Há vários anos que a imagem de São Pedro não saía em peregrinação pelas várias freguesias do concelho. Fê-lo este ano, em consequência de uma pandemia que tudo mudou. Tudo, ou quase tudo, porque ao longo dos três dias de peregrinação ficou clara a devoção ao santo que a tradição popular há muito fez padroeiro de Porto de Mós.

Num ano “normal”, algures entre o final do mês de junho e o início do mês de julho, a missa solene e a imponente procissão pelas ruas da sede de concelho seriam um dos pontos altos das Festas de São Pedro, mas, desta vez, numa conjuntura em quase tudo “anormal” os festejos concelhios foram cancelados e em seu lugar surgiu o do Município e com ele um conjunto, singelo, de iniciativas, entre as quais, a peregrinação da imagem de São Pedro.

Ao desafio lançado pela Câmara, de imediato os responsáveis pelas paróquias deram o seu “sim” e sem perder muito tempo mobilizaram as comunidades à sua guarda pastoral. O resultado, de acordo com vários testemunhos, agradou a todos. Os portomosenses têm São Pedro como seu padroeiro e, por isso, foram muitos os que o quiseram saudar e fizeram-no com visível alegria e empenho, como o pudemos testemunhar. Colchas à janela, tapetes de flores e de verdura, altares improvisados, lenços brancos a acenar, pétalas atiradas à passagem da imagem e escolta e guarda
de honra feito pelos bombeiros, são, apenas, alguns dos exemplos, de como a imagem foi acolhida. A par disto, nos diversos pontos de paragem houve momentos de oração conduzidos pelos párocos, animados e participados pelas comunidades locais, que confirmaram assim, São Pedro como “padroeiro de facto” do concelho mesmo que pelas leis da igreja o seja, apenas, da sua paróquia.

O arranque formal da peregrinação foi no recinto das Festas, com missa solene celebrada pelo padre José Alves, tendo como concelebrante, o padre Leonel Baptista, pároco de Serro Ventoso, Mendiga e Arrimal. Como a imagem do padroeiro é bastante pesada optou-se por uma outra mais leve cedida pela diocese e foi essa que, no seu andor, os escuteiros de Porto de Mós carregaram aos ombros desde a Igreja de São Pedro ao altar instalado no recinto das Festas, ao qual fizeram guarda de honra.

Tendo em conta os constrangimentos sanitários em vigor, a missa decorreu em sistema “drive-in”, ou seja, com os fiéis no interior dos seus carros ou junto a estes mas respeitando o distanciamento social recomendado. Concluída a cerimónia religiosa e depois de rezada a oração em honra do padroeiro, a imagem de São Pedro, colocada numa viatura da Câmara iniciou, então, a sua visita ao concelho, passando por Bezerra, Arrimal, Mendiga e Serro Ventoso, subindo, a seguir, a São Bento, onde ficou durante várias horas na igreja paroquial. Ao segundo dia saiu em direção a Alvados, depois visitou Mira de Aire, Alcaria, Bouceiros, Alqueidão da Serra, Fonte do Oleiro, Tojal e São Jorge. Daí, já noite cerrada, dirigiu-se à Calvaria de Cima, onde permaneceu, na igreja local, até ao início da tarde de 29 de junho, feriado municipal.

No último, visitou as paróquias do Juncal e Pedreiras encaminhando-se a seguir para o recinto das Festas onde foi celebrada missa solene novamente em sistema “drive-in” mas desta vez, e como já é hábito, na presença de fiéis de todos os pontos do concelho, representações de juntas de freguesia, associações e outras forças vivas concelhias, e com a participação ativa de membros do executivo camarário. Antes do início formal da Eucaristia, a imagem entrou no recinto ao som de um tema dedicado a São Pedro, da autoria de José Rosa, de Valverde, e cantado pelo próprio e por dois elementos do grupo coral da paróquia de Porto de Mós. Mais uma vez o celebrante foi o padre José Alves coadjuvado, agora, pelos padres Vítor Mira (Alqueidão da Serra e Alcaria), Luís Ferreira (Mira de Aire, Alvados e São Bento) e José Henrique Pedrosa (Calvaria de Cima).

Concluída a Eucaristia e depois de, mais uma vez, ter sido rezada a oração evocando São Pedro, foi organizada uma inédita e longa procissão automóvel pelas ruas da vila, acompanhada, em autocarro turístico descapotável, pela Banda Recreativa Portomosense. Tanto na missa como na procissão marcaram presença representações de algumas das juntas de freguesia, bem como de coletividades do concelho e até uma viatura com um arco das marchas populares e marchantes devidamente trajados a fazer recordar outro elemento importante das festas do concelho.

No final, já novamente no recinto das Festas, o presidente da Câmara, Jorge Vala agradeceu às diversas entidades e pessoas «que se envolveram nesta celebração e que marcaram presença num ano diferente, numas Festas diferentes e num espaço que costuma ter uma alegria diferente».

«Este é o momento em que afirmamos a coesão de todo o território e por isso não podíamos deixar de o afirmar através da evocação do nosso santo padroeiro. É ele que nos une e que através da fé nos traz até aqui todos os anos e nos trouxe também este ano, numa festa mais simples, menos efusiva, mas bonita e que afirma aquilo que é fundamental: somos um povo unido em torno do seu santo padroeiro e um povo que afirma esta cultura todos os anos e que no ano de 2020, por força da pandemia não podia deixar de o fazer. Estamos unidos, vamos continuar unidos e em 2021 decerto, teremos as Festas de São Pedro no seu formato habitual», concluiu.