Tendo por base a cozinha tradicional portuguesa, os três restaurantes que aqui vos apresentamos têm procurado ir mais além através da inovação de pratos. Estes estabelecimentos têm algo em comum: às refeições tipicamente portuguesas decidiram dar um toque de modernidade, o que se revela uma aposta ganha.

Quem passa por Zambujal de Alcaria dificilmente fica indiferente a uma casa com aspeto centenário de cor branca e azul que está instalada junto à estrada principal. Atualmente é o restaurante Cova da Velha, mas nem sempre foi assim. Em tempos, esse espaço serviu de venda, «um local que vendia de tudo», aquilo que hoje conhecemos como drogaria, e também funcionou como entreposto de peixe, que vinha da Nazaré em mulas. Muitos anos depois, a casa reconstruída deu lugar ao Cova da Velha, um bar entretanto extinto. «Os bares não são coisas que perdurem no tempo». Apesar do fracasso, João Pedro, o proprietário, decidiu fazer nascer um restaurante com o mesmo nome. A sua determinação havia de dar frutos e prova disso são os já 16 anos em que o espaço está aberto. Com uma vida inteira dedicada à restauração, João Pedro é hoje proprietário de um espaço com bastante reconhecimento em termos de público. «Para muitos, o restaurante Cova da Velha é uma referência na restauração em Porto de Mós», admite.
Com uma cozinha «baseada em sabores portugueses», na Cova da Velha, podemos provar variadíssimos pratos como o cabrito assado no forno que é considerado pelo proprietário «um dos ex-libris da casa». Sobre o que diferencia esta iguaria tão tipicamente portuguesa de outras, João Pedro revela que a diferença está no uso de ervas aromáticas que «são aqui da terra», como pimenteira, rosmaninho e alecrim. Para os amantes de peixe, a oferta também é diversificada. Exemplos disso são a raia brasada com risoto de legumes, que é vista como «o prato mais original», devido à sua confeção e apresentação, o polvo que é salteado com azeite e especiarias e a que se junta o vinagre balsâmico que «puxa para outra dimensão» e, ainda, o bacalhau confitado, «feito na gordura do azeite e a que se soma queijo de São Jorge».

Um dos objetivos do restaurante Cova da Velha é conseguir «oferecer ao cliente diversidade» através da inovação na ementa, que é uma preocupação diária. Para isso, uma das estratégias passa por inventarem pratos. «Se tiverem aceitação, ficam na ementa. Caso não tenham, passamos à frente», explica. Ao almoço, o preço médio por pessoa varia entre os 10 e os 15 euros e «existe sempre um prato de porco, de peixe e vitela». Apesar de os pratos irem sempre alternando, há um que é garantido: risoto de legumes, o único de cariz vegetariano que existe no restaurante. Ao jantar, o preço médio é de 20 euros por pessoa e a ementa é fixa: nela podemos encontrar, normalmente, «quatro pratos de peixe e seis de carne».

Pescatore: um “mix” de sabores

O nome de origem italiana carrega consigo uma ambição do proprietário em trazer até à vila de Porto de Mós, o peixe e o marisco, misturando algumas carnes com sabores da terra, como a vaca, o porco e a cabra. «Servimos comida portuguesa e internacional, com um toque serrano», afirma Nuno Ribeiro, de 41 anos, proprietário e chef de cozinha do restaurante Pescatore.

Desde novembro que as piscinas municipais ganharam um novo vizinho que apesar da sua curta existência já teve que enfrentar alguns desafios, como a chegada da pandemia. «Já temos uma clientela fixa, que tem crescido e que vai suportando isto. Mas não está nada como antes», ressalva. Durante o Estado de Emergência, o restaurante nunca fechou portas e optou por implementar o serviço de take-away, o que acabou por ser «uma grande surpresa» com a fidelização de clientes que passaram a ir ao espaço.

Com uma preocupação em dar o «máximo de variedade, equilíbrio e bastante sabor», o Pescatore oferece de segunda a sexta-feira as chamadas “diárias”, onde consta um prato de sopa, salada, carne, peixe e sobremesa. Arroz de lingueirão, lagartos com amêijoa, secretos com camarão são apenas alguns exemplos de pratos que poderá degustar no restaurante. Nuno Ribeiro rejeita o adjetivo de que a sua cozinha seja requintada porque justifica, «o que interessa são pratos bem confecionados, bons cortes, boa escolha de produtos e bom ponto de cozedura».

Neste espaço, além da preocupação com a variedade de pratos, existe uma outra que é considerada basilar no seu funcionamento. «Nós temos uma cultura de proximidade com o cliente. Quanto melhor o conhecermos, melhor o conseguimos surpreender», garante. No Pescatore, uma refeição pode variar entre os 10 e os 20 euros. O valor, esse varia consoante o vinho escolhido assim como o peixe. «Quem come um peixe de linha, como é o caso do robalo e da garoupa, já sabe o que vai pagar», frisa.

Quem não conhece o Frango da Guida?

Aos 49 anos, Margarida Pires decidiu mudar de vida. Deixou para trás uma vida de escriturária e abraçou a restauração. Desde então que é proprietária do restaurante Pires e Prato, onde serve comida tradicional portuguesa e grelhados. «Foi difícil no início mas a experiência está a ser boa. Ainda não estou arrependida», confessa, entre risos.

É no espaço localizado nas Pedreiras, junto ao IC2, que podemos encontrar um frango que foi batizado com o diminutivo do seu nome. «É um frango pequenino como o do Algarve, diferente do frango de churrasco normal», sublinha. E foi precisamente com esse prato que apostou para a abertura do restaurante há seis anos. Apesar da nula experiência no setor da restauração, de uma coisa Margarida Pires tinha a certeza: não copiar outros espaços. «Nunca apostámos em fazer o mesmo que a concorrência. Talvez por isso tenhamos tido algum sucesso», constata.
Os pratos bacalhau à Pires e o bife à Pires apesar de simples, englobam características que os distinguem de outros. «O bacalhau leva maionese e vai a gratinar e o bife é duplo e leva camarão», explica. De segunda-feira a sábado, ao almoço existem quatro pratos pré-definidos que «variam todos os dias»: de peixe, carne, frango e especial. O preço médio é de 9 euros. À noite o serviço é feito à carta, com uma ementa que «é sempre mais ou menos a mesma» mas onde constam «cerca de 12 pratos fixos».

Por causa da pandemia, Margarida Pires viu-se obrigada a fechar as portas do seu “ganha pão” durante dois meses e meio. Nesse período, apenas abria ao fim-de-semana, onde tinha serviço de take-away. Hoje, apesar de ter o estabelecimento aberto, a realidade que conhecia continua distante. «Ainda estamos longe dos valores que tínhamos antes da pandemia. Muito longe, ainda», lamenta.