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Rodas Verdes: Por uma mobilidade sem fumo e um país com futuro

1 Agosto 2023
Bruno Fidalgo Sousa

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Bruno Fidalgo Sousa

1 Ago, 2023

Em 1894, o jornal britânico The Times escreveu que, “em 50 anos, cada rua de Londres estará enterrada sob sete palmos de estrume”. Estimava-se que havia 11 mil cavalos na cidade e o problema não tinha solução à vista. Mas em apenas dez anos ficou resolvido: nasceu o carro, padronizou-se o seu uso, as ruas ficaram (temporariamente) limpas. Hoje, um século depois, o ciclo renova-se e surgem novas nuances: as emissões de dióxido de carbono (CO2) empestam o ar, poluem a flora e contribuem desmesuradamente para o agravamento das alterações climáticas. O carro a combustão, que salvou Londres do enterro, é agora um inimigo da chamada “mobilidade suave” – ou elétrica – o que os fabricantes e comerciantes dizem ser o futuro do setor dos transportes. Assim acredita David Marcelo, fundador da empresa Rodas Verdes, que se dedica a combater «problemas como poluição e altos custos dos combustíveis». Sita na Cumeira de Cima, a companhia inaugurou em março passado e, para já, «o balanço é positivo a 60, 70%», crê o proprietário, que já sabia «que ia ser muito difícil»: «Abrimos o Rodas Verdes para tentar mudar a visão dos portugueses. Este primeiro ano principalmente vai ser muito complicado em termos de números, porque é o período de habituação e de mudança de mentalidade das pessoas».

David Marcelo está em Portugal com a família há cerca de um ano, depois de uma década de labuta na Suíça. Ao volante da mota de serviço da empresa, diz liderar pelo exemplo: «Sempre convivemos com essa preocupação ambiental, toda a gente faz reciclagem em casa, não é como aqui em Portugal, [a Suíça] é um país com uma preocupação ambiental muito grande e mais desenvolvida do que nós. Lá os veículos elétricos já existem há algum tempo. E chegamos a Portugal e a imagem que a gente tem é: carros velhos a fazer fumo por todo o lado, que ninguém sabe como é que passam nas inspeções. E isso teve um grande impacto na nossa chegada». Do sonho passou à concretização, sendo hoje a única empresa do setor no concelho de Porto de Mós: «A mais próxima seria tentar ir a Leiria. Ou seja, nós estamos a tentar ser a mudança nesta área rural, que é muito difícil, temos um grande trabalho pelas mãos», confessa.

A adesão portomosense

David Marcelo acredita que «as pessoas estão a começar agora a ver a verdadeira essência da coisa, porque lhes toca na carteira também». «É uma questão de poluição, mas em Portugal, infelizmente, temos de apregar mais à carteira e os veículos elétricos têm esse argumento, a pessoa pode economizar nestas viagens diárias de ir aos supermercados, aos cafés, isto para carregar uma mota elétrica ronda 30 a 40 cêntimos por 100 quilómetros», explica, garantindo que este consumo permite ao utilizador «fazer o trajeto diário casa-trabalho sem ter despender 200 euros de combustível, porque os 200 euros pagam a prestação
da mota e ainda sobra algum dinheiro». Ainda assim, não há uma procura desmesurada. O destaque vai para as motas de gama mais baixa, «principalmente nas modalidades sem carta», que já começam «a ter saída». «A tranche de preçário é mais baixa, estamos a falar entre 1100 e 1600 euros», explica. Por outro lado e sobre outros serviços, a Rodas Verdes já tem «uma parceria com uma empresa» da Nazaré que está a «começar a alugar as motas precisamente para os turistas, porque eles já vêm com essa ideia na cabeça, não fazer poluição, passar férias e proteger o ambiente», e tem ainda oficina de reparações, com o técnico (e único funcionário) Flávio Simão.

Ao fim de quatro meses, o objetivo, diz David Marcelo, é crescer: «Nós gostaríamos, mas lá está, isto vai tudo muito da aceitação do publico, a aceitação do público vem da mudança de mentalidade, a mudança de mentalidade vem de começar a ver isto na estrada e a perguntar-se “por que é que aquele senhor o utiliza?”».

Fotos | Bruno Fidalgo Sousa

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