A floresta da região de Leiria está a ficar mais protegida, como consequência da aposta no reforço do atual sistema de videovigilância florestal e deteção automática de incêndios. O projeto é da responsabilidade da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL) que irá instalar duas câmaras em drones e câmaras móveis em veículos, operacionais já este verão de 2022. O sistema, em constante evolução, surgiu logo após os grandes incêndios de 2017, que marcaram a história da região.

Em conversa com O Portomosense, o presidente da Câmara de Porto de Mós e vice-presidente da CIMRL, Jorge Vala, explicou que «o projeto decorreu de uma candidatura feita pela CIMRL, na sequência dos desastres de há quatro anos, que foi aprovada, tendo permitido a implementação de nove câmaras de deteção manual, com centros de receção das imagens na GNR e no Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS)».

Atualmente, o autarca realça que existem mais duas torres de vigia e que a cobertura é de 85%, sendo que «cada torre está equipada com duas câmaras, em que uma delas faz a rotação de 360.º permanentemente, 24 horas por dia e caso seja detetado um incêndio, o operador no centro de operações, e apenas no centro de operações, poderá fazer zoom de até 20 quilómetros daquela câmara, definir as coordenadas e definir também o ataque ao incêndio», explica. Em Portugal, segundo garantiu, este é um projeto piloto, já adotado por várias regiões. No entanto, a região de Leiria foi a primeira a implementá-lo, por isso, é o que está mais avançado, adianta Jorge Vala.

A «grande evolução é que a partir da próxima época crítica de fogos florestais passam a existir as condições no terreno para este poder ser avaliado em pormenor e para se prosseguir para o combate», refere Jorge Vala, explicando que, desta forma, «o carro de comunicações e o comando que está a operar em determinada frente de incêndio têm a possibilidade de ter próximo do teatro de operações uma câmara móvel, que será instalada manualmente, para poder recolher as imagens necessárias e terá ainda um drone, equipado com uma câmara normal, de alta definição e uma câmara térmica para conseguir operar por cima do território que está a arder, que ardeu ou que eventualmente possa estar em perigo.

O presidente da Câmara de Porto de Mós acredita que este equipamento vem, de alguma forma, «acrescentar muito valor à parte de operação, quer para a GNR, quer para a proteção civil».

No total, Jorge Vala revela que o projeto tem um investimento global de mais de um milhão e 200 mil euros e é comparticipado em 85% pelo POSEUR (Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos), o restante é financiado pelos municípios. De acordo com o autarca, o equipamento adquirido representa um investimento «para além de necessário, muito importante».

«O reforço vai estar ativo já no próximo verão», revela realçando que as últimas viaturas estão previstas serem entregues no início deste mês de janeiro. Posteriormente, segue-se a fase de formação e após esta etapa a operacionalização estará garantida.

“Leiria tem tido muito menos incêndios de grande proporção”

Prevenir é o melhor remédio. O ditado é velho, mas o objetivo é atual: atuar na prevenção para impedir o descontrolo de um incêndio. Jorge Vala não tem dúvidas que este sistema é bastante eficaz na prevenção de desastres deste tipo e explica que embora «o número de focos de incêndio possa ser o mesmo, a quantidade de grandes incêndios é substancialmente menor, porque a deteção automática na fase inicial do incêndio permite seguir para o combate ainda na sua fase primária», impedindo que o mesmo alastre e se descontrole, refere.

Contudo, «o sistema não acaba naturalmente com os incêndios, mas «o resultado é o que está à vista» e «o que é facto é que Leiria tem tido muito menos incêndios de grande proporção do que tinha antes», garante Jorge Vala, realçando que este é um sistema que permite estar em constante observação do terreno, através das 11 câmaras a que todos os presidentes de câmara da região de Leiria têm acesso, bem como as proteções civis municipais e os bombeiros.

A rede é alargada, pelo que permite dar uma informação em tempo real dos terrenos abrangidos pelas câmaras. Ainda assim existem opções que somente a GNR e o CDOS, em cada centro de operações pode realizar, nomeadamente o zoom da imagem e, «claramente, a parte operacional», refere o autarca realçando, mais uma vez para a importância do atual sistema, que permite ter um controlo muito maior sobre 85% da região, possibilitando o ataque em fases iniciais de incêndio.

Revisão | Isidro Bento