No dia 12 de março, o livro Poesia Entre Pedras, da autoria de Fernanda Vitória, viu a luz do dia, pelas “mãos” da editora Poesia Fã Clube. A autora, natural de Telhados Grandes, mas há várias décadas a residir em Penedos Belos, também na freguesia de São Bento, esteve à conversa com O Portomosense e explicou que conseguiu realizar este sonho com a ajuda de Susana Laranjeiro, também ela a residir em São Bento e com obras publicadas, tendo já sido notícia n’O Portomosense. «Tenho a sorte de ter uma amiga perto, que também lançou um livro e isso parece que me fez um clique. Pensei: “Já sei com quem vou ter e quem me vai ajudar”. Foi ela que me ensinou os passos que eu devia dar», recorda Fernanda Vitória.

Atualmente com 62 anos, foi há cerca de sete que começou a sentir o apelo da escrita: «Foi uma coisa espontânea. Na altura estava a trabalhar numa fábrica de malhas e depois, de vez em quando, trabalhamos com as mãos mas o cérebro anda à volta. Tinha tempo para ir fazendo o trabalho e ir pensando e, às vezes, formavam-se umas frases, umas quadras que rimavam e eu ficava contente», começa por contar. «Depois, quando tinha uma oportunidade de passar para o papel, ia à procura mas já não conseguia encontrar as palavras. Às vezes tinha um papel à mão e escrevia logo, outras vezes comecei a treinar a mente para que ela conseguisse guardar», acrescenta.

Do livro ora publicado constam poemas «baseados naquilo que eu sinto, na minha família, na zona onde nasci, nas recordações da minha infância», revela a autora, acrescentando que alguns deles são também «homenagens», ou seja, poemas que escreveu para «dar os parabéns» à irmã ou às amigas. À coletânea juntam-se ainda poemas que Fernanda Vitória, todos os anos, escreve no dia do seu aniversário e partilha na sua página de Facebook. «Esses poemas estão todos lá, são coisas de que eu gosto e quando pensei em editar o livro, queria que estas coisas ficassem guardadas», explica. Há também alguns poemas que não foram «partilhados publicamente, apenas com um ou outro amigo» ou com aquela que considera a sua «maior crítica», a irmã, emigrada no Canadá e que «ficava contentíssima de cada vez que lia um poema».

De acordo com Fernanda Vitória, foi este caminho que a escolheu e não o contrário: «Nada acontece por acaso. Não era bem este [livro] que eu tinha idealizado, porque há outras coisas em mente, mas o universo, o nosso destino… Nós fazemos os nossos planos mas, às vezes, Deus traça-nos outros. Foi o que aconteceu», considera. Não escreve só poesia e revela que não pretende ficar por aqui, já que gostava de «lançar uma história, um romance, qualquer coisa assim do género», conclui.