Sugerir não ofende, pois não?…

by | 6 Fev 2020 | Editorial

Perto do Natal, numa passagem por Aveiro, deparei-me com uma interessante exposição-venda de presépios. Uma tenda idêntica àquela que habitualmente ocupa a nossa praça Arménio Marques, mas talvez com metade do tamanho, com presépios para todos os gostos e carteiras, peças desde 10/15 euros a mais de 350 euros, umas assinadas por ilustres desconhecidos, outras por ceramistas com nome na praça e apelido bem conhecido oriundos de concelhos conhecidos como berço dos grandes ceramistas portugueses.

Ao ver tal mostra e com tantos visitantes lembrei-me que podíamos tentar algo idêntico à “sombra” ou como chamariz para a nossa mega exposição de presépios fruto do concurso que em boa hora o Museu Municipal decidiu criar e que passados tantos anos se mantém vivo. Isso ou uma exposição com trabalhos de um ou dois ceramistas conhecidos. Não me parece que fosse muito difícil nem particularmente caro, mas claro, a Câmara é que teria de ver do mérito ou demérito da ideia e se seria exequível, nomeadamente em termos financeiros.

Ainda inspirado na exposição de presépios e depois de mais uma visita ao cineteatro reforcei a ideia de que é um património demasiado rico e vasto para estar confinado às nossas quatro paredes. Uma pequena parte da coleção poderia ser mostrada num espaço nobre de uma qualquer vila ou cidade do distrito por ocasião do Natal. Mais uma vez julgo que não seria difícil e que bem ficariam alguns dos nossos mais bonitos presépios na sala de exposições do Teatro José Lúcio da Silva para se mostrarem a um público mais vasto e quase como desafio: «Gostaram? Então, durante todo o mês temos mais para vos mostrar. Apareçam e divirtam-se porque há muito para ver e fazer em Porto de Mós»!…

Ainda na área cultural temos esse fenómeno a nível local que é o Teatremos, que reúne cada vez mais grupos e mais espectadores mas ao qual me parece que está a faltar uma coisa importante (e isto serve para outras iniciativas que fazemos bem mas às quais falta “aquele bocadinho assim”, o tal que faz toda a diferença): falta o espetáculo ou o artista diferenciador. Devemos dar destaque aos artistas locais sim, mas para começar ou encerrar em beleza, teríamos tudo a ganhar se trouxéssemos um artista conceituado porque atrairia mais público, daria nome ao evento e seria um estímulo para os nossos próprios artistas.

Para terminar, mais uma sugestão. À boa maneira portomosense, em tempos investimos tudo, e bem, na Ecopista e esta foi palco de inúmeras iniciativas desde passeios noturnos às inéditas via-sacras em bicicleta promovidas pela paróquia. Houve espaço para tudo e para todos e hoje o que temos? Bem menos que nos primeiros tempos! Tem havido alguma manutenção do espaço mas o pior é para lá chegar. Pela Corredoura é, demasiadas vezes, uma verdadeira aventura…

Para voltarmos a atrair pessoas de dentro mas, principalmente, de fora do concelho, talvez fosse tempo de criar um qualquer evento a passar pela Ecopista, um pouco à semelhança das provas de atletismo com passagem pelo interior das grutas de Alvados e de Mira de Aire. O cenário não é o mesmo, é certo, mas tem potencial para também deixar muita gente fascinada e com vontade de voltar.