A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Porto de Mós está neste momento (e até dia 16 de setembro) a receber candidaturas para ocupar duas vagas para dois bombeiros profissionais. A associação já tinha tido a mesma oferta há seis meses, mas não teve sucesso a preencher lugares. Aproximando-se o Dia do Bombeiro Profissional, que se assinala a 11 de setembro, este processo de recrutamento foi o mote para falar sobre a escassez de respostas a estas propostas com o comandante dos Bombeiros Voluntários de Porto de Mós, Elísio Pereira.

«A necessidade de transporte para consultas é maior que há uns tempos e obriga-nos a reforçar a equipa de profissionais», começa por explicar o comandante. O motivo para este aumento, acredita Elísio Pereira, é «o regresso à rotina normal»: «Na altura da pandemia houve menos afluência a cuidados de Saúde, por vezes as pessoas não eram seguidas tão proximamente e, agora, com o levantar das restrições, as pessoas voltaram a fazer as suas vigilâncias médicas normais», salientou.

«Efetivamente tivemos, há cerca de seis meses, uma oferta de emprego para duas pessoas, mas tendo em conta o tecido empresarial em Porto de Mós, não há desemprego felizmente, tem tudo trabalho», explicou Elísio Pereira. O mesmo acontece na associação: «Quem trabalha cá como voluntário tem um emprego e não quer mudar até porque na admissão inicial só podemos pagar o salário mínimo». O comandante considera que é «perfeitamente normal» as pessoas «ambicionarem por um salário melhor», embora ressalve que nos Bombeiros Voluntários de Porto de Mós as carreiras vão evoluindo. «As condições que temos para os nossos profissionais não são más, cumprimos a legislação em vigor em relação ao código do trabalho, as pessoas são ressarcidas nas horas extra e vão evoluindo na carreira, ao fim de um ano de serem profissionais há melhorias substanciais no salário», revela. Elísio Pereira “culpa” o fraco apoio vindo do Estado como um dos principais motivos para os baixos salários, nomeadamente nesta fase inicial: «O valor que o Ministério da Saúde paga às associações de bombeiros pelo quilómetro do transporte de doentes está muito aquém do preço justo numa atividade profissional que é o transporte de doentes, o que faz com que as associações não tenham capacidade de pagar grandes vencimentos». «Ainda assim, em Porto de Mós, temos uma tabela salarial acima da média do que é praticado», frisa.

Emergência será sempre assegurada

Para se ser bombeiro profissional numa associação voluntária tem de se ter as «250 horas de formação» exigidas também a um bombeiro voluntário. «Depois, vão evoluindo conforme as missões que executam enquanto profissionais, seja no transporte de doentes não urgentes como em todas as situações inerentes à emergência, seja pré-hospitalar, acidentes ou incêndios para as quais é preciso um manancial de formação», explica Elísio Pereira.

Quanto às emergências, garante o comandante, «estão asseguradas»: «Espero que esta oferta de emprego seja preenchida porque há uma necessidade efetiva para dar resposta à população que servimos, principalmente no transporte de doentes, porque a emergência está sempre assegurada, se não houver profissionais suficientes para fazer o transporte de doentes não urgentes, optamos por fazer as emergências». Ainda assim, Elísio Pereira diz que, num cenário negativo, «há uma franja da população que não vai conseguir ser servida no concelho e poderá ter dificuldade em ser servida noutro local para o transporte às suas consultas», deixando um apelo para que as pessoas se candidatem.

Foto | Rita Santos Batista