As Juntas de Freguesia de Serro Ventoso e do Alqueidão da Serra repararam e pintaram seis Vértices Geodésicos (VG) das freguesias, três de cada uma. No total, no concelho de Porto de Mós existem ativos 26 vértices, mais conhecidos como “marcos geodésicos” (que servem para delimitar as freguesias), explicou a O Portomosense Helena Ribeiro, chefe da Divisão de Geodesia da Direção Geral do Território (DGT), presente na sessão de apresentação do projeto de restauro dos vértices, que decorreu na passada quinta-feira, na Junta do Alqueidão da Serra.

Na iniciativa marcaram também presença os presidentes de Junta de Serro Ventoso, Carlos Cordeiro, e do Alqueidão, Filipe Batista, o presidente do Município, Jorge Vala, e ainda um topógrafo. Seguiu-se uma visita a dois dos VG, o do Cabeço do Sol, na freguesia do Alqueidão, e o do Vale Grande, em Serro Ventoso, ambos de segunda ordem (existem marcos de primeira, segunda e terceira ordem, apenas os últimos dois podem ser intervencionados). Carlos Cordeiro falou da importância de se recuperar e preservar marcos geodésicos: «É importante que estas ações sejam divulgadas, porque são património, de todos nós, além de os marcos terem largos anos [cerca de 70 anos]». Esta iniciativa pode também «servir de exemplo para outras freguesias e concelhos», sugere o autarca. A proteção dos marcos é da responsabilidade da DGT, contudo, cabe à comunidade e ao Município a defesa e preservação destas importantes infraestruturas que ajudam a cartografar o país.

Carlos Cordeiro sugere plano de um “passaporte geodésico”

Durante a apresentação, o autarca lançou o desafio de um “passaporte geodésico”, uma «ideia embrionária» que não se vê, até ao momento, em prática no país. Algum do trabalho já está feito: «Preparamos um percurso de 125 quilómetros, com 3000 de acumulado, tanto dá para fazer a pé como de bicicleta, e que passa à volta de 15 marcos geodésicos» na região.

Na prática, é juntar o descobrimento e visitação dos marcos das várias freguesias com o desporto, explorando «a boa rede de percursos pedestres que Porto de Mós tem» e «promovendo o Município», esclarece. «Cada Junta, e mesmo os restaurantes da região, poderia ter o seu passaporte e o carimbo, chega aqui ao Alqueidão, por exemplo, um ciclista de qualquer ponto do globo, recolhe o passaporte, tem as coordenadas todas [dos VG], faz o caminho, carimba o documento nos vários restaurantes, e no fim tem o passaporte geodésico carimbado», explica Carlos Cordeiro.

No final da sessão, Jorge Vala deixou umas palavras de agradecimento aos responsáveis, reconhecendo a importância daquelas ações: «Agradecer aos presidentes de Junta esta sensibilidade para a recuperação da memória, de património, que nós temos feito muito aqui em Porto de Mós», disse, acrescentando que irá «sensibilizar os restantes presidentes de Junta» para a recuperação «e identificação dos marcos, com a colaboração da DGT».

Relativamente à novidade do “passaporte geodésico”, Jorge Vala mostrou agrado pela ideia «de se valorizar, dando a conhecer os inúmeros percursos pedestres que o concelho tem. Este é sem duvida o potenciador de mais oferta».

Por seu turno, a engenheira Helena Ribeiro disse ser «uma ideia interessante, uma vez que os VG estão nos sítios mais emblemáticos das serras, nos pontos mais altos, com as melhores vistas». «Qualquer passeio, seja pedestre, seja de bicicleta, se torna uma mais valia para quem conseguir acompanhar as rotas», concluiu.