«Gostava de saber se há alguma novidade no âmbito do problema que tem surgido no concelho quanto à falta de médicos», questionou a deputada municipal pelo PSD, Olga Silvestre, na última Assembleia Municipal de Porto de Mós. A resposta por parte do presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, não foi a que desejaria: «Continuamos com um problema que, infelizmente, não conseguimos resolver, não é propriamente pela falta de respostas, é, como se diz na gíria, um “lençol curto demais”», começou por referir. «Recebemos aqui um médico, enquadrado num processo de vagas carenciadas, foi uma resposta a um pedido nosso ainda ao antigo secretário de Estado da Saúde, mas a novidade é que esse médico vai embora», adiantou Jorge Vala. «O médico, que agora está de baixa, fez um pedido especial para ir em mobilidade para a Figueira da Foz. Este médico está a ganhar 40% a mais, com um vínculo a Porto de Mós», revelou o presidente, lançando ele próprio uma questão: «Quando temos este tipo de coisas, imaginem, como é que vamos conseguir criar condições ou estabilizar o quadro de médicos no nosso concelho?», indagou.

Jorge Vala admitiu «não saber muito bem o que dizer», depois das várias tentativas para arranjar uma solução. «O facto é que temos uma nova coordenadora [da UCSP de Porto de Mós], vamos ter uma reunião na quinta-feira [dia 22] e vamos esperar que saia algo mais do que o que temos tido», anseia. O autarca diz que, com todos estes problemas, continuam a ser «as populações mais desfavorecidas, com mais dificuldades de mobilidade, as que continuam sem médico de família», admitindo que o concelho continua a funcionar «a duas velocidades», uma vez que a Unidade de Saúde Familiar Novos Horizontes, que serve as populações de Juncal, Calvaria e Pedreiras, continua a «funcionar normalmente».

O presidente adiantou ainda que já há um «processo iniciado para a criação de uma Unidade Local de Saúde, um novo modelo que envolve todos os profissionais de Saúde da região, onde se inclui o Centro Hospitalar de Leiria». «Já está um grupo de trabalho criado, esperamos que nos próximos seis meses tenha já respostas efetivas e vamos ver como vai funcionar», espera Jorge Vala.