chegar: «Além de terem vindo clientes para essa altura, muita gente viu os restaurantes aderentes e começou a procurar para ir buscar take-away [além do festival]. Temos tido procura de novos clientes, só não podemos afirmar se advém do trabalho que vamos fazendo a nível de divulgação e promoção no Facebook ou se teve também a ver com a divulgação feita pela Câmara [dos restaurantes aderentes]», explica.

Por sua vez, Olávia Rodrigues, proprietária da Adega do Luís, no Livramento, faz também um balanço positivo, dizendo que não esperava que «corresse tão bem», já que o restaurante está fechado desde janeiro, sem qualquer serviço de take-away. «O nosso conceito não é muito de take-away. Como não fazemos “pratos de panela” não dava muito para ir por esse caminho, por isso optámos mesmo por fechar, mas correu muito bem com o cabrito e o borrego», afirma. O resultado não é, no entanto, comparável com a primeira edição, em que também participaram. «No primeiro ano correu muito bem, muito melhor do que eu esperava porque não imaginava que houvesse tanta gente a gostar tanto de cabrito e borrego. Nessa altura, tivemos bastante gente durante a semana e ao fim de semana, então, era mesmo de “rebentar”», recorda. Este ano, a adesão podia ainda ter sido maior, caso não houvesse a limitação de circulação entre concelhos, considera, uma vez que Olávia Rodrigues revela que teve encomendas de outros concelhos, mas que, por culpa das limitações, não puderam ser concretizadas.

Também Rute Cordeiro, proprietária do Requinte dos Amigos, no centro da vila de Porto de Mós, estreante neste festival, faz uma avaliação «muito positiva». Escolheu participar «por todas as circunstâncias» que os restaurantes passam nesta fase. Afirma que teve de se «reinventar» e viu neste festival mais uma oportunidade de fazer negócio. «Tivemos clientes que já conhecíamos mas também tivemos muitos novos, de Leiria, da Batalha, que chegaram até nós pelas redes sociais ou através do próprio [site do] Município», adianta.

Mais de meio milhar de doses vendidas

Em declarações ao nosso jornal, o vereador da Cultura e vice-presidente da Câmara, Eduardo Amaral, revelou que no total, os restaurantes venderam, durante o festival, «mais de 500 doses de cabrito e 100 de borrego», acrescentando que a adesão «superou as expectativas». De acordo com Eduardo Amaral, «estes dados provam que os produtos e os restaurantes do concelho de Porto de Mós são diferenciadores, têm qualidade e, sobretudo, têm procura», algo que deixa os elementos do executivo «muito satisfeitos e com a certeza de que estas iniciativas são profícuas», ficando a esperança de que, no futuro, se possam «voltar a encher» os restaurantes. O autarca salienta que a realização deste festival, mesmo com todas as condicionantes, se baseou em «dois grandes pilares: criar valor e criar esperança», tendo «uma componente económica e social relevante».

Eduardo Amaral quis ainda destacar a cooperação com os taxistas do concelho. «Esta foi uma forma de incentivar a adesão ao festival, mas também de contribuir para a sustentabilidade» deste serviço, um «setor muito afetado também» pela pandemia, remata.

Perspetivas do desconfinamento

Com este desconfinamento faseado, os restaurantes têm, desde o dia 5 a possibilidade de servir na esplanada, com um máximo de quatro pessoas por mesa e, a partir do dia 19, poderão voltar a servir no interior do estabelecimento – se o plano de desconfinamento do Governo avançar. As três proprietárias mostram-se, de alguma forma, apreensivas com o tempo que se avizinha, depois da fase «conturbada» que viveram até aqui. Olávia Rodrigues é a mais otimista das três, acreditando que «as pessoas estão fartas de estar em casa, de cozinhar» e que, por isso, «vão querer sair». Assim, espera uma retoma «lenta» mas a acontecer e que «lá para julho ou agosto», atinja o seu «ritmo normal». No entanto, não deixa de apontar que espera que «na Páscoa não tenha havido ajuntamentos para que os números não disparem». Este desejo é partilhado por Rute Cordeiro que conta que «as pessoas tenham cautela», mas vai mais longe e quer também que «continuem a apoiar o comércio local», em vez de «fugirem para as praias e para as grandes cidades». Camélia Vicente tem uma visão um pouco mais pessimista, dizendo que está «sem grandes expectativas» porque não sabe se as pessoas «vão continuar a comer em casa ou a ir buscar ao restaurante» ou se, por outro lado, vão «começar a voltar aos estabelecimentos». Tem no horizonte «uma possível retoma, mas com muitas perspetivas de, entretanto, voltarmos a estar todos confinados». «Os números estão a aumentar, os índices de transmissibilidade também e a restauração vai ser outra vez um dos setores a sofrer com a crise», remata.