O ano de 2020 ficará para sempre marcado na memória de todos os portugueses, como tendo sido o ano em que durante mais de dois meses, grande parte da população esteve confinada em suas casas. Nesse período, as deslocações ficaram reduzidas ao mínimo e apenas atividades muito restritas, consideradas essenciais, puderam continuar a laborar. Com esta restrição de movimentos, houve quem chegasse a inventar tarefas para conseguir passar o tempo livre. E depois disso? O que aconteceu durante o desconfinamento? Com casa aberta há mais de 24 anos, Amílcar Ribeiro, proprietário da Motomico, revela que nessa altura notou-se uma «grande procura» e um «acréscimo de vendas» tanto de motas como de acessórios. «As pessoas estiveram confinadas durante algum tempo e como a mota é um veículo que transmite uma sensação de liberdade, pensamos que isso possa estar relacionado», justifica.

Neste concessionário de motociclos situado em pleno IC2, nas Pedreiras, a chegada do outono e dos primeiros dias «mais frios» acabou por provocar um revés naquela que era a situação até então verificada. «A venda de motas caiu a pique», garante o empresário. Aliado ao fator meteorológico, acredita, está também uma mudança de pensamento que piorou com o passar do tempo e levou a uma menor confiança das pessoas na economia. «Após o primeiro confinamento, as pessoas tinham a mente aberta para gastar dinheiro mas depois começaram a pensar duas vezes antes de o gastar. Hoje estão mais pessimistas e com receio de ficar sem o emprego», refere.

À semelhança do que aconteceu no setor automóvel, também no ramo dos motociclos se sentiu uma transformação na forma de venda, em parte espoletada pela atual situação epidemiológica. «Há 20 anos, as pessoas entravam no stand para ver se encontravam a mota que pretendiam comprar, hoje quando alguém pensa em comprar uma mota, a primeira coisa faz é procurar na internet», afirma.

“Baixo consumo” de motas na origem da maioria das vendas

Atualmente, quem decide comprar um veículo de duas rodas, fá-lo por diversas razões. Amílcar Ribeiro explica que «a maior parte das pessoas» que compra por exemplo uma mota de 125 cm3 é porque necessita de um meio de transporte que tenha «um baixo consumo de gasolina». No entanto, acrescenta que também há quem queira adquirir uma mota porque «não querem andar» de transportes públicos ou simplesmente para «sair ao fim-de-semana e espairecer». Paralelamente, acredita, há quem deseje comprar um motociclo porque caso tenham mais de 25 anos, a carta de automóvel de ligeiros «dá-lhes acesso» a conduzirem uma mota que «não exceda os 25 cavalos». Por outro lado, as pessoas que compram motas de maior cilindrada, acredita, fazem-no «porque gostam e pela sensação única que dá».