O secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, esteve esta segunda-feira, dia 16, em Porto de Mós para uma reunião de trabalho com forças de segurança e serviços municipais, numa sessão que, segundo uma nota de imprensa da autarquia, teve como objetivo «fazer um ponto de situação e auscultar as entidades diretamente envolvidas na gestão de crise» após a tempestade Kristin.
De acordo com o presidente da Câmara, Jorge Vala, citado na mesma nota, o concelho regista ainda «500 casas sem acesso a energia elétrica», além de «centenas de clientes sem acesso a comunicações». O autarca referiu que estas dificuldades motivaram o agendamento de uma reunião com a ANACOM, realizada na semana passada, para expor «os problemas técnicos que se mantêm no terreno», que, segundo o município, contrariam informações transmitidas pelas operadoras. Jorge Vala sublinhou ainda o acompanhamento no terreno desde a primeira hora, agradecendo «o empenho e a dedicação» das entidades envolvidas.
Na reunião, Rui Rocha agradeceu a atuação das forças presentes e afirmou que o fenómeno meteorológico «ultrapassou a gravidade do que estava previsto». O governante recordou que, após a tempestade, a prioridade passou pela desobstrução de vias e garantia de pontos críticos, mas realçou que «os danos são trágicos», apontando como exemplo a destruição de «cerca de 6 000 quilómetros de linha elétrica».
Entre as medidas em avaliação e reforço, Rui Rocha indicou que vão ser assegurados geradores e starlinks (internet via satélite) para um conjunto de entidades e serviços essenciais, incluindo bombeiros, autarquias, freguesias, GNR e centros de saúde, defendendo que «enquanto houver alguém sem energia o problema não está resolvido». O secretário de Estado reconheceu também que as comunicações continuam a ser «outro ponto crítico», admitindo que a ausência de «um interlocutor» dificulta a resposta e exigirá reflexão.
No final do encontro, Jorge Vala referiu que as operadoras têm alegado que não conseguem atuar por falta de acompanhamento da GNR na reposição de fibra ótica, mas garantiu que essa justificação «não corresponde à verdade». O presidente da Câmara reforçou ainda que a recuperação de infraestruturas no concelho exigirá apoio externo, salientando que só a reabilitação de quatro muros de suporte poderá representar «mais de 3 milhões de euros».
A autarquia acrescenta que vai entregar um gerador a cada freguesia e que a CIM da Região de Leiria deverá assegurar a entrega de equipamentos de comunicação starlink às autarquias da região.
Foto | Município de Porto de Mós



